TL;DR: "By Any Means" mistura a violência emotiva de John Woo, a tensão de Quentin Tarantino e a psicologia criminal de Martin Scorsese, resultando num thriller que honra a história real de Vernon Dahmer enquanto entrega ação de cinema de ação.
John Woo: ação balística e emoção?
Quando Elegance Bratton fala que leu o script e pensou imediatamente em John Woo, ele está apontando para a assinatura do diretor de Hong Kong: tiroteios coreografados que são quase balé. Woo costuma transformar cada disparo em um momento de sentimento puro, como se a bala fosse uma extensão da raiva ou do amor dos personagens. Em "By Any Means", isso aparece nas sequências de perseguição pelas estradas de Mississippi, onde o carro do agente da FBI se torna uma extensão da sua própria frustração contra o racismo institucional.
Algumas marcas típicas de Woo que aparecem no filme:
- Slow‑motion nos momentos críticos – a câmera pausa enquanto a bala cruza o ar, dando tempo ao espectador de sentir o peso da violência.
- Duplas de armas – o agente e o informante carregam pistolas diferentes, mas ambas são usadas em coreografias espelhadas.
- Relações de camaradagem que surgem no fogo cruzado – a amizade nasce no caos, exatamente como nos clássicos de "Hard Boiled".
Se você curte cenas que parecem ter sido tiradas de um videogame de tiro em terceira pessoa, a pegada Woo em "By Any Means" vai te deixar satisfeito.
Quentin Tarantino: tensão e diálogos explosivos
Tarantino é mestre em transformar diálogos em armas. Ele mistura humor negro, referências pop e um ritmo que acelera até o clímax. Bratton citou o diretor ao falar sobre “tensão e volatilidade”. No filme, isso se traduz em longas cenas de confronto verbal entre o agente da FBI (Yahya Abdul‑Mateen II) e o informante mafioso (Mark Wahlberg), onde cada frase pode ser um gatilho para a ação.
Elementos tarantinescos presentes:
- trilha sonora eclética – músicas de soul dos anos 60 que contrastam com a violência brutal.
- Montagens de “ponto de vista” – a câmera foca nos olhos dos personagens antes de um tiro, criando suspense à la "Reservoir Dogs".
- Humor ácido – trocadilhos sobre a Lei dos Direitos Civis que surgem no meio de tiroteios, aliviando a tensão sem perder a seriedade.
Para quem adora um bom duelo verbal antes da explosão, a influência de Tarantino dá o tempero certo.
Martin Scorsese: psicologia criminal e ritmo
Scorsese costuma mergulhar na mente dos anti‑heróis, mostrando suas motivações e dilemas internos. Bratton mencionou o diretor ao falar de “psicologia criminal”. Em "By Any Means", isso aparece nos momentos de introspecção do agente Strider, que luta contra o racismo institucional enquanto tenta manter sua própria moralidade.
Marcas scorsesescas no filme:
- Narrativa não‑linear – flashbacks da vida de Vernon Dahmer que se entrelaçam com a investigação atual.
- close‑ups intensos – o rosto de Wahlberg em close, revelando a luta interna entre lealdade e sobrevivência.
- Ritmo acelerado – cortes rápidos que aumentam a sensação de urgência, lembrando "Goodfellas".
Se o seu gosto está mais na construção de personagens complexos do que em explosões, a pegada Scorsese é o que mais vai te fisgar.
Comparativo rápido
| Aspecto | John Woo | Quentin Tarantino | Martin Scorsese |
|---|---|---|---|
| Violência | Estilizada, balé de balas | Violência crua, com humor negro | Violência realista, como consequência psicológica |
| Diálogo | Escasso, foco visual | Diálogos extensos, cheios de referências | Diálogo funcional, revela caráter |
| Ritmo | Coreografado, quase musical | Ritmo irregular, picos de tensão | Ritmo acelerado, montagem dinâmica |
| Foco emocional | Sentimento através da ação | Contraste entre humor e violência | Conflito interno e moralidade |
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Agora que já destrinchamos as três influências, vamos dizer quem deve assistir "By Any Means" de acordo com seu gosto:
- Fã de ação estilizada – Se você vibra com tiroteios em câmera lenta e coreografias que parecem dança, a pegada John Woo será seu ponto alto.
- Apreciador de diálogos afiados – Quem curte trocadilhos, referências pop e tensão que nasce de uma conversa, vai achar o toque Tarantino irresistível.
- Entusiasta de personagens profundos – Se o seu interesse está em entender o que move um agente da FBI em 1966, a camada Scorsese será o que mais te prende.
- Historiador casual – O filme também serve como um lembrete da luta pelos direitos civis; a combinação de todas as influências cria um pano de fundo que educa enquanto diverte.
Em resumo, o filme não escolhe um único estilo – ele combina os três para criar um thriller que agrada tanto aos amantes de balas quanto aos que preferem um bom papo de bar.
Qual influência domina "By Any Means"?
Se tivéssemos que apontar um líder, seria John Woo. A maior parte da ação visual – as sequências de perseguição, o uso de slow‑motion e a ênfase na camaradagem – são claramente inspiradas no mestre da ação asiática. Contudo, sem a tensão de Tarantino e a profundidade psicológica de Scorsese, o filme seria apenas mais um clássico de ação. O segredo de Bratton está em equilibrar esses três mundos, entregando um espetáculo que respeita a história real enquanto diverte como um blockbuster.
Então, se você ainda não viu "By Any Means", escolha seu assento: na primeira fila para sentir cada tiro ao estilo Woo, no meio para captar os diálogos tarantinescos, ou na última para analisar a psicologia scorsesesca. Seja como for, a experiência será única.


