TL;DR: A exposição Art of manga está aberta no Brooklyn Museum de 3 de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027, apresentando 658 obras idênticas à versão de San Francisco, porém com alterações de curadoria, layout e algumas peças inéditas.
Brooklyn Museum: como a exposição foi adaptada ao espaço histórico
A curadora Joan Cummins descreve o desafio de encaixar a mostra em uma sala de circa 1900, repleta de colunas imponentes e duas alturas diferentes. O resultado, segundo Nicole Coolidge Rousmaniere, é um formato mais imersivo, onde cada artista tem seu próprio “respiro” visual. A disposição das obras foi pensada para evitar conflitos editoriais – os curadores foram informados pelos próprios editores que “não se pode colocar artistas rivais lado a lado”. Como solução, alternaram obras de homens e mulheres, criando um fluxo que respeita essas rivalidades implícitas.
Além da coleção principal, o Brooklyn Museum adicionou um corredor “Manga Before Manga”, exibindo ukiyo‑e, emaki e outras artes pré‑moderna que antecedem o mangá. Essa seção contextualiza a evolução dos balões de fala e dos traços cômicos, ligando Kawanabe Kyosai a Fujio Akatsuka, por exemplo. Outra novidade é a inclusão de páginas inéditas do curta Hundred Year Lineage de Jiro Taniguchi, ainda não traduzidas para o inglês, que trazem um toque emocional ao passeio.
Quanto à experiência do visitante, a política de fotografia mudou: fotos são permitidas apenas à distância, e gravações de vídeo são proibidas dentro da exposição principal. O museu também incentiva cosplay ao longo da mostra, embora não organize dias específicos como fez o de Young.
de Young Museum: a versão original da costa oeste
O de Young Museum, em San Francisco, foi o berço da exposição no ano passado. Lá, a curadoria também contou com 658 obras, mas o espaço permitiu um layout mais linear, sem a necessidade de lidar com colunas ou diferenças de altura. Uma das grandes atrações era a sala “ONLY ONE PIECE”, que apresentava uma prensa tipográfica em tamanho real, demonstrando o processo de impressão dos mangás. Essa experiência tátil foi substituída em Brooklyn por uma instalação de vídeo que explica o mesmo procedimento.
Na versão de San Francisco, a equipe enfrentou o desafio de reunir artistas e editoras, negociando direitos e logística. O “hard part” citado por Cummins foi, portanto, a negociação com as editoras, enquanto em Brooklyn o “hard part” foi simplesmente pendurar as 658 peças na ordem correta.
O de Young também oferecia eventos de cosplay dedicados, criando pontos de encontro para fãs que desejavam se vestir como seus personagens favoritos. Essa prática ainda não foi institucionalizada no Brooklyn Museum, embora a equipe encoraje a prática espontânea.
Comparativo rápido
| Aspecto | Brooklyn Museum | de Young Museum |
|---|---|---|
| Localização | Nova‑York, sala de 1900 com colunas e duas alturas | San Francisco, espaço mais aberto e uniforme |
| Curadoria | Alternância de gêneros, foco em imersão, “Manga Before Manga” | Layout linear, destaque para sala temática ONE PIECE |
| Peças exclusivas | Páginas inéditas de Taniguchi, corredor histórico | Prensa tipográfica em tamanho real |
| Política de foto/vídeo | Fotos à distância, vídeo proibido | Regulamentação menos restrita |
| Cosplay | Encorajado, sem dias oficiais | Eventos de Cosplay Days organizados |
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Se você é um purista do mangá que busca entender a história da forma, o corredor “Manga Before Manga” do Brooklyn Museum oferece um contexto visual que a versão de San Francisco não tem. Já o entusiasta de processos de produção vai preferir a sala ONE PIECE do de Young, onde a prensa real permite uma conexão tátil com a indústria.
Para quem adora cosplay e eventos sociais, a programação de San Francisco ainda tem a vantagem dos dias dedicados, facilitando encontros de fãs. Por outro lado, quem valoriza ambientes menos lotados e curadoria mais cuidadosa encontrará em Brooklyn um espaço que respira, com obras espaçadas e um ritmo de visita mais contemplativo.
Em termos de novidades, a inclusão de Taniguchi em Brooklyn pode ser decisiva para quem acompanha autores menos mainstream. Se a sua motivação é reviver a experiência da exposição original, o de Young ainda mantém a essência com sua montagem original.
Onde isso pode dar
O sucesso da adaptação de Art of Manga ao Brooklyn Museum indica que museus fora do eixo tradicional de arte ocidental podem abraçar a cultura pop japonesa sem perder credibilidade. Essa tendência pode abrir portas para futuras mostras de anime, videogames e cultura otaku em instituições que ainda veem esses temas como nicho.
Além disso, a estratégia de inserir um “pré‑exhibit” histórico cria um modelo educacional que pode ser replicado: ao mostrar a genealogia visual dos quadrinhos, os curadores ajudam o público a perceber o mangá como parte de um legado artístico maior, desfazendo preconceitos ainda presentes entre alguns membros de conselhos de museus.
Se a curadoria de Brooklyn continuar a evoluir, poderemos ver exposições ainda mais interativas, talvez com realidade aumentada que permita ao visitante “animar” as páginas estáticas. O caminho está aberto, e o próximo passo será integrar tecnologia sem sacrificar a reverência ao papel e ao traço que definem o mangá.
Para ficar no radar
- Data de encerramento: 31 de janeiro de 2027.
- ingressos podem ser adquiridos online ou na bilheteria do Brooklyn Museum.
- Visite o corredor “Manga Before Manga” antes de entrar na exposição principal para entender a evolução visual.
- Leve seu celular para registrar fotos à distância, mas respeite a proibição de vídeo.
- Considere combinar a visita com um tour guiado para aprofundar as histórias dos artistas apresentados.


