O estúdio Bit Reactor começou a reverter as licenças não remuneradas impostas no mês passado e já recontratou mais da metade dos funcionários afastados durante o desenvolvimento de star wars zero company, jogo tático ambientado no universo da franquia.
O que aconteceu
Nesta semana, o CEO Greg Foertsch anunciou pelo Bluesky que o estúdio iniciou o processo de trazer a equipe de volta ao trabalho ativo. A informação foi confirmada pelo site Game File, que apurou junto a fontes internas que o número de profissionais retornando supera a metade do quadro anterior às suspensões. Embora seja um sinal positivo, isso ainda significa que uma parcela dos desenvolvedores continua sem previsão de retorno.
Como chegamos aqui
No mês passado, o Game File noticiou — e a empresa confirmou — que a Bit Reactor havia colocado mais de 80% de seus funcionários em furlough, termo em inglês para licença temporária sem salário, mantendo apenas uma equipe esquelética. A medida ocorreu às vésperas do lançamento de Star Wars Zero Company, título tático publicado pela Electronic Arts (EA).
Diferente de demissões definitivas, o furlough mantém o vínculo empregatício, mas suspende pagamento e benefícios. Nos Estados Unidos, o Departamento do Trabalho não exige que empresas divulguem números exatos enquanto não houver desligamento permanente, o que torna o cenário menos transparente para o mercado e para os próprios trabalhadores.
O jogo, que mistura estratégia por turnos com narrativa no estilo xcom, vinha sendo desenvolvido há anos sob certa discrição. O lançamento bem-sucedido — segundo relatos de mercado — reacendeu a expectativa de que o estúdio pudesse recompor o quadro, mas até agora não há confirmação se os profissionais que retornam (ou os que ainda aguardam) terão direito a participação nos lucros (profit sharing) decorrentes das vendas. Um ex-funcionário levantou a questão publicamente no LinkedIn, sem resposta oficial até o momento.
O que vem depois
- Bit Reactor não divulgou cronograma para recontratação total nem metas de quadro funcional.
- A EA, como publicadora, não se pronunciou sobre suporte pós-lançamento ou expansões que justifiquem a manutenção de equipe maior.
- Questões trabalhistas — como pagamento retroativo, benefícios e participação nos lucros — seguem em aberto.
- O mercado observa se outros estúdios que adotaram furloughs semelhantes seguirão o mesmo caminho de reversão parcial.
Para ficar no radar
O retorno gradual da equipe da Bit Reactor é um termômetro importante para a indústria: mostra que lançamentos bem-sucedidos podem reverter medidas de emergência, mas também expõe a fragilidade de contratos baseados em furloughs, onde a linha entre "pausa" e "fim" costuma ser definida apenas pelo caixa do estúdio. Acompanharemos se a recomposição do time se traduz em conteúdo novo para Star Wars Zero Company ou se o ciclo de desenvolvimento se encerra por aqui.


