Footage de um protótipo de Assassin's Creed Destiny apareceu online, revelando que a Ubisoft havia planejado um título ambientado na Dinastia Qin antes de ser cancelado. O vazamento mostra uma assassina feminina enfrentando o senhor da guerra Xiang Yu em um palácio sagrado, confirmando a direção narrativa que o projeto tomaria.
O que era Assassin's Creed Destiny?
Assassin's Creed Destiny era o nome de trabalho de um jogo da Ubisoft que pretendia levar a franquia para a China antiga, especificamente para o período da Dinastia Qin, em 206 a.C. Diferente de Assassin's Creed Jade – um título mobile que ainda está em desenvolvimento – Destiny teria sido desenvolvido para PC e consoles, com foco em uma experiência de mundo aberto e mecânicas típicas da série, como parkour, assassinatos silenciosos e artefatos misteriosos.
Por que a Ubisoft decidiu cancelar o projeto?
Segundo relatos da Reuters, a decisão veio após a Tencent, acionista majoritária da TiMi Studio Group – estúdio responsável pelo desenvolvimento – mudar sua estratégia. A empresa passou a priorizar projetos internos de grande orçamento, reduzindo a dependência de franquias ocidentais que exigem royalties elevados. Essa mudança de foco fez com que Destiny fosse considerado um risco financeiro desnecessário, levando a Ubisoft a encerrar o desenvolvimento.
Quais seriam os diferenciais de um AC ambientado na Dinastia Qin?
Um cenário na Dinastia Qin traria inúmeras oportunidades únicas para a série:
- Arquitetura e paisagens: cidades muradas, palácios imperiais e as primeiras seções da Grande Muralha.
- Conflitos históricos: a luta entre o futuro imperador Qin Shi Huang e líderes rebeldes como Xiang Yu.
- Armas e técnicas de combate: introdução de armas de bronze, técnicas de kung fu e estratégias militares da época.
- Elementos culturais: rituais de adoração, filosofia legalista e mitologia chinesa, oferecendo novos tipos de artefatos.
Esses elementos teriam ampliado o leque de ambientações da franquia, que já explorou a Renascença italiana, a Revolução Francesa e o Egito antigo.
Como o cancelamento afeta a estratégia da Tencent e da Ubisoft?
Para a Tencent, o corte de Destiny alinha-se com a meta de reduzir custos de licenciamento e focar em propriedades próprias, como os jogos da série "Honor of Kings". Contudo, ao abandonar um título de alta visibilidade como Assassin's Creed, a empresa perde a chance de ganhar penetração no mercado ocidental de consoles, um segmento ainda pouco explorado por desenvolvedores chineses.
Já a Ubisoft, ao perder um projeto que poderia diversificar seu portfólio, volta a depender de lançamentos em regiões já consolidadas (Europa, América do Norte). O cancelamento também gera dúvidas sobre a disposição da Ubisoft em investir em histórias não‑ocidentais, algo que poderia revitalizar a série depois de críticas de repetitividade nos últimos lançamentos.
Vale a pena que a Ubisoft volte a investir em um jogo de AC na China?
Argumentos a favor:
- Mercado em expansão: a China representa mais de 25% da receita global de games, e um título AAA local poderia capturar esse público.
- Originalidade narrativa: explorar a Dinastia Qin abriria espaço para novas mecânicas e histórias que ainda não foram contadas.
- Parcerias estratégicas: uma colaboração renovada com estúdios chineses poderia criar sinergias tecnológicas e de marketing.
Argumentos contra:
- Risco de censura: o governo chinês impõe restrições severas a representações históricas sensíveis, o que pode limitar a liberdade criativa.
- Custo elevado: desenvolver um AAA para múltiplas plataformas exige investimentos de bilhões, sem garantia de retorno.
- Concorrência interna: a Tencent já possui franquias próprias que competem por atenção do mesmo público.
Portanto, o retorno depende de como a Ubisoft equilibrará criatividade, custos e as exigências regulatórias chinesas.
Onde isso pode dar
O cancelamento de Destiny pode ser visto como um sinal de que as grandes produtoras ocidentais ainda não encontraram um modelo sustentável para produzir jogos AAA na China. Se a Ubisoft decidir retomar o projeto, terá que renegociar termos de royalties, adaptar a narrativa para atender à censura e garantir que o investimento seja amortizado por vendas globais, não apenas chinesas. Por outro lado, o vazamento do protótipo reacendeu o interesse da comunidade, o que pode pressionar a Ubisoft a reconsiderar sua estratégia – talvez lançando um spin‑off menor, ou incorporando a ambientação Qin em futuros DLCs de um título já existente.
Enquanto isso, os fãs ainda têm a opção de revisitar Assassin's Creed Chronicles: China, um spin‑off 2.5D que, embora ambientado na dinastia Ming, demonstra que a franquia tem capacidade de adaptar-se a contextos asiáticos. Se a Ubisoft aprender com os erros de Destiny, o próximo passo pode ser um título mais enxuto, mas ainda ambicioso, que combine a profundidade histórica da China antiga com a jogabilidade fluida que a série sempre ofereceu.


