Quatro livros de fantasia e romantasy chegam às prateleiras entre outubro e dezembro — ou, no caso de Wench, já estão nas livrarias desde julho — e a indústria já monitora cada um como potencial franquia audiovisual. A Court of Splintered Harmony fecha o ciclo Valkyrie de ACOTAR; The Wolves of War abre duologia eslava de John Gwynne; The Empire Burns at Dawn mistura As Mil e Uma Noites com romantasia; e Wench reconta Robin Hood com Marian no centro e worldbuilding comparado a O Senhor dos Anéis.
A Court of Splintered Harmony: o sexto ACOTAR e a esperança de finalmente ver a série na tela
Sarah J. Maas lança em 27 de outubro o sexto volume de A Court of Thorns and Roses (ACOTAR), seguido por A Court of Forgotten Melody em 12 de janeiro de 2027 — juntos formam o Ciclo das Valquírias. A série já teve desenvolvimento na Hulu que foi cancelado, mas o apetite do mercado por fantasia romântica adulta só cresceu desde então. A Apple fechou acordo pelo Cosmere de Brandon Sanderson este ano, sinalizando que grandes streamers estão dispostos a investir em universos extensos de fantasia. ACOTAR tem base de fãs massiva, romance central forte, sistema de magia visual (as Cortes, os Altos Senhores, o vínculo de parceiros) e arcos de múltiplos livros que funcionam bem em formato seriado. O obstáculo continua sendo a complexidade de direitos e o tom "spice" que exige plataforma sem restrições de classificação etária.
The Wolves of War: mitologia eslava e o histórico de Gwynne em worldbuilding imersivo
Chega em 3 de novembro o primeiro volume de uma duologia ambientada no mesmo mundo de The Bloodsworn Saga, inspirado em mitologia eslava — florestas escuras, rios gelados, magia esquecida e uma jovem cujo poder decide o destino de um reino. John Gwynne construiu reputação por batalhas viscerais, sistemas de magia com custo real e personagens moralmente cinzentos. Diferente de ACOTAR, aqui o romance não é o motor central; a fantasia épica tradicional fala mais alto. Para adaptação, o material oferece espetáculo visual (criaturas eslavas como domovoi, rusalka, baba yaga), cenários naturais que reduzem dependência de CGI puro e estrutura de duologia que cabe em duas temporadas ou um filme mais uma continuação. O risco: mitologia eslava ainda é nicho no mainstream ocidental, exigindo marketing educativo.
The Empire Burns at Dawn: As Mil e Uma Noites encontra romantasia com duas protagonistas
Previsto para 1º de dezembro, o livro de estreia de Fatima Al-Shemary abre a série The Ages of Alifan. A premissa: irmãs Adani, Dunya e Shayda, enviadas como noivas para sustentar a conspiração do pai contra um xá corrupto, enfrentam inimigos políticos, magia negra e um panteão de deuses antigos. A estrutura de duas protagonistas em missões paralelas que convergem é nativamente seriada — cada episódio pode alternar perspectivas. A estética inspirada no mundo islâmico medieval (arquitetura, vestuário, nomenclatura) preenche lacuna de representação que estúdios buscam ativamente pós-O Príncipe de Persimmon e Aladdin live-action. O romantasy aqui não é acessório; as relações das irmãs com seus noivos-forçados geram tensão romântica e política simultânea. Dificuldade: autora estreante sem IP pré-existente, o que exige aposta de estúdio em material não testado.
Wench: Robin Hood com Marian protagonista, fadas e worldbuilding nível Tolkien
Publicado em julho, o debut de Erynne Rivers já circula entre leitores com comparações diretas à densidade de O Senhor dos Anéis — mas centrado em Marian, não em Robin. A protagonista é descrita como falha, frustrada, nem sempre simpática, o que foge do arquétipo de "heroína forte perfeita" e atrai roteiristas em busca de complexidade. A adição do reino das fadas (fae) ao mito de Sherwood cria hibridização visual distinta: florestas reais + reinos etéreos, arquearia prática + magia caprichosa. Por já estar publicado, há recepção crítica e de público mensurável — dado que reduz risco de aquisição. O formato ideal seria filme único ou minissérie de 6-8 episódios, já que é romance standalone (por enquanto).
| Livro | Autor | Lançamento | Gênero dominante | Formato ideal | Maior trunfo | Principal risco |
|---|---|---|---|---|---|---|
| A Court of Splintered Harmony | Sarah J. Maas | 27 out 2025 | Romantasia / Fantasia romântica | Série longa (5+ temp.) | Fandom gigante + IP consolidado | Direitos complexos + tom adulto |
| The Wolves of War | John Gwynne | 3 nov 2025 | Fantasia épica / Sword & sorcery | Duas temporadas ou filme + seq. | Worldbuilding premiado + mitologia rara | Mitologia eslava pouco conhecida |
| The Empire Burns at Dawn | Fatima Al-Shemary | 1º dez 2025 | Romantasia / Fantasia inspirada no Oriente Médio | Série (múltiplas temporadas) | Duas protagonistas + estética sub-representada | Autora estreante, IP não testado |
| Wench | Erynne Rivers | Jul 2025 (já lançado) | Fantasia mítica / Retelling | Filme ou minissérie (6-8 eps) | Recepção real mensurável + protagonista complexa | Standalone — franquia incerta |
Vereditos: o melhor para cada perfil de espectador
- Quer a próxima Game of Thrones com romance central: A Court of Splintered Harmony / ACOTAR. Universo vasto, casas/Cortes em conflito, magia visual, casais shippáveis — mas exige plataforma disposta a classificação 18+ e negociação de direitos.
- Prefere fantasia épica "pura", batalhas sujas e mitologia fora do eixo nórdico/celta: The Wolves of War. Gwynne entrega sistemas de magia com preço, combate visceral e cenários que rendem fotografia de locação real. Ideal para Netflix ou Prime Video estilo The Witcher sem o romance como motor.
- Busca representação cultural nova + dinamismo de duas protagonistas: The Empire Burns at Dawn. Estrutura seriada nativa, estética islâmica medieval rica, tensão política e romântica entrelaçadas. Aposta alta, recompensa alta se acertar o casting das irmãs.
- Quer projeto de risco controlado, já testado pelo mercado, com protagonista feminina complexa: Wench. Livro na praça, recepção conhecida, mito universal (Robin Hood) + twist (Marian + fae). Cabe em orçamento de filme médio ou minissérie de prestígio.
O que falta para a indústria apertar o gatilho
Nenhum dos quatro tem anúncio oficial de adaptação — o texto original é uma "lista de desejos" da redação, não reportagem de negócios fechados. O que move a agulha em 2025: dados de pré-venda e recepção nas primeiras semanas (especialmente para Al-Shemary e Gwynne), buzz no BookTok/BookTube Brasil (onde ACOTAR já é gigante e Fourth Wing provou que romantasia vira fenômeno cross-media), e a disposição de streamers em assumir fantasias adultas pós-sucesso de House of the Dragon e The Witcher. Para o leitor brasileiro, a dica prática: acompanhe as editoras nacionais (Galera Record, Morro Branco, Intrínseca, Globo Livros) — anúncio de aquisição de direitos de tradução costuma anteceder ou acompanhar negociação de audiovisual. E mantenha Wench no radar: por já estar disponível, é o único que você pode ler hoje e julgar se a comparação com Tolkien se sustenta.


