Chloe Bennet, intérprete de Daisy Johnson em Agents of S.H.I.E.L.D., declarou à Elle Magazine que continua "low-key angry" — irritada na surdina — porque a Marvel Studios não reconhece a série como parte oficial do canon do MCU, apesar de ter estreado em 2013, durado sete temporadas e somado mais de 130 episódios. A atriz confirmou que aceitaria reprisar o papel caso a oportunidade surgisse.
O que aconteceu
Em entrevista publicada recentemente, Bennet foi direta: "Ainda estou low-key angry que eles não reconhecem totalmente isso como canon — os verdadeiros fãs vão entender. Fomos a primeira série de TV do MCU, fizemos 130 e tantos episódios de uma hora. Passamos muito tempo nas casas das pessoas, e eu passei grande parte da minha vida interpretando essa personagem e essa jovem crescendo em seu poder". A fala expõe um incômodo antigo do elenco e da base de fãs: a série, produzida pela extinta Marvel Television sob comando de Jeph Loeb, nunca foi integrada à linha do tempo oficial gerenciada por Kevin Feige após a reorganização de 2019.
Mesmo com a crítica, a atriz deixou a porta aberta: "Totalmente. Sou obcecada pela Daisy. Sinto que sou a Daisy. Seria muito protetora com ela… Adoraria interpretá-la com o crescimento que tive desde que me afastei do papel". A declaração reacende especulações sobre um possível retorno, ainda que improvável no cenário atual de contenção de custos da Disney+.
Como chegamos aqui
Agents of S.H.I.E.L.D. estreou em setembro de 2013, meses após Os Vingadores (2012), e sua premissa central — a ressurreição do agente Phil Coulson (Clark Gregg), aparentemente morto por Loki no filme — criava um elo narrativo direto com o cinema. Nas primeiras temporadas, a série referenciava eventos dos longas (a queda da S.H.I.E.L.D. em Capitão América: O Soldado Invernal, as consequências de Vingadores: Era de Ultron) e chegou a ter participações de Lady Sif (Jaimie Alexander) e Maria Hill (Cobie Smulders).
Em 2019, a Marvel Television foi dissolvida e suas produções passaram para a Marvel Studios. Feige declarou publicamente que as séries da Netflix (Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage, Punho de Ferro, Os Defensores, Justiceiro) e da ABC (Agents of S.H.I.E.L.D., Agent Carter, Inumanos) não faziam parte do "canon sagrado" do MCU, embora personagens como Matt Murdock (Charlie Cox) e Wilson Fisk (Vincent D'Onofrio) tenham reaparecido em produções recentes (Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, Mulher-Hulk, Eco, Demolidor: Renascido).
A discrepância gera debates: se personagens da Netflix foram reintegrados seletivamente, por que a série que durou mais tempo e teve conexão explícita com o filme fundador da franquia permanece no limbo? A resposta costuma ser atribuída a diferenças tonais, orçamento e à vontade de Feige de manter controle criativo total a partir de WandaVision (2021), tratada como a primeira série "oficial" do MCU no Disney+.
O que vem depois
O cenário atual não favorece um revival. A Marvel Studios reduziu o ritmo de séries live-action no Disney+ após recepções mistas (Invasão Secreta amplamente criticada) e cancelou Homem-Maravilha (Wonder Man) após uma única temporada. Visão Quest (VisionQuest), terceira parte da trilogia iniciada por WandaVision e continuada em Agatha Desde Sempre (Agatha All Along), estreia em 14 de outubro.
- Retorno de Daisy Johnson exigiria decisão de Feige e roteiro que a insira na Saga do Multiverso.
- Contrato de Bennet não impede participação futura; a atriz demonstrou disposição pública.
- Fãs organizam campanhas periódicas (#ItsAllConnected) pedindo canonização total.
Enquanto isso, a série permanece disponível no Disney+ (fora dos EUA, no Star+ até a fusão), mas sem selo de "Marvel Studios" na apresentação — detalhe que fãs notam como símbolo da exclusão.
A aposta da redação
A Marvel tem histórico de retcon seletivo quando convém: trouxe o Demolidor de Cox, o Rei do Crime de D'Onofrio e até o Mercúrio de Evan Peters (brevemente) para validar o multiverso. Ignorar Agents of S.H.I.E.L.D. por completo parece mais teimosia do que estratégia narrativa. Se a Saga do Multiverso precisa de agentes cósmicos e terrestes, Daisy Johnson — uma Inumana com poderes sísmicos e liderança de campo comprovada — é ativo pronto, sem necessidade de origem longa. O obstáculo não é criativo; é burocrático. A redação aposta que, se houver retorno, virá como participação especial em Vingadores: Guerras Secretas ou em série de equipe (ex.: Thunderbolts* ou Marvel Zombies), não como revival solo. Enquanto isso, o canon continua sendo "o que Feige diz que é" — e isso, para quem acompanhou 136 episódios, soa como desrespeito, não continuidade.


