Em 1967, a série western Custer foi alvo de protestos da Tribal Indians Land Rights Association antes mesmo de sua estreia na ABC. Apesar de retratar o general George Armstrong Custer com certa dignidade, o show foi visto como glorificação de um figura controversa e acabou cancelado após 17 episódios devido à baixa audiência e à pressão dos grupos indígenas.
O que aconteceu
A estreia de Custer ocorreu em setembro de 1967 na ABC, mas já nos dias que antecederam a exibição do primeiro episódio, grupos de direitos dos nativos americanos começaram a mobilizar-se. A Tribal Indians Land Rights Association enviou cartas, panfletos e fez ligações diretas para o produtor Frank Glicksman, reclamando que a série celebrava um homem que muitos povos indígenas consideram um vilão histórico. Mesmo antes de ir ao ar, o programa já enfrentava manifestações diante das afiliadas locais da rede.
Após a estreia, a série seguiu a trajetória do tenente-coronel George Armstrong Custer entre 1868 e 1875, focando nas campanhas contra as tribos das Grandes Planícies. Apesar de tentar apresentar os indígenas com respeito, a narrativa central permanecia focada nas façanhas de Custer, o que reforçava a percepção de que o show estava glorificando um figura responsável por massacres como o de Washita River.
A combinação de baixa audiência — segundo dados da Nielsen, a série nunca saiu do bottom 30 dos programas daquela temporada — e da pressão contínua dos grupos indígenas levou ao cancelamento em dezembro de 1967, após apenas 17 episódios. O programa acabou sendo retirado do ar e, por anos, ficou quase esquecido até seu recente lançamento gratuito na plataforma de streaming Tubi.
Como chegamos aqui
Nos anos 1960, o gênero western dominava a televisão americana. Séries como Bonanza, Gunsmoke e The Virginian atraíam milhões de espectadores todas as semanas, e as redes buscavam constantemente novas propriedades que pudessem capitalizar esse sucesso. A ABC viu em Custer uma oportunidade de explorar a figura icônica do general que, embora controversa, ainda possuía um certo apelo heroico na cultura popular.
O produtor Frank Glicksman afirmou, em entrevista ao Ogdensburg Journal, que a intenção era apresentar Custer como "um herói com pequenas manchas resultantes de excesso de zelo". A abertura da série trazia uma narração triunfalista acompanhada de fanfarra, reforçando essa visão. Entretanto, historiadores como Brian W. Dippie já apontavam que a mitologia de Custer vinha sendo construída há décadas, ignorando as perspectivas dos povos afetados por suas campanhas.
Do outro lado, organizações indígenas já tinham experiência em pressionar a mídia. A National Congress of American Indians (NCAI) havia comparado Custer a "Adolph Eichmann do século XIX" em publicações como Custer Died for Your Sins: An Indian Manifesto de Vine Deloria Jr. Essa base de ativismo fez com que, assim que souberam do projeto, os grupos rapidamente organizaram campanhas de cartas, ligações e até mesmo solicitaram tempo de antena em estações locais da ABC — uma tática possível porque a emissora não estava sujeita às regras de igualdade de tempo da FCC naquela época.
Além do aspecto político, a produção enfrentou dificuldades criativas. O roteiro lutava para equilibrar a ação de faroeste com a necessidade de mostrar a complexidade das relações entre soldados e nativos, resultando em episódios que muitos críticos da época descreveram como "formulaicos e pouco inspiradores". Essa combinação de fatores preparou o terreno para a rápida queda da série.
O que vem depois
Hoje, Custer está disponível para streaming gratuito na Tubi, permitindo que novas gerações avaliem o trabalho com olhos críticos. A disponibilidade abriu espaço para reavaliações acadêmicas que discutem não apenas a representação histórica, mas também como a indústria de televisão lida com figuras controversas em épocas de sensibilidade social crescente.
O caso de Custer serve como um lembrete de que, mesmo em períodos considerados menos progressistas, a pressão organizada de grupos marginalizados pode afetar diretamente a grade de programação. Para produtores contemporâneos, a lição é clara: ignorar as preocupações das comunidades retratadas pode resultar em rejeição precoce, independentemente do potencial de nostalgia ou apelo de gênero.
Olhando para o futuro, especialistas em mídia sugerem que plataformas de streaming devam adotar processos de consulta prévia com especialistas culturais antes de aprovar projetos que lidem com figuras históricas polarizadoras. Essa abordagem poderia evitar repetir ciclos de protesto e cancelamento, ao mesmo tempo em que preserva a liberdade criativa mediante um diálogo respeitoso.
- Protestos indígenas antes da estreia: cartas, panfletos e ligações diretas ao produtor.
- Baixa audiência: série nunca saiu do bottom 30 da Nielsen na temporada 1967‑68.
- Pressão contínua: grupos solicitaram tempo de antena em afiliadas locais da ABC.
- Cancelamento: após 17 episódios, em dezembro de 1967.
- Disponibilidade atual: streaming gratuito na Tubi desde 2024.
"One beleaguered spokesman for ABC argued that 'the program clearly is identified as a fictionalized series based on a legend.' But semantic distinctions could not save Custer from the Nielsen ratings.'" — Brian W. Dippie, Custer's Last Stand.
| Fator | Impacto na série |
|---|---|
| Protestos pré‑estreia | Criação de clima hostil e dificuldade de divulgação |
| Audiência Nielsen | Consistente baixo desempenho, afetando receita de publicidade |
| Pressão de grupos indígenas | Solicitações de tempo de antena e campanhas de boicote |
| Crítica da mídia especializada | Rótulo de "formulaico" e falta de inovação narrativa |


