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Denshattack! e a trilha de Tee Lopes: por que o som da estação de trem surpreende

· · 5 min de leitura
Cena do jogo Kid Katana
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Denshattack! chegou às lojas em 15 de julho para PC, consoles de última geração e switch 2, trazendo uma proposta de ação sobre trilhos que combina parkour e corridas de trem. Em entrevista exclusiva, o compositor Tee Lopes explicou como transformou a ideia de "estação de trem" em uma trilha sonora que mistura ruídos industriais, instrumentos tradicionais japoneses e energia de esportes radicais. O resultado são 80 faixas que, apesar da variedade, mantêm uma identidade sonora única.

O que aconteceu

A parceria entre a Fireshine Games (publicadora) e o estúdio espanhol indie Undercoders resultou em Denshattack!, um jogo que leva o jogador a percorrer estágios inspirados em locais reais do Japão, de Kyushu a Hokkaido. O desafio musical foi entregue a Tee Lopes, conhecido por trabalhos em reverências retro e títulos da Sega, que recebeu o convite após se encantar com o conceito “cheio de ideias loucas”. Lopes descreve a experiência como “uma das favoritas” da sua carreira, destacando a liberdade criativa e a energia contagiante da equipe.

Para compor, Lopes contou com a colaboração de amigos como Andrew One, Sean Bialo, Toni Leys e Jonny Atma, além de artistas japoneses como Ryo Nagamatsu e Harumi Fujita. A participação de Nagamatsu marcou sua primeira incursão em cantar em um tema de videogame, enquanto Fujita trouxe sua experiência clássica de compositora de jogos. O processo colaborativo acabou gerando um catálogo de 80 faixas, das quais Lopes escreveu pessoalmente 25, além de cerca de 35 peças para cutscenes.

Como chegamos aqui

O ponto de partida da trilha foi a metáfora de transformar uma estação de trem em música. Lopes visualizou “pedras sujas, trilhos enferrujados, fumaça, graffiti e multidões”, traduzindo esses elementos em texturas distorcidas, samples de hip‑hop e ruídos de trem gravados ao vivo. Essa base sonora foi então misturada com gêneros ligados à adrenalina – punk, drum‑and‑bass, garage e house – que já costumam acompanhar esportes radicais como skate e parkour.

Além da estética urbana, Lopes incorporou influências japonesas que fazem parte da sua formação musical desde a infância. Ele citou videogames, animes, Super Sentai e filmes japoneses como referências iniciais, evoluindo para estilos como city‑pop e fusões contemporâneas. Quando a trilha exigia um toque mais tradicional, ele recorreu a instrumentos como:

Um exemplo notável é a faixa “Gozan No Okuribi”, inspirada no festival de Kyoto. Lopes pesquisou a cerimônia, incorporou ritmos e sons típicos, e até mesmo gravou seu próprio rap em japonês após a desistência de rappers locais. Essa mistura de pesquisa cultural e improvisação destaca a abordagem híbrida que permeia todo o álbum.

O trabalho com a Sega ao longo de quase uma década – incluindo Sonic, Streets of Rage 4 DLC, Monster Boy e Contra – também influenciou a linguagem harmônica de Lopes. Ele observa que os jogos japoneses costumam explorar progressões de acordes mais ousadas, melodias marcantes e instrumentação diversa, contrastando com a tendência ocidental de focar em rock e estruturas mais simples. Essa bagagem ajudou a moldar a identidade sonora de Denshattack!, que busca ser “radical, urbana, suja e grunge”.

O que vem depois

Com o lançamento já disponível nas principais plataformas, a trilha de Denshattack! já está nas lojas de música digital, permitindo que fãs escutem as faixas fora do jogo. Lopes indica que a colaboração com músicos japoneses abriu portas para futuros projetos envolvendo vocalizações em japonês, algo que ele ainda não havia experimentado.

Para a comunidade de compositores indie, o caso de Denshattack! serve como exemplo de como um projeto pode ganhar profundidade ao combinar referências culturais autênticas com experimentação sonora. A estratégia de incluir artistas externos gerou um álbum coeso apesar da variedade de estilos, mostrando que a curadoria de um “DNA” musical – no caso, a atmosfera de estação de trem – pode ser o fio condutor que mantém tudo unido.

Os desenvolvedores ainda não anunciaram DLCs ou expansões, mas a receptividade da trilha pode influenciar futuras atualizações, talvez com novas faixas que explorem outras regiões do Japão ou até mesmo colaborações com artistas de outros países. Enquanto isso, a comunidade de jogadores tem compartilhado vídeos de gameplay sincronizados com a música, reforçando a conexão entre a jogabilidade frenética e a batida pulsante da trilha.

Para ficar no radar

Se você ainda não experimentou Denshattack!, vale a pena conferir tanto o jogo quanto o álbum de 80 faixas. A experiência sonora oferece uma imersão única que vai além do simples “background music”. Para quem curte trilhas que misturam tradição e modernidade, a obra de Tee Lopes demonstra que é possível criar algo familiar e ao mesmo tempo inovador.

Além disso, fique atento às redes sociais da Fireshine Games e da Undercoders; eles costumam divulgar eventos de streaming, podcasts com os compositores e, eventualmente, lançamentos de conteúdo adicional. A presença de nomes como Harumi Fujita e Ryo Nagamatsu indica que futuras colaborações podem surgir, talvez até em projetos fora do universo Denshattack!.

Perguntas frequentes

Quantas faixas Tee Lopes compôs para Denshattack!?
Ele escreveu 25 das 80 faixas do álbum oficial e, contando as músicas de cutscenes, chegou a cerca de 35 peças.
Quais instrumentos tradicionais japoneses aparecem na trilha?
Taiko, shakuhachi, koto e shamisen são usados para dar sabor cultural a algumas músicas.
A trilha de Denshattack! está disponível fora do jogo?
Sim, o álbum completo pode ser encontrado em plataformas de streaming e lojas digitais de música.
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