TL;DR: candyman 2021 transformou o clássico do terror em um manifesto sobre violência policial e, graças ao sucesso da diretora Nia DaCosta, garantiu sua passagem para o MCU, culminando em The marvels.
O que aconteceu
Em 27 de agosto de 2021, a sequência de Candyman chegou aos cinemas sob a batuta de Nia DaCosta, trazendo uma camada inesperada ao mito do assassino de Chicago. O filme não só revisitou a história de Daniel Robitaille – o artista negro que foi brutalmente linchado no século XIX – como também introduziu um conceito inovador: o monstro agora é um hive mind, um coletivo de espíritos de vítimas de racismo institucional.
A trama acompanha Anthony (interpretado por Yahya Abdul-Mateen II), o bebê que a personagem Helen (Virginia Madsen) salvou no primeiro filme. Anos depois, Anthony descobre o legado sangrento que carregava e, ao ser confrontado pela polícia, transforma‑se no novo Candyman, simbolizando a perpetuação da violência contra a comunidade negra.
Além de ampliar o folclore, o longa mergulhou nas consequências da brutalidade policial, mostrando como a própria força da lei pode alimentar a lenda do assassino. Personagens como Sherman Fields (Michael Hargrove) e outros nomes reais de vítimas de racismo foram incorporados ao “corpo” do Candyman, reforçando a mensagem de que o monstro representa um trauma coletivo.
Como chegamos aqui
O ponto de partida foi o filme original de 1992, que se destacou por ter Tony Todd como o icônico Candyman e por abordar tensões raciais em Chicago. Apesar de ter surgido quando o gênero slasher estava em declínio, o filme se tornou cult graças ao seu mito profundo e à crítica social.
Quando Jordan Peele decidiu revisitar a franquia, ele procurou um diretor capaz de trazer autenticidade à história. DaCosta, então relativamente desconhecida, aceitou o desafio e colaborou com Peele e Win Rosenfeld no roteiro. O objetivo era atualizar o horror para o contexto contemporâneo, focando na violência policial que ainda assombra as comunidades negras.
A escolha de Yahya Abdul‑Mateen II como Anthony foi estratégica: ele já era conhecido por papéis em superproduções como Wonder Man, e sua presença ligou o filme ao universo Marvel, onde ele mais tarde estrearia como o herói Black Adam. Essa conexão acabou facilitando a transição de DaCosta para a MCU.
O sucesso crítico de Candyman (2021) abriu as portas para DaCosta dirigir The Marvels. O estúdio Marvel, que tem histórico de apostar em diretores de minorias — como Black Panther (Ryan Coogler) e Shang‑Chi (Destin Daniel Cobb) —, confiou a ela a tarefa de unir três heroínas femininas: Brie Larson (Capitã Marvel), Teyonah Parris (Kamala Khan) e Iman Vellani (Ms. Marvel).
Apesar de ter sido alvo de review bombing e de ter sofrido críticas mistas, The Marvels mostrou, nas avaliações de críticos, que o filme tem mais qualidade do que os números de público sugerem. O ponto alto foi a química entre as três protagonistas, reforçando a mensagem de representatividade que DaCosta já havia explorado em Candyman.
O que vem depois
Com a recepção positiva de Candyman e a experiência adquirida em The Marvels, Nia DaCosta está posicionada para assumir projetos ainda maiores dentro da Marvel e possivelmente em outras franquias de horror que queiram explorar temáticas sociais.
Para os fãs de horror, a nova abordagem do monstro promete mais sequências que tratem o Candyman como um símbolo de injustiça, ao invés de um simples vilão de sangue. O conceito de um “hive mind” abre espaço para histórias que integrem outras vítimas de violência racial, ampliando o universo do terror social.
Já no universo Marvel, a diretora pode estar na lista de possíveis responsáveis por futuros crossovers que envolvam personagens de origem negra, como Black Panther ou blade. Sua capacidade de equilibrar ação e crítica social pode ser o diferencial que a Marvel procura para diversificar ainda mais seu catálogo.
Enquanto isso, os espectadores podem esperar que as duas obras — Candyman (2021) e The Marvels — sejam reavaliadas com o tempo, ganhando status de cult dentro de seus respectivos gêneros.
Para ficar no radar
- Reassistir Candyman (2021) para captar detalhes do “hive mind” e das referências a casos reais de violência policial.
- Acompanhar futuros anúncios da Marvel sobre projetos dirigidos por Nia DaCosta.
- Observar como o debate sobre representatividade influencia futuras produções de horror e super‑heróis.
- Ficar de olho em possíveis spin‑offs de Candyman que explorem outras vítimas da lista apresentada no filme.
Em suma, a reimaginação de Candyman não foi apenas um reboot de terror; foi um trampolim que catapultou Nia DaCosta para o centro da narrativa contemporânea da MCU, provando que horror e super‑heróis podem, sim, caminhar juntos rumo a um futuro mais inclusivo.


