Três anos após a estreia, o roteiro da continuação está pronto, a dona da marca (Hasbro) quer seguir em frente, mas a Paramount disse não — e agora a bola está com quem topar bancar a produção.
Paramount fora: o que isso significa na prática?
O estúdio que lançou Honor Among Thieves em 2023 optou por não financiar a sequência, citando o desempenho de bilheteria aquém do esperado. O filme arrecadou cerca de 208 milhões de dólares globalmente contra orçamento estimado em 150 milhões — sem contar marketing. Na conta fria de Hollywood, isso não garante luz verde automática. A decisão deixou a Hasbro, detentora dos direitos de Dungeons & Dragons, livre para negociar com outros parceiros.
Hasbro e criadores: por que a esperança permanece?
Jonathan Goldstein, metade da dupla de diretores/roteiristas ao lado de John Francis Daley, declarou ao podcast The Discourse: "Acredito que a Hasbro é uma grande entusiasta do projeto, e se conseguirem um parceiro de estúdio que faça sentido, eles vão querer avançar." Daley completou que o primeiro ato da sequência não precisa reapresentar o grupo — Ed (bardo), Holga (bárbara), Simon (feiticeiro) e Doric (druida) — o que permite entrar direto na trama. Isso reduz risco criativo e custo de desenvolvimento.
Roteiro pronto: vantagem real ou detalhe burocrático?
Ter o script finalizado antes de fechar acordo com estúdio é ativo valioso. Elimina meses de development hell e dá ao futuro parceiro clareza do que está comprando. Em contrapartida, roteiro engavetado por tempo demais pode envelhecer mal se o mercado mudar — vide o adiamento de franquias que perderam janela de hype. A janela atual ainda é favorável: o filme mantém 90% de aprovação no Rotten Tomatoes (críticos) e 93% (público), números raros para adaptação de RPG.
O fator fandom: bilheteria garantida ou ilusão?
- Comunidade de mesa organizou sessões em grupo na estreia original — movimento orgânico que estúdios valorizam.
- Campanhas de "compre o ingresso antecipado" surgiram em fóruns e Discords assim que a notícia vazou.
- Porém, fandom barulhento nem sempre se traduz em abertura de fim de semana forte; Snakes on a Plane é o caso-escola.
Concorrência de janela: o fantasma do Mario
O primeiro filme estreou na mesma semana de Super Mario Bros. O Filme, que sugou o oxigênio do público familiar e geek. Qualquer novo parceiro vai exigir janela limpa — ou ao menos sem blockbuster de animação da Illumination/Disney. Isso empurra a estreia provável para 2026 ou 2027, dependendo de quando o contrato for assinado.
Cenários na mesa: quem pode assumir?
| Estúdio / Caminho | Prós | Contras |
|---|---|---|
| Netflix / Amazon / Apple (streaming-first) | Orçamento garantido, liberdade criativa, dados de audiência diretos | Perde bilheteria teatral; prestígio de "evento de cinema" some |
| Universal / Sony / Warner (tradicionais) | Máquina de marketing global, janela IMAX/Premium, prestígio | Exigem controle criativo; podem impor refilmagens ou mudança de tom |
| Hasbro produz e licencia (modelo Transformers) | Controle total da IP, receita de brinquedos/licenciamento direta | Risco financeiro 100% próprio; falta expertise de distribuição teatral |
O que falta saber para a sequência sair do papel
Três variáveis decidem o destino: (1) qual estúdio topa o orçamento na faixa de 130–160 milhões de dólares; (2) se Daley e Goldstein mantêm cadeira de direção — contratos de primeira opção costumam expirar após dois anos de inatividade; (3) se a Wizards of the Coast (subsidiária da Hasbro) alinha o lançamento com nova edição ou produto de mesa, criando sinergia cross-media. Enquanto isso, o roteiro descansa num servidor criptografado, e a base de fãs faz o que sabe de melhor: rola d20 imaginando o que vem a seguir.


