colossus — o gigante de aço dos x-men criado em 1974 na revista giant-size X-Men #1 — é, ao lado de wolverine, tempestade e noturno, um dos pilares da segunda geração mutante da Marvel. Mais de cinco décadas depois, porém, ele virou o membro mais subestimado do grupo. Uma análise recente defende que o personagem só ganha vida de verdade quando cruza a linha para o lado vilão da Força, e que a própria Marvel já vem cutucando esse caminho em duas linhas separadas.
Quem é Colossus nos quadrinhos da Marvel?
Colossus é Piotr Rasputin, um mutante soviético capaz de transformar o corpo em aço orgânico. Apareceu pela primeira vez em Giant-Size X-Men #1 (1974), ao lado de Tempestade, Noturno e Wolverine, formando o núcleo da nova fase da equipe. Diferente do arquétipo do brutamontes, ele foi desenhado pelo escritor Chris Claremont como um gigante sensível, fazendeiro, artista e protetor — quase o oposto do que sua aparência sugere.
Por que Colossus nunca atingiu o status de Wolverine ou Tempestade?
Apesar de ser um dos X-Men mais fortes em sentido literal, Colossus nunca decolou comercialmente como Wolverine e Tempestade. O argumento central da análise é que, depois da fase Claremont, ninguém soube o que fazer com ele. Piotr virou o "fortão de coração mole" que prefere pintar a lutar, repetindo o mesmo arco emocional por décadas — o que a publicação chama de "décadas de marasmo".
Seus momentos mais marcantes sempre vieram quando ele fez algo "errado": matar Proteus para salvar os companheiros, abandonar os X-Men após a morte de Magik nos anos 1990, hospedar o poder de juggernaut, ser corrompido pela Força phoenix, ou liderar a Rússia como parte da Irmandade de Mutantes do Mal. Cada um desses capítulos foi exceção, não a regra.
Quando Colossus virou vilão pela primeira vez?
As investidas mais recentes como antagonista aconteceram em duas frentes distintas:
- Em Wolverine: Revenge, o Colossus vira líder da Rússia e da Irmandade de Mutantes do Mal, protegendo o hemisfério oriental à custa do ocidental e indo parar em confronto direto com Wolverine.
- Na nova Ultimate Universe (Terra-6160), ele integra o Conselho do Maker, o principal grupo de vilões de Ultimate Wolverine.
Para a análise, o padrão é claro: as duas vezes em que o Colossus virou vilão foram, também, as duas vezes em que ele pareceu interessante de verdade.
Qual foi o momento decisivo que definiu o Colossus na era Claremont?
O divisor de águas aconteceu em Uncanny X-Men #125-128, na saga contra Proteus, filho de Moira MacTaggert. Proteus só podia ser ferido por metal, então Colossus deu o soco final e matou o vilão para salvar os companheiros. O ato mostrou ao mesmo tempo a sensibilidade do personagem — ele ficou devastado — e o "ferro" por baixo da pele de artista. Foi o último grande momento de profundidade do herói antes de décadas de estagnação.
Por que a Marvel insiste em trazê-lo de volta como herói?
Porque Piotr é um clássico. Está entre os X-Men da Giant-Size #1, é um dos rostos da equipe desde os anos 1970, e teve ciclos próprios de destaque — a relação com Kitty Pryde, a hospedagem do Juggernaut e a fase Phoenix. Mas, segundo o texto, esses picos não escondem o problema de base: o herói está estagnado. Toda vez que a Marvel tenta reavivá-lo, acaba recorrendo ao mesmo atalho — a raiva, a culpa, a traição.
Quais fases do Colossus são citadas como "vilão em potencial"?
A análise organiza as pontas soltas em uma lista de versões em que o personagem saiu do eixo:
- Posto de líder russo e da Irmandade em Wolverine: Revenge.
- Membro do Conselho do Maker na nova Ultimate Universe, ao lado de Ultimate Wolverine.
- Saída dos X-Men após a morte de Magik e passagem sem brilho pelos Acolitos do Magneto nos anos 1990.
- Fase como Juggernaut, explorando a raiva contida.
- Corrompimento pela Força Phoenix, um dos hospedeiros não-Jean Grey mais lembrados.
Em todos esses casos, o ponto em comum é o mesmo: Piotr só vira manchete quando erra. Como herói, ele atende, mas não lidera a conversa.
Colossus poderia funcionar como vilão do universo principal?
A análise defende que sim, e argumenta que já passou da hora de a Marvel apertar o gatilho. O personagem acumulou décadas de sacrifícios pelo sonho de Xavier e só colecionou decepção. A justificativa narrativa é simples: a virada seria grande o suficiente para chamar atenção, e talvez seja o único choque capaz de tirá-lo da inércia em que vive desde os anos 1990. O raciocínio é que um Colossus vilão, cedendo à raiva, é uma versão muito mais viva do que o protetor calado e sofrido que a Marvel insiste em manter.
O que falta saber sobre o futuro do Colossus
Até o momento, não há anúncio oficial de que o Colossus da linha principal (Terra-616) vá virar vilão. A Marvel Comics ainda não confirmou se a tendência vista na nova Ultimate Universe e em Wolverine: Revenge vai contaminar o personagem clássico. A análise deixa a provocação no ar: o material para a virada já existe, falta decisão editorial. Para o fã, o que vale é acompanhar os próximos arcos da linha Ultimate, onde o Conselho do Maker continua sendo a principal ameaça a Wolverine, e os capítulos seguintes de Wolverine: Revenge. Qualquer movimento concreto deve aparecer primeiro nessas duas frentes antes de migrar, eventualmente, para os X-Men tradicionais.
Por que essa discussão importa para o fã dos X-Men
Colossus ocupa um lugar raro: é um dos criadores originais da era moderna dos X-Men, mas vive há décadas no limbo criativo. O contraste com Wolverine, Tempestade e Noturno — todos da mesma Giant-Size #1 — mostra como a Marvel tratou cada um de forma muito diferente. Defender o Colossus vilão não é apologia do vilão em si, mas um diagnóstico de que o personagem está sem fôlego como herói. Para o leitor, o exercício é útil: reler a fase Claremont, conferir o que a nova Ultimate Universe está fazendo com o Conselho do Maker e decidir se toparia — ou não — ver Piotr Rasputin trocar de lado de uma vez.
Dado-chave: Giant-Size X-Men #1, de 1974, introduziu Colossus, Wolverine, Tempestade e Noturno. Mais de 50 anos depois, três deles seguem como pilares da franquia; Colossus é o único a depender de fases vilanescas para voltar ao centro da conversa.
Vale a pena torcer pela virada?
A pergunta fica em aberto, e talvez seja esse o ponto. Defender Colossus como vilão não significa querer que a Marvel destrua o personagem — pelo contrário. A análise enxerga a virada como a única saída para um herói que já gastou todas as variações de "gigante bom". A aposta é que, se a Marvel cruzar a linha, ganha fôlego narrativo e devolve o Colossus ao mesmo nível de atenção que Wolverine, Tempestade e Noturno tiveram nas últimas cinco décadas. Se vai acontecer, só o editor-chefe da linha X responde. Por enquanto, o fã tem nas mãos duas leituras obrigatórias para entender o debate: Wolverine: Revenge e a fase atual de Ultimate Wolverine, onde o Conselho do Maker já está em campo.


