O sétimo episódio da segunda temporada de Clevatess entrega a reviravolta que a trama vinha construindo: a princesa Milea não é apenas mais uma nobre no tabuleiro — ela é o arauto de Vorden, a grande ameaça que substitui o clérigo Dean como vilã central. Enquanto isso, Alicia finalmente escapa de seu confinamento interminável e o elenco de apoio, incluindo os gêmeos Blouyer, disputa cada minuto de tela com os protagonistas que o público já acompanha desde a primeira temporada.
O que funciona: a vilã certa no lugar do clichê
Dean cumpria o papel de antagonista unidimensional — o clérigo psicótico que todo fã de anime e JRPG já viu dezenas de vezes. A revelação de Milea como a verdadeira mente por trás do culto eleva o conflito: agora há uma figura política, calculista e com motivações ligadas diretamente a Drel, cujo passado ganha contornos mais nítidos. Não é apenas "a princesa no outro castelo"; é a princesa reinando sobre as criaturas mais perversas do inferno com punho de ferro. Isso abre espaço para confrontos ideológicos, não só físicos, quando Alicia partir para o contra-ataque.
O que atrapalha: elenco inchado e investimento seletivo
O reviewer James Beckett, do Anime News Network, aponta o problema central: há personagens demais disputando relevância. Tygel e Leon, os gêmeos Blouyer, ganham tempo de tela infiltrando cultistas nos corredores de Solein, mas a parceria deles com Alicia — vendida como importante — só agora começa a render frutos. Enquanto isso, Naie, que causou impacto imediato na temporada anterior, prova que o roteiro sabe criar coadjuvantes memoráveis quando quer. A sensação é de que cada novo aluno ou professor é descartável até provar o contrário, exceto os que carregam bestas sombrias na alma. Isso dilui a tensão: o espectador hesita em se apegar.
Comparativo: foco nos protagonistas vs. expansão de mundo
| Abordagem | Vantagens | Desvantagens |
|---|---|---|
| Foco em Klen e Alicia (temporada 1) | Conexão emocional direta; stakes pessoais claros; ritmo ágil | Mundo parece menor; menos lore política |
| Elenco coral em Solein (temporada 2) | Constrói geopolítica e mitologia; prepara conflitos em larga escala | Ritmo irregular; personagens novos competem por empatia; protagonistas somem |
Vereditos: o melhor pra cada perfil
- Quem gosta de worldbuilding denso e intriga política: a temporada 2 recompensa a paciência. A revelação de Milea e os movimentos dos cultistas sugerem um tabuleiro maior que o duelo herói-vilão padrão.
- Quem torce pelo dinamismo da dupla original: o episódio 7 ainda frustra. Alicia livre promete ação, mas o tempo gasto com os gêmeos Blouyer e outros coadjuvantes adia o reencontro com Klen.
- Quem valoriza vilãs femininas complexas: Milea já entrega mais camadas em uma revelação do que Dean em toda a temporada. Vale ficar para ver como ela lida com a heroína que escapou.
Vale a pena?
Sim, mas com ressalva. A reviravolta de Milea injeta frescor em uma estrutura que corria risco de virar "vilão da semana" em ambiente escolar. O problema real é gestão de elenco: Clevatess funciona melhor quando o horror e o humor negro nascem da interação direta entre Klen, Alicia e as Bestas Sombrias. Cada minuto gasto em personagens que o público não tem motivo para proteger é um minuto a menos de "cão da morte fofo cometendo atrocidades carismáticas" — a identidade única da série. Se o episódio 8 não recolocar a dupla no centro da ação, a temporada corre o risco de virar um exercício de worldbuilding sem alma. Por enquanto, a nota da comunidade (4.0 no ANN) reflete essa divisão: há qualidade, mas falta foco.
Disponível na Crunchyroll. O próximo episódio define se a expansão de elenco serve à história ou só a enche linguiça.


