O que é o concurso Building Bad Sweepstakes da DC?
A DC Comics, gigante das HQs, resolveu abrir as portas para a criatividade dos fãs com o Building Bad Sweepstakes. A ideia é simples: um sortudo (ou azarado, dependendo de como você encara a exploração criativa) terá a chance de ajudar a equipe editorial a criar um novo supervilão que vai entrar oficialmente para a cronologia do Batman. A proposta abrange tanto as HQs quanto o mundo dos games.
O personagem vencedor tem estreia garantida em Detective Comics #1113 e uma participação em Batman #14. Além disso, a Warner Bros. Games vai incluir esse novo vilão como conteúdo extra (DLC) no futuro jogo lego Batman: Legacy of the Dark Knight. É, na teoria, o sonho de qualquer fã que cresceu lendo sobre o Cavaleiro das Trevas e quer deixar sua marca em Gotham City.
Qual é a pegadinha do concurso da DC?
Aqui é onde a vibe de "vamos construir juntos" bate de frente com a realidade corporativa. O grande vencedor, apesar de ajudar a definir os traços, o nome e a personalidade do vilão, não recebe absolutamente nada. Zero royalties, zero pagamento e, pelo que foi anunciado, nem um crédito formal como coautor da obra. Basicamente, você entrega uma ideia de ouro para uma empresa multibilionária e ela fica com 100% dos direitos de propriedade intelectual.
É uma daquelas situações que fazem a gente lembrar de como a indústria de quadrinhos trata seus colaboradores — e, ironicamente, até o lendário Bill Finger, coautor do Batman que demorou décadas para ser reconhecido, parece ter tido um trato menos "criativo" do que esse. É o famoso "trabalhe pela exposição", mas em uma escala global que envolve franquias de videogame e publicações de longa data.
O que o vencedor ganha, afinal?
Se você está se perguntando se pelo menos ganha uma action figure ou uma cópia do jogo, a resposta é: o concurso foca na "experiência". Os detalhes do prêmio incluem:
- Colaboração direta na definição dos traços do novo vilão de Gotham.
- O direito de participar da escolha do nome desse novo antagonista.
- Ver sua criação ganhar forma em um webcomic da linha DC GO!, previsto para o Batman Day.
- A presença do personagem no jogo LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight.
É um prêmio que brilha muito para quem é fã fervoroso, mas que deixa um gosto amargo na boca de quem entende o valor do trabalho intelectual. A DC está usando a paixão dos leitores para gerar conteúdo, economizando uma nota no processo de desenvolvimento criativo.
Onde isso pode dar?
A iniciativa levanta um debate necessário na cultura geek sobre a exploração da mão de obra criativa dos fãs. Embora seja um concurso oficial e legalizado, a prática de "crowdsourcing" de personagens canônicos sem compensação financeira é uma ladeira escorregadia. Se o vilão criado pelo fã se tornar um sucesso, ganhar série, filme ou linha de brinquedos, a DC detém tudo, enquanto o criador original fica apenas com a memória de ter participado de um sorteio.
Por outro lado, para o fã que não liga para dinheiro e quer apenas ver seu nome (ou sua ideia) eternizada no cânone da DC, pode ser uma oportunidade única. A questão é saber se o valor emocional de ver seu "filho" enfrentando o Batman compensa o fato de você estar, na prática, trabalhando de graça para uma das maiores empresas de entretenimento do mundo. No fim das contas, a aposta da redação é que não faltarão inscritos, mas o precedente aberto por essa ação é, no mínimo, questionável.


