O DNA de RPG por trás da franquia Control
A Remedy Entertainment, estúdio finlandês renomado por títulos como Alan Wake e Max Payne, sempre foi conhecida por sua narrativa cinematográfica e mecânicas de tiro refinadas. No entanto, com o anúncio de Control: Resonant, a empresa deixou claro que pretende mergulhar de vez nas raízes do gênero RPG (Role-Playing Game). Para quem não está familiarizado, um RPG é um estilo de jogo focado no desenvolvimento de personagens, progressão de habilidades e, frequentemente, escolhas que impactam a narrativa ou o estilo de combate do jogador.
Mikael Kasurinen, diretor criativo da série, revelou em entrevista que a ideia de criar uma franquia focada em elementos de RPG não é recente. Muito antes do lançamento do primeiro Control em 2019 — jogo de ação sobrenatural onde controlamos Jesse Faden no misterioso Departamento de Controle Federal —, a equipe já vislumbrava esse caminho. A pergunta que guiava o desenvolvimento era simples, mas ambiciosa: "Qual seria a versão da Remedy para uma experiência de RPG?"
Como a Remedy construiu sua base de RPG
Para entender por que a transição para um RPG de ação em Control: Resonant faz sentido, precisamos olhar para o que foi estabelecido no primeiro jogo. O título original serviu como um campo de testes para mecânicas que fogem do linear tradicional dos jogos de ação da Remedy. Abaixo, listamos os pilares que transformaram a franquia em um terreno fértil para o RPG:
- Exploração não linear: Diferente de obras anteriores do estúdio, Control introduziu um mapa interconectado que incentivava o jogador a retornar a áreas antigas, um conceito clássico em jogos de exploração e RPGs modernos.
- Sistemas de progressão: A introdução de árvores de habilidades e melhorias para a Arma de Serviço permitiu que os jogadores personalizassem o estilo de jogo de Jesse, adaptando-a para diferentes desafios.
- Diálogos e escolhas: Pela primeira vez, a Remedy implementou sistemas onde o jogador poderia escolher como interagir com personagens não jogáveis (NPCs), conferindo uma camada de agência narrativa que é marca registrada de grandes RPGs.
- Missões secundárias: O jogo expandiu o universo através de tarefas opcionais que não apenas enriqueciam o *lore* (história de fundo do mundo), mas também ofereciam recompensas significativas para o fortalecimento do protagonista.
- Gestão de recursos e builds: A necessidade de equipar modificações em armas e habilidades criou uma camada estratégica, onde o jogador precisa pensar na melhor configuração para enfrentar certos tipos de inimigos.
Esses elementos foram a fundação necessária para que a equipe pudesse "se comprometer totalmente" com o gênero agora. Enquanto o primeiro jogo era um shooter com elementos de RPG, Control: Resonant promete elevar essa estrutura a um novo patamar, integrando sistemas mais complexos de classes e builds que permitem uma personalização ainda mais profunda.
O que esperar de Control: Resonant
Embora a Remedy mantenha o mistério sobre muitos detalhes específicos, o que foi mostrado até agora de Control: Resonant sugere uma evolução natural. O foco não é apenas em atirar, mas em como o jogador constrói sua própria versão do protagonista através de árvores de habilidades diversificadas. A promessa é que a essência da Remedy — o clima misterioso, a narrativa densa e o combate fluido — continue presente, mas agora sob o prisma de um RPG de ação mais robusto.
Para os fãs de longa data, essa mudança é uma evolução bem-vinda que justifica a existência da sequência. A transição de um jogo de ação com elementos de RPG para um RPG de ação focado permite que a Remedy explore novas formas de contar histórias dentro do universo do Departamento de Controle Federal, onde o sobrenatural e a burocracia se encontram.
O próximo nível para a Remedy
Ainda não há uma data de lançamento específica confirmada para Control: Resonant, mas a expectativa é que o título chegue ainda este ano. O que falta saber é:
- Como o sistema de escolhas impactará o final da história?
- Quão profundas serão as opções de customização de classe?
- De que maneira o mundo de Resonant se conectará com os eventos de Alan Wake 2, consolidando o "Remedy Connected Universe"?
O sucesso dessa empreitada dependerá de como a Remedy equilibrará a liberdade do RPG com a narrativa dirigida que tornou o estúdio famoso. Se a transição for bem-sucedida, Control: Resonant pode definir um novo padrão para o que esperamos de jogos de ação com elementos de RPG.


