O jogo “build the wall”, paródia de tetris criada para a página da Casa Branca, foi removido após a Tetris Company alertar que tomaria medidas por violação de direitos autorais.
O que aconteceu
Em setembro de 2026, a seção de arcade do site oficial da Casa Branca deixou de exibir o jogo “Build the Wall”. O título, que simulava a construção de uma barreira ao estilo Tetris ao longo da fronteira sul dos EUA, foi substituído por uma mensagem de erro 404. A mudança ocorreu poucos dias depois de a Tetris Company divulgar um comunicado afirmando que não participou da criação do jogo e que “levamos a violação de direitos autorais muito a sério”.
O comunicado da empresa também destacou seu compromisso com a “conexão entre as pessoas”, contrastando com a mensagem política do jogo, que buscava reforçar a retórica de construção de muro defendida pelo ex‑presidente Donald Trump. A retirada foi confirmada por veículos como This Week in Videogames, que monitorou a alteração no site.
Como chegamos aqui
O arcade da Casa Brança, criado durante a administração Trump, reunia versões paródicas de jogos populares, todas com temática política. Entre os títulos disponíveis estavam:
- flappy bill – versão do Flappy Bird com uma águia calva voando sobre símbolos nacionais;
- rio run – corrida de personagens que faz referência ao Rio de Janeiro como ponto de fuga;
- supply line – estratégia de logística que satirizava a política de suprimentos da administração;
- trump savings tycoon – simulador de gestão financeira que exaltava a narrativa de “economia forte”.
“Build the Wall” foi adicionado como o quinto jogo, apresentando blocos que, ao serem encaixados, formavam uma muralha ao longo de um mapa estilizado da fronteira sul. O objetivo era “impedir a invasão de zumbis”, uma metáfora visual para a retórica de segurança de fronteira. O jogo recebeu críticas imediatas de ativistas e de comunidades de jogadores, que o acusaram de propaganda política e de apropriação indevida da mecânica de Tetris.
A Tetris Company, detentora dos direitos autorais da icônica mecânica de blocos, inicialmente não havia sido consultada. Em resposta ao aumento de reclamações, a empresa publicou nas redes sociais que não havia autorizado o uso de sua propriedade intelectual e que avaliaria possíveis ações legais. A declaração incluiu um apelo aos fãs: “Agradecemos a vocês, nossa comunidade, e reforçamos que nossa missão é unir, não dividir”.
O que vem depois
A remoção de “Build the Wall” pode ter consequências de curto e longo prazo. No curto prazo, a Casa Branca ainda mantém os demais jogos paródicos, o que indica que a decisão foi pontual e focada na violação de copyright, não em censura política geral. No entanto, a presença contínua de títulos como Flappy Bill demonstra que a estratégia de usar jogos como veículo de mensagem ainda persiste.
Do ponto de vista legal, a Tetris Company ainda não anunciou se abrirá processo judicial contra a administração ou contra desenvolvedores terceirizados. Caso decida avançar, o caso poderá estabelecer precedentes sobre o uso não autorizado de mecânicas de jogos em contextos governamentais.
Para a comunidade gamer, a situação levanta dúvidas sobre a proteção de propriedades intelectuais em projetos de caráter político. Organizações de direitos autorais podem intensificar a vigilância sobre usos não licenciados, especialmente quando o conteúdo se torna parte de campanhas oficiais.
Além disso, observadores políticos apontam que a retirada pode ser um indicativo de que futuras administrações poderão rever a estratégia de “gamificação” de mensagens oficiais, evitando potenciais embates legais.
Para ficar no radar
Embora “Build the Wall” tenha sido eliminado, o arcade da Casa Branca continua ativo. Usuários ainda podem acessar:
- Flappy Bill – a versão americana do clássico Flappy Bird;
- Rio Run – corrida temática;
- Supply Line – jogo de estratégia logística;
- Trump Savings Tycoon – simulador econômico.
É provável que novos jogos sejam lançados, já que a página ainda exibe um placeholder anunciando um “mystery game” em desenvolvimento. A comunidade deve monitorar atualizações oficiais e possíveis declarações da Tetris Company, que pode ampliar sua atuação contra outras possíveis infrações.
Em resumo, a retirada de “Build the Wall” demonstra a eficácia de uma resposta rápida de detentores de direitos autorais e sinaliza que a interseção entre política e videogame continuará a gerar controvérsias, especialmente quando envolve propriedades intelectuais reconhecidas mundialmente.


