Deadly Class, a série de ação‑black comedy ambientada nos anos 80, foi cancelada pela Syfy em 5 de junho de 2019, encerrando sua única temporada de dez episódios.
O que aconteceu
A produção, liderada pelos irmãos Joe e Anthony Russo — conhecidos por remodelarem o Universo Cinematográfico da Marvel — chegou à Syfy em 2019 como adaptação da série de quadrinhos homônima criada por Rick Remender (roteirista) e Wes Craig (ilustrador), publicada pela Image Comics. O enredo acompanha Marcus Lopez Arguello (interpretado por Benjamin Wadsworth), um adolescente sem‑teto que, após fugir da Nicarágua, é matriculado no King's Dominion Atelier of the Deadly Arts, uma escola que treina jovens herdeiros de organizações criminosas para se tornarem assassinos de elite.
Ao longo dos dez episódios, Marcus e seus colegas — incluindo a rebelde Saya (Lana Condor) e a misteriosa Maria (Maria Gabriela de Faria) — enfrentam conflitos internos, rivalidades entre facções (Yakuza, cartéis mexicanos, KGB) e o próprio objetivo sombrio de assassinar o presidente Ronald Reagan. Apesar da proposta ousada, a série não conseguiu garantir renovação e foi oficialmente cancelada em junho de 2019.
Como chegamos aqui
O ponto de partida para "Deadly Class" foi o sucesso crítico da graphic novel, que se destacou pelo estilo visual de Wes Craig, caracterizado por cenas de ação caóticas e painéis que, em certos momentos, quebram a linearidade tradicional — como no número 48, onde um terremoto faz as molduras tremer. O roteiro de Rick Remender, influenciado por sua própria vivência como membro da geração Gen X punk, foi apresentado como "o que aconteceria se Richard Linklater dirigisse Kill Bill".
Quando a Syfy decidiu adaptar a obra, os irmãos Russo foram convidados a produzir, trazendo sua experiência em narrativas de super‑heróis. O showrunner da série foi o próprio Remender, que garantiu que a essência da história — a alienação dos jovens nos anos 80, a cultura pop da época e a crítica ao sistema educacional elitista — fosse mantida.
O elenco contou com nomes que, embora não fossem gigantes da TV, trouxeram autenticidade ao projeto:
- Benjamin Wadsworth como Marcus Lopez Arguello, o protagonista que sonha em assassinar Reagan.
- Lana Condor como Saya, a colega de classe com habilidades mortais.
- Maria Gabriela de Faria como Maria, interesse romântico de Marcus.
- Benedict Wong como Headmaster Lin, o diretor da escola.
Embora a série tenha sido bem recebida por um nicho de fãs que apreciam a estética dos anos 80 e a violência estilizada, a audiência geral não foi suficiente para justificar a continuação. A Syfy, que na época buscava diversificar seu portfólio com produções de nicho, acabou optando por encerrar o projeto.
O que vem depois
Mesmo com o cancelamento, "Deadly Class" continua vivo através dos quadrinhos. A série de HQs chegou ao seu fim em 2022, no número 56, permitindo que os leitores acompanhem a conclusão da história de Marcus, que se torna autor e tem de enfrentar a adaptação de sua própria obra em um programa de TV cheio de product placement — uma crítica meta ao próprio processo de adaptação que o cancelou.
Para quem ainda deseja saber o destino dos personagens após o cliffhanger da temporada, a leitura dos últimos volumes da graphic novel oferece respostas e amplia o universo apresentado na TV. Além disso, a obra de Rick Remender segue ativa, com projetos como "The Seasons" (fantasia inspirada em Hayao Miyazaki), "Escape" (WWII com animais falantes) e "Hammerfist" (thriller horror‑crime).
Embora não haja indicações oficiais de um revival da série, a comunidade de fãs mantém a esperança de um reboot ou, ao menos, de um filme que possa retomar a história da escola assassina. A presença dos irmãos Russo como produtores ainda gera curiosidade, já que eles retornam ao universo Marvel com "Avengers: Doomsday" e "Secret Wars" — projetos que podem abrir portas para novas adaptações de quadrinhos menos convencionais.
Datas e o que falta saber
Até o momento, não há anúncios de novos projetos relacionados a "Deadly Class" na televisão ou em plataformas de streaming. O que os fãs podem acompanhar são:
- Lançamento de edições de colecionador da série de quadrinhos, que podem aparecer em lojas especializadas.
- Participação de Rick Remender em eventos de quadrinhos, onde ele costuma discutir suas obras, incluindo "Deadly Class".
- Possíveis referências à série em entrevistas dos irmãos Russo, que podem mencionar o projeto ao falar sobre suas experiências fora do MCU.
Enquanto isso, a série permanece como um exemplo de como adaptações de quadrinhos podem ser ousadas, mas ainda dependem de números de audiência para sobreviver.


