Sabia que o remake de Bedazzled (2000) tem apenas 50% de aprovação no Rotten Tomatoes, enquanto o original de 1967 chega a 74%? Mesmo assim, a versão de 2000 ainda arranca risadas graças ao carisma de Brendan Fraser e à presença magnética de Elizabeth Hurley.
TL;DR: Bedazzled (2000) destaca Brendan Fraser como seu papel mais engraçado, graças a mudanças de elenco e a um humor que ainda resiste ao tempo.
Original 1967: a base britânica
O Bedazzled de 1967, dirigido por Stanley Donen, traz Peter Cook como o Diabo e Dudley Moore como o infeliz trabalhador que faz um pacto para conseguir sete desejos. O humor era tipicamente britânico, sarcástico e carregado de trocadilhos de época. A química entre os dois protagonistas era o ponto alto, mas a trama permanecia simples: desejos que dão errado.
Apesar de ser cult, o filme nunca saiu dos círculos de comédia alternativa, e sua recepção crítica foi morna – ainda assim, conquistou um público fiel que apreciava o humor seco e a crítica social velada.
Remake 2000: a versão americana
Quando Harold Ramis decidiu refazer Bedazzled, ele trouxe duas grandes mudanças: o protagonista passa a ser um programador de TI (interpretado por Brendan Fraser) e o Diabo ganha corpo feminino, encarnado por Elizabeth Hurley. Essa troca de gênero deu ao filme um tom mais sensual e abriu espaço para piadas de dupla camada – tanto visuais quanto verbais.
Fraser entrega uma performance física que lembra suas melhores cenas em George of the Jungle e Encino Man. Cada desejo frustrado é acompanhado por uma interpretação corporal exagerada: choro descontrolado, sudorese exagerada e até um espanhol improvisado que rende gargalhadas espontâneas.
Já Hurley, com seu charme clássico, transforma o Diabo em um personagem icônico da própria carreira, usando figurinos memoráveis e um timing cômico afiado. A dinâmica entre os dois cria um contraste que o original nunca teve – o “bad boy” britânico contra a “bad girl” americana.
O filme ainda inclui um desejo absurdo: ser presidente dos EUA, que o transforma brevemente em Abraham Lincoln antes de ser assassinado por John Wilkes Booth. Essa cena, embora curta, demonstra a ousadia de Ramis em brincar com a história sem medo de parecer bizarro.
Comparativo rápido
| Aspecto | Original 1967 | Remake 2000 |
|---|---|---|
| Diretor | Stanley Donen | Harold Ramis |
| Protagonista masculino | Dudley Moore | Brendan Fraser |
| Diabo | Peter Cook (masculino) | Elizabeth Hurley (feminino) |
| Tom de humor | Seco, britânico, satírico | Ágil, físico, com pitadas de romance |
| Recepção crítica | 74% Rotten Tomatoes | 50% Rotten Tomatoes |
| Momento icônico | Diálogo rápido entre desejos | Fraser falando espanhol sem saber |
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Se você curte humor britânico refinado e não se importa com uma produção mais discreta, o clássico de 1967 ainda vale a pena. Mas se a sua vibe é “assistir algo que faça você rir alto no sofá”, o remake de 2000 entrega exatamente isso.
- Para fãs de Brendan Fraser: o remake é obrigatório. É a prova de que ele ainda tem sangue de comediante.
- Para quem adora performances femininas marcantes: Elizabeth Hurley rouba a cena como o Diabo sedutor.
- Para apreciadores de humor físico: Fraser transforma cada desejo em um número de slapstick digno de um show de circo.
- Para puristas de cinema clássico: o original mantém a sutileza que o remake perde em troca de explosões de risada.
Em resumo, não há resposta única. A escolha depende do que você valoriza: a elegância do humor britânico ou a energia desbocada da comédia americana dos anos 2000.
Para ficar no radar
Embora Bedazzled (2000) não tenha sido aclamado pela crítica, ele permanece como um ponto de referência na filmografia de Fraser, mostrando que o ator ainda sabe como dominar a comédia física. Se ainda não deu play, vale a pena colocar na fila de maratonas de filmes “underrated”. E, claro, sempre que precisar de uma desculpa para praticar espanhol improvisado, lembre‑se do desejo que deu errado.


