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Adam Wingard vs a orquestra em Godzilla: o que isso revela

· · 5 min de leitura
Um produtor de cinema segurando halteres ao ritmo de partituras orquestrais espalhadas no estúdio
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TL;DR: Adam Wingard admitiu que a maior dificuldade ao dirigir godzilla vs. kong e Godzilla x Kong: The New Empire foi conciliar sua preferência por trilhas eletrônicas com a exigência das produtoras por partituras orquestrais tradicionais.

Fato: Adam Wingard revela a maior dificuldade nos filmes de Godzilla

Em entrevista exclusiva concedida ao Slash Film, o diretor norte‑americano Adam Wingard – conhecido por trabalhos como You're Next e The Guest – detalhou o ponto mais tenso da produção de seus dois últimos blockbusters da franquia Godzilla. Segundo Wingard, a batalha não foi contra monstros gigantes, mas contra a própria expectativa das grandes gravadoras quanto ao estilo musical das obras.

“O mais difícil de fazer filmes de Godzilla foi lidar com a pressão para usar uma trilha sonora grandiosa, orquestral, como se fosse o padrão de qualquer blockbuster”, declarou o diretor. “Eu sempre preferi sons eletrônicos, sintetizadores que remetem a John Carpenter. No fim, tivemos componentes eletrônicos, mas nada que realmente representasse o que eu queria.”

Os dois filmes – Godzilla vs. Kong (2021) e Godzilla x Kong: The New Empire (2024) – contaram com a participação do compositor holandês Tom Holkenborg, mais conhecido como Junkie XL, e, no segundo longa, com Antonio Di Iorio ao lado.

Contexto: por que isso importa para o público brasileiro

O debate sobre trilhas sonoras em blockbusters não é novidade, mas ganha relevância quando se trata de franquias de culto como Godzilla, que tem uma base de fãs extremamente apaixonada no Brasil. Desde o clássico Godzilla, o Rei dos Monstros (1954) até as recentes versões de Hollywood, a música sempre foi parte da identidade da criatura – seja o icônico tema de Akira Ifukube ou arranjos mais modernos.

Para o público brasileiro, que costuma consumir tanto as versões originais japonesas quanto as adaptações ocidentais, a escolha da trilha pode influenciar a percepção de autenticidade. Além disso, a indústria de cinema nacional tem observado um aumento nas colaborações entre compositores de música eletrônica e diretores de ação, como vemos em O Doutrinador e Marighella. O caso de Wingard evidencia um ponto de tensão entre tradição e inovação que pode servir de referência para futuros projetos locais.

Do ponto de vista técnico, a preferência por sintetizadores traz vantagens: menor custo de produção, maior flexibilidade para criar atmosferas distintas e a possibilidade de integrar sons “die‑getic” (sons que os personagens também ouvem) nas cenas de batalha. Por outro lado, a orquestra tradicional oferece a grandiosidade esperada por um público que associa monstros gigantes a épicos orquestrados.

  • Identidade sonora: fãs associam temas recorrentes a emoções específicas; mudar isso pode gerar resistência.
  • Custo de produção: orquestras ao vivo aumentam o orçamento, algo que impacta diretamente o retorno financeiro.
  • Influência cultural: a música pode reforçar ou subverter a nostalgia que sustenta a popularidade da franquia.

Reação dos fãs e do mercado

Nas redes sociais brasileiras, a revelação de Wingard gerou discussões acaloradas. Em grupos de Facebook dedicados a Godzilla, usuários dividiram opiniões entre quem lamentou a falta de uma trilha mais “clássica” e quem elogiou a ousadia de incluir elementos eletrônicos. Comentários no Twitter apontaram que a mistura de synths e orquestra “pode ser o futuro” das produções de monstros.

Do ponto de vista do mercado, a estratégia de Warner Bros. de manter a fórmula orquestral parece ter sido bem‑sucedida financeiramente: Godzilla vs. Kong arrecadou cerca de US$ 470 mi e The New Empire ultrapassou US$ 570 mi. Contudo, críticos de cinema apontam que a “segurança” sonora pode ter limitado a originalidade das sequências de ação, algo que, segundo eles, poderia ter elevado ainda mais a experiência do espectador.

Especialistas em trilha sonora de cinema comentam que a tendência global está mudando. Com o sucesso de séries como Stranger Things, que popularizou sintetizadores nostálgicos, há espaço para que futuros blockbusters adotem sonoridades híbridas. No Brasil, a aceitação de trilhas eletrônicas em produções como O Menino e o Mundo (trilha de Gustavo Kurlat) indica que o público está aberto a experimentações.

O que esperar dos próximos projetos de Godzilla

Com a saída de Wingard da franquia (ele está focado agora em Onslaught, um filme de orçamento menor que lhe permite maior liberdade criativa), surge a pergunta: quem assumirá a direção e como a questão da música será tratada?

Alguns indícios apontam para um retorno ao estilo orquestral, já que os números de bilheteria ainda favorecem a fórmula tradicional. No entanto, a crescente demanda por sonoridades diferenciadas pode levar os estúdios a experimentar mais, talvez contratando compositores de EDM ou de trilhas de videogames – áreas que têm forte apelo no público geek brasileiro.

Além disso, a própria Warner Bros. está investindo em plataformas de streaming, onde a liberdade criativa costuma ser maior. Se futuros filmes de Godzilla forem lançados diretamente nesses serviços, a pressão por trilhas orquestrais pode diminuir, permitindo que diretores como Wingard – ou novos talentos – explorem mais a estética synth‑heavy.

  1. Possível contratação de compositores de música eletrônica reconhecidos internacionalmente.
  2. Integração de trilhas híbridas (orquestra + synth) para equilibrar tradição e inovação.
  3. Maior participação de produtores brasileiros em co‑produções, trazendo influências locais.

O que falta saber

Embora a entrevista tenha esclarecido a frustração de Wingard com as limitações criativas, ainda há pontos que permanecem incertos. Não sabemos ainda se a Warner Bros. pretende mudar sua política de trilha sonora para os próximos lançamentos da franquia, nem quais compositores serão convidados. Também não há informações oficiais sobre possíveis spin‑offs que poderiam experimentar sonoridades mais ousadas.

Para os fãs brasileiros, o que realmente importa é acompanhar as próximas decisões de produção, pois elas definirão se a icônica criatura continuará a soar como um trovão de metais ou se ganhará um novo ritmo, mais próximo das batidas de um clube underground. Enquanto isso, a comunidade geek deve ficar atenta às pistas que surgirem em trailers, entrevistas e, claro, nas próprias faixas de áudio que serão lançadas nas plataformas de streaming.

Perguntas frequentes

Por que Adam Wingard não pôde usar mais sintetizadores nos filmes de Godzilla?
Ele afirmou que as produtoras exigiam uma trilha sonora orquestral tradicional, considerada padrão para blockbusters, o que limitou sua preferência por sons eletrônicos.
Qual compositor trabalhou nas trilhas de Godzilla vs. Kong e The New Empire?
Tom Holkenborg, conhecido como Junkie XL, compôs as duas trilhas e foi acompanhado por Antonio Di Iorio em The New Empire.
Os fãs brasileiros aceitam trilhas eletrônicas em filmes de monstros?
A reação tem sido mista, mas há uma crescente abertura, especialmente após o sucesso de séries como Stranger Things e trilhas de produções nacionais que usam synths.
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