A Capcom — gigante japonesa responsável por sucessos como Resident Evil e Street Fighter — não desistiu de Frank West e sua icônica câmera fotográfica. Em um movimento que sinaliza uma mudança de postura estratégica, a empresa incluiu oficialmente a franquia Dead Rising — série de ação e sobrevivência contra hordas de zumbis — em sua lista de "marcas líderes" para o futuro próximo. O dado surge em um momento crucial, onde a empresa busca diversificar seus lucros para além das franquias consolidadas, apostando no que chama de "motores de crescimento" baseados em propriedades intelectuais clássicas.
Embora o hiato de títulos inéditos já dure quase uma década, o recente lançamento de Dead Rising Deluxe Remaster em 2024 para consoles de nova geração serviu como um termômetro de mercado. A recepção positiva parece ter dado à Capcom a confiança necessária para colocar a marca novamente no centro de suas atenções financeiras e criativas, projetando não apenas ports, mas sequências completas e remakes de alto orçamento.
O que a Capcom planeja para o futuro de Dead Rising?
De acordo com os relatórios financeiros mais recentes da Capcom, Dead Rising foi categorizada ao lado de pesos-pesados como Devil May Cry — série de ação estilizada — e Mega Man — clássico de plataforma. A estratégia da empresa para essas marcas envolve uma abordagem multifacetada que visa maximizar o valor de cada IP. Isso significa que o fã brasileiro pode esperar uma cadência de lançamentos que não se limita apenas a novos jogos numerados.
A Capcom listou especificamente quatro pilares de desenvolvimento para essas marcas líderes:
- Novas IPs e Sequências: O desenvolvimento de Dead Rising 5 ou um reboot suave da linha do tempo principal.
- Remakes e Remasters: Seguindo o sucesso de Resident Evil, a empresa estuda reconstruir os títulos clássicos do zero.
- Portabilidades: Levar jogos antigos para plataformas modernas e serviços de assinatura.
- Expansão Transmídia: Licenciamento para filmes, séries de tv, máquinas de arcade e e-sports.
Para o público brasileiro, que historicamente consome muito conteúdo de zumbis e tem uma forte conexão emocional com os jogos da era Xbox 360 e PS3, essa notícia é um alento. A Capcom entende que o mercado de nicho de Dead Rising — focado no humor ácido, limite de tempo e customização bizarra de armas — ainda possui um público fiel que não foi totalmente atendido por concorrentes como Dying Light.
Por que Dead Rising ficou tanto tempo na geladeira?
A ausência de Dead Rising do cenário principal de games se deve, em grande parte, à recepção mista de Dead Rising 4 — lançado originalmente em 2016. Na época, o jogo foi criticado por abandonar elementos fundamentais da série, como o cronômetro de missão e a personalidade sarcástica original de Frank West. O fechamento da Capcom Vancouver, estúdio responsável pelos últimos títulos, também colocou um freio brusco na produção de novos conteúdos.
No entanto, a Capcom atravessa hoje uma "era de ouro" técnica com a RE Engine, seu motor gráfico proprietário. A capacidade dessa tecnologia em renderizar centenas de inimigos simultâneos com alta fidelidade visual (como visto em Dragon's Dogma 2) torna o retorno de Dead Rising tecnicamente viável e visualmente impressionante. A empresa parece ter aprendido que a identidade da franquia é seu maior trunfo, e qualquer novo projeto deve respeitar o DNA que tornou o primeiro jogo, ambientado no shopping de Willamette, um clássico cult.
Frank West vai retornar em um novo jogo em Hollywood?
Rumores persistentes na indústria indicam que um novo título de Dead Rising já estaria em fase de pré-produção ou desenvolvimento inicial. A especulação mais forte sugere que o jogo levaria Frank West — o fotojornalista protagonista do primeiro game — para um cenário em Hollywood. A trama envolveria um diretor de cinema ensandecido tentando filmar o "filme de zumbis definitivo" usando mortos-vivos reais, o que se encaixaria perfeitamente no tom satírico da franquia.
Embora a Capcom ainda não tenha confirmado datas ou títulos específicos, a menção a "sequências" no relatório financeiro dá peso a esses vazamentos. O retorno às raízes incluiria a mecânica de fotografia e o gerenciamento de tempo, elementos que foram removidos no quarto jogo e causaram a fúria dos veteranos. No Brasil, onde a cultura de "speedrun" e desafios de alta dificuldade cresce no YouTube e Twitch, o retorno de um jogo punitivo e recompensador como o Dead Rising original seria um prato cheio para criadores de conteúdo.
Quais outras franquias da Capcom estão no radar para remakes?
Dead Rising não está sozinha nessa iniciativa de revitalização. A lista apresentada pela Capcom é um verdadeiro catálogo de nostalgia para o jogador veterano. Além dos zumbis, a empresa está olhando atentamente para:
| Franquia | Status Atual | Expectativa |
|---|---|---|
| Onimusha | Dormitante | Remake ou Sequência |
| Okami | Clássico Cult | Novos ports ou sequência espiritual |
| Ace Attorney | Ativo (Coletâneas) | Novo título principal |
| Mega Man | Ativo | Novo jogo focado em próxima geração |
A inclusão de Onimusha — série de ação com samurais e demônios — é particularmente interessante, pois segue a tendência de jogos de ação japoneses de alto orçamento que têm dominado o mercado recentemente. A Capcom parece querer replicar o modelo de sucesso de Resident Evil em todas as suas frentes, transformando jogos que antes eram considerados "secundários" em blockbusters AAA.
Dead Rising pode virar filme ou série de TV?
Um ponto que chama a atenção no novo direcionamento da Capcom é o foco em licenciamento de personagens e produções audiovisuais. O sucesso de adaptações como The Last of Us da HBO e Fallout do Prime Video mudou a percepção das empresas de games sobre o cinema. Dead Rising já teve tentativas anteriores no cinema com filmes de baixo orçamento (como Dead Rising: Watchtower), mas a nova estratégia sugere produções com maior investimento.
O conceito de um shopping center cercado por zumbis com sobreviventes excêntricos e psicopatas humanos tem um apelo visual e narrativo muito forte para o formato de série episódica. Se a Capcom conseguir uma parceria com uma grande plataforma de streaming, Dead Rising pode alcançar um público que nunca encostou em um controle, retroalimentando as vendas dos futuros jogos e remakes.
Para ficar no radar
O anúncio da Capcom não é apenas uma formalidade corporativa; é um compromisso com investidores de que a empresa vai explorar seu catálogo histórico para manter o crescimento. Para o fã de Dead Rising, isso significa que a franquia saiu do estado de "morte cerebral" para entrar em cuidados intensivos de revitalização. O sucesso do Deluxe Remaster foi o primeiro passo, e agora a expectativa gira em torno de um anúncio oficial na próxima grande feira de games, como a Gamescom ou o The Game Awards.
O que resta saber é se a Capcom manterá a produção internamente no Japão ou se buscará parcerias externas. O histórico recente mostra que a supervisão direta da equipe japonesa (Creative Studio 1) costuma resultar em produtos de qualidade superior. Se Dead Rising 5 ou um Remake do primeiro jogo seguir o padrão de excelência de Resident Evil 4 Remake, estamos prestes a ver o renascimento de um dos gêneros mais divertidos e caóticos da indústria. Fique atento aos próximos relatórios trimestrais, pois é neles que as janelas de lançamento costumam ser sugeridas primeiro.


