BanG Dream! YUME∞MITA chega ao Crunchyroll com uma estreia tripla que promete reinventar a fórmula da série, mas entrega uma experiência que oscila entre o frenético e o descompassado.
O que aconteceu
A nova temporada introduz Arale Nakamichi, ex-membro de um grupo que foi cancelado após um vídeo comprometedor vazado. Ela entra na banda virtual Mewtype ao lado de Nonoka Miyanaga, Miyako Fuji e Yuno Sengoku. O arco inicial gira em torno da tentativa de Arale de voltar a cantar, enquanto a trama revela Viola, a ex-companheira de Arale, como a verdadeira antagonista que manipula Ritsu Minetsuki, amiga de infância de Arale.
O anime se destaca pela estética vibrante: cores neon, animações de personagens flutuando e sequências de livestream que simulam a cultura das redes sociais. O primeiro episódio lança um choque de personalidade ao mostrar Arale em um momento de oversharing, seguido imediatamente por um ataque de Viola que transforma a narrativa em um thriller de abuso psicológico.
Como chegamos aqui
Desde a reformulação da franquia com It’s MyGO!!!!! em 2023, BanG Dream! tem buscado reinventar seu DNA, apostando em reviravoltas inesperadas e personagens mais complexos. O roteiro de Midori Gotō, que já colaborou desde a segunda temporada, assume agora o protagonismo, trazendo um tom mais ácido e contemporâneo. A direção de Tomomi Umetsu garante sequências de ação visualmente impactantes, mas o ritmo da história sofre com a tentativa de conciliar momentos de slapstick com drama pesado.
Um ponto de virada importante foi a decisão de ambientar a maior parte da série em um mundo virtual, refletindo a obsessão atual por fama online. Isso permite que o enredo explore o cancelamento digital, a manipulação de narrativas nas redes e a dependência de chatbots, como exemplificado por Yuno, que responde a mensagens com assistentes de IA. Esses elementos dão à série um frescor temático, porém, por vezes, parecem forçados, como se fossem inserções para marcar presença nas discussões da internet.
Os personagens secundários recebem arcos que, embora interessantes, carecem de desenvolvimento suficiente. Nonoka funciona como o otimismo incansável, enquanto Miyako evolui de uma personalidade retraída para uma figura que aceita seu lado “cringe”. Ritsu, por sua vez, é apresentada como vítima de abuso, mas rapidamente se transforma em alívio cômico, o que dilui o impacto emocional da sua trajetória.
O que vem depois
O desfecho da sétima temporada traz o primeiro concerto completo da banda, mas o número de músicas ao longo da série permanece escasso, deixando uma sensação de que o potencial musical não foi plenamente explorado. A última batalha contra Viola encerra sua trama com um tom de redenção parcial, mas deixa pontas soltas que podem abrir caminho para novas temporadas ou spin‑offs.
Do ponto de vista técnico, a animação recebe nota A, com destaque para as sequências de cores e efeitos de luz. A trilha sonora, embora boa, não tem a mesma presença marcante das temporadas anteriores, e a falta de canções recorrentes enfraquece o vínculo emocional com o público.
Em suma, BanG Dream! YUME∞MITA oferece um experimento audacioso que mistura crítica social e energia pop, mas ainda não encontrou o equilíbrio ideal entre humor, drama e música. Os fãs da franquia vão encontrar motivos para celebrar, enquanto os novatos podem se sentir perdidos diante das mudanças bruscas de tom.
Vale a pena?
Se você acompanha BanG Dream! há tempos, YUME∞MITA traz novidades suficientes para justificar mais alguns episódios: vilão de verdade, reflexões sobre cancelamento digital e uma estética que brilha nos momentos de alta energia. Contudo, se o seu critério principal é uma narrativa musical fluida e coesa, talvez esta temporada não atenda às expectativas.
- Pontos positivos: Animação de alto nível, abordagem contemporânea de fama online, introdução de um antagonista sólido.
- Pontos negativos: Ritmo irregular, escassez de músicas, transições bruscas entre comédia e drama.
Para quem busca uma experiência que mistura crítica social com a cultura pop dos animes de bandas, YUME∞MITA vale a pena assistir, mas com a consciência de que ainda há muito a refinar.


