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Cinema e Series

3 filmes de fantasia que fracassaram ao tentar virar franquia: o que aconteceu e por que um deles merece um reboot agora

· · 6 min de leitura
Atleta de camiseta de dragão levanta halteres ao lado de pôsteres de três filmes fantasiosos fracassados
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Em 2007, Hollywood apostou alto numa fantasia sombria chamada bússola de ouro — e perdeu. Em 2013, tentou replicar o frenesi de Crepúsculo com caçadores de sombras: cidade dos ossos — e perdeu de novo. Em 2014, escalou um elenco absurdamente estrelado para O último caçador — e ninguém se interessou. Os três filmes foram desenhados como porta de entrada para trilogias que nunca vieram.

A pergunta que não quer calar: por que tantos blockbusters de fantasia chegam ao cinema já com a continuação engatilhada e mofam na prateleira? A resposta é menos poética e mais corporativa — e os três casos abaixo mostram, em ordem, como a conta simplesmente não fechou.

O que aconteceu

Os três títulos nasceram do mesmo raciocínio de estúdio: existe um best-seller adorado, existe um elenco competitivo, existe um universo enorme a ser explorado. Bastava o primeiro filme funcionar para a máquina girar sozinha. O problema é que nenhum dos três conseguiu passar o próprio batente. Bússola de Ouro — adaptação do primeiro livro da trilogia His Dark Materials, de Philip Pullman — apostou todas as fichas no visual e afundou no roteiro. Cidade dos Ossos tentou surfar a onda Crepúsculo e envelheceu em tempo recorde. O Último Caçador tinha Jeff Bridges, Julianne Moore, Ben Barnes, Alicia Vikander e Kit Harington no mesmo cartaz — e ainda assim ninguém lembra que ele existiu.

O resultado? Três universos riquíssimos, três continuações engavetadas, e três trilhões de dólares em potencial de IP deixados na gaveta. O contraste com Senhor dos Anéis e Harry Potter — franquias que começaram com a mesma lógica e foram até o fim — é o que torna esses casos tão dolorosos de analisar.

Como chegamos aqui

A cronologia revela um padrão: quanto mais o estúdio tenta proteger o material de origem, mais o público rejeita.

Bússola de Ouro tentou esconder a religião — e perdeu a alma

O longa dirigido por Chris Weitz adaptou o primeiro volume de His Dark Materials (a saga literária de Philip Pullman que inclui A Bússola de Ouro, A Faca Sutil e A Luneta Âmbar) e decidiu amansar o texto. Os elementos religiosos provocativos que dão personalidade à obra foram suavizados para ampliar o alcance comercial. A protagonista Lyra — vivida por Dakota Blue Richards — segue para o Norte depois que crianças começam a desaparecer, descobrindo uma conspiração que envolve daemons, o magisterium e a existência de outros mundos.

Visualmente, era um filme grandioso. Bilheteria global: cerca de US$ 370 milhões. Só que desse total, pouco mais de US$ 70 milhões vieram do mercado doméstico — número insuficiente para justificar adaptar A Faca Sutil e A Luneta Âmbar. Foi um dos exemplos mais cristalinos de Hollywood errar na primeira tentativa — e a ironia é que a história só ganhou a versão à altura do material anos depois, como série de TV pela HBO.

Cidade dos Ossos apostou em Crepúsculo sem ser Crepúsculo

Em 2013, Hollywood buscava desesperadamente o próximo fenômeno jovem-adulto e mirou na saga literária de Cassandra Clare. Cidade dos Ossos apresenta Clary Fray (Lily Collins) descobrindo que a mãe pertence aos Caçadores de Sombras — uma sociedade secreta de guerreiros que enfrentam demônios escondidos no mundo humano. O universo é absurdamente detalhado: regras próprias, dezenas de tipos de seres sobrenaturais, romances entrelaçados. Em formato de série, seria um tesouro. Em filme único, era overdose.

O longa teve desempenho fraco demais para manter a produção de pé — a sequência já estava em desenvolvimento pré-produção, mas foi congelada. O motivo provável foi a pressa em emplacar um novo franchise sem dar ao material o cuidado que ele exigia. Foi um bom começo, mas claramente insuficiente para o tamanho da mitologia.

O Último Caçador tinha elenco A+ e timing zero

Se você lembra de O Último Caçador, parabéns — você está em minoria. Baseado no primeiro livro das Crônicas de Wardstone, de Joseph Delaney, o filme acompanha Tom Ward (Ben Barnes), o sétimo filho de um sétimo filho, treinado pelo caçador de monstros John Gregory (Jeff Bridges) após a fuga da poderosa bruxa Mother Malkin (Julianne Moore). O elenco ainda trazia Alicia Vikander e Kit Harington — um time que, em qualquer outro ano, renderia no mínimo uma sequência.

O problema foi triplo: problemas de produção e distribuição fizeram o filme chegar completamente fora de timing. As críticas foram negativas, chamando-o de datado e desperdiçador de potencial. Havia investimento visível em efeitos e locações, mas a história — a parte essencial — foi empurrada para escanteio. Para uma franquia nascente, especialmente uma tão cara, não basta ter monstros, magia e um mundo enorme se nada disso empolga o espectador.

O que vem depois

Dos três, dois já ganharam vida nova em formato de série — His Dark Materials na HBO e Shadowhunters na freeform — provando que o material de origem nunca foi o problema. O roteiro de adaptação é que não soube traduzir a complexidade das páginas em duas horas de cinema. O caso de Cidade dos Ossos é especialmente curioso porque uma parcela de fãs ainda prefere o filme à série, mesmo esta sendo mais fiel.

O argumento mais forte, porém, é sobre O Último Caçador: é o único dos três que ainda não recebeu nova vida audiovisual e cujo reboot faria mais sentido agora. O motivo é simples — os livros de Delaney têm um lado mais sombrio e folclórico que o filme de 2014 jamais arranhou. Hoje, com a maturidade de streaming para sustentar o tom, e com o estrelato de Bridges, Moore e Vikander já consolidado de outro lado, uma nova tentativa poderia finalmente entregar o universo à altura.

O lado que ninguém está vendo

Há um padrão desconfortável aqui: os três filmes fracassaram por motivos distintos, mas o denominador comum foi a mesma arrogância de estúdio — acreditar que um best-seller + elenco forte + efeitos caros = franquia garantida. Quando Bússola de Ouro optou por diluir o tema central para ampliar público, ela mesma cavou a própria cova. Quando Cidade dos Ossos correu para capitalizar a onda Crepúsculo, ficou refém de uma fórmula já em declínio. Quando O Último Caçador tropeçou em timing e distribuição, perdeu a janela cultural.

A aposta da redação é clara: O Último Caçador é o reboot que mais precisa acontecer. Tem elenco compatível com o tom, material de origem com profundidade folclórica pouco explorada nas telas e — talvez o mais importante — nenhum remake ou adaptação concorrente disputando o mesmo espaço. Se um estúdio tiver coragem de devolver à franquia a escuridão que Joseph Delaney escreveu, este pode ser o sleeper dos próximos anos.

Enquanto isso, His Dark Materials e Shadowhunters seguem como prova viva de que, às vezes, o formato certo importa mais que o filme certo. A-ironia final: as franquias que nunca aconteceram no cinema vivem hoje nas telas de quem, em 2007, 2013 e 2014, jurou que não ia dar certo.

Perguntas frequentes

Quais são os três filmes de fantasia que fracassaram ao tentar virar franquia?
São Bússola de Ouro (2007), Caçadores de Sombras: Cidade dos Ossos (2013) e O Último Caçador (2014). Os três foram desenhados como ponto de partida para trilogias, mas nenhum emplacou sequência por problemas de bilheteria, críticas ou timing.
Por que Bússola de Ouro não virou trilogia nos cinemas?
Apesar de ter arrecadado cerca de US$ 370 milhões no mundo, apenas cerca de US$ 70 milhões vieram do mercado doméstico — número insuficiente para justificar a adaptação de A Faca Sutil e A Luneta Âmbar. A série His Dark Materials só ganhou versão à altura anos depois, como produção da HBO.
Caçadores de Sombras teve sequência cancelada?
Sim. A sequência já estava em desenvolvimento quando o primeiro filme teve desempenho fraco em 2013. A produção foi congelada e a saga acabou adaptada como série de TV (Shadowhunters, exibida pela Freeform), que se estendeu por múltiplas temporadas.
Por que O Último Caçador é considerado o que mais merece um reboot?
Porque é o único dos três que ainda não recebeu nova adaptação, o elenco original (Jeff Bridges, Julianne Moore, Ben Barnes, Alicia Vikander e Kit Harington) já amadureceu em outras produções, e os livros de Joseph Delaney têm um lado sombrio e folclórico que o filme de 2014 nunca chegou a explorar.
Qual o padrão por trás desses fracassos de franquia?
Os três apostaram na mesma lógica de estúdio — best-seller conhecido, elenco competitivo e efeitos caros — e tropeçaram em problemas diferentes: Bússola de Ouro amansou o material para ampliar público, Cidade dos Ossos tentou surfar a onda Crepúsculo já em declínio, e O Último Caçador perdeu a janela de lançamento por problemas de produção e distribuição.
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