Dissolution of My Self, visual novel BL de horror psicológico desenvolvida pela Pop Elephant Studio, chegou ao steam em 4 de setembro para Windows, com 10% de desconto nas duas primeiras semanas. O título convida o jogador a literalmente "dissolver" a identidade de um príncipe exilado, interagindo com objetos de um quartinho alugado que apagam memórias uma a uma — uma premissa que mistura intimidade, trauma e humor negro numa experiência curta, mas desconfortável.
O que aconteceu
O jogo já está disponível na loja do Steam e traz, de cara, uma janela de lançamento amigável para quem quiser embarcar na experiência sem pagar o preço cheio. A demo gratuita continua disponível tanto no Steam quanto no itch.io, então dá para testar antes de comprar. A versão é voice acted em japonês, com textos em inglês, japonês e chinês simplificado.
Na página da loja, a própria developer pede que jogadores evitem publicar playthroughs completos até 17 de setembro, em respeito à janela inicial de descoberta. Discussões de história também devem vir com aviso de spoiler — sinal de que a experiência narrativa é parte central do produto e que os desenvolvedores querem preservar o impacto da primeira jogatina.
Como chegamos aqui
Dissolution of My Self é um BL — boys love, termo usado para narrativas com romance entre homens — ambientado num reino em ruínas. O protagonista é Hector, príncipe de uma dinastia caída que parte para o exílio com Matvey, seu tio biológico e assessor militar. Os dois acabam enfiados num quarto alugado, à espera de a poeira baixar.
É nesse cômodo claustrofóbico que a mecânica se revela: cada objeto espalhado pelo ambiente dispara uma memória que Hector tem medo de encarar. Uma vez vivida, a memória é apagada para sempre, e o objeto associado começa a borrar até perder a função. A ordem com que o jogador interage com os itens muda o ritmo e a apresentação das cenas, mas não altera o final.
Matvey não é só companhia de viagem. Na cabeça de Hector, ele acumula os papéis de mãe, esposa, cuidador e súdito ao mesmo tempo — uma sobreposição que o jogo explora como relacionamento distorcido e codependente. A developer recomenda não jogar em público, embora esclareça que não se trata de um eroge (visual novel adulto com cenas explícitas). Os avisos de conteúdo são pesados: violência, automutilação e manipulação psicológica aparecem explicitamente na listagem.
Por que a premissa incomoda (e atrai)
A ideia de "esquecer de propósito" não é só mecânica de jogo, é a tese central da obra. Cada memória acessada some; cada objeto vira cinza narrativa. O jogo se vende como uma experiência de introspecção pela via oposta: em vez de acumular identidade, você a desfaz peça por peça. Para o fã brasileiro acostumado com visual novels mais convencionais, é um choque de tom — ainda mais em se tratando de um BL indie que não tenta suavizar o material.
A developer define o humor interno como "piadas vindas direto do inferno". É um indicativo honesto do tipo de escrita: satírica, seca, sem rede. Não é o tipo de BL cozy que viraliza em fóruns de recomendações; é o tipo que divide, e justamente por isso desperta curiosidade.
O que vem depois
No curto prazo, o caminho é claro: o desconto de lançamento vale por duas semanas a partir de 4 de setembro, e o embargo informal de spoilers e full playthroughs se estende até 17 de setembro. Quem pretende produzir conteúdo em português deve respeitar essa janela se quiser manter a boa relação com a comunidade e com a própria developer.
Para o fã brasileiro, alguns pontos práticos a considerar:
- Idioma: só inglês, japonês e chinês simplificado nos textos. Quem não lê nenhum dos três vai depender de tradução comunitária ou guia externa.
- Conteúdo: pesado. Os avisos de violência, automutilação e manipulação psicológica não estão ali por formalidade — a própria developer recomenda não jogar em público.
- Rejogabilidade: a ordem dos objetos muda o ritmo, mas não o final. Não é um título com múltiplas rotas; é uma narrativa única que se deixa rearranjar.
- Portabilidade: por enquanto, só Windows via Steam. Não há confirmação de versões para Mac, Linux ou consoles.
Vale a pena?
Para quem curte visual novels narrativas, BL indie e horror psicológico, Dissolution of My Self chega como uma proposta rara: pequena em escopo, mas densa em ambição. A demo gratuita existe exatamente para o jogador decidir se o tom combina antes de gastar — e é por aí que vale começar. Quem prefere experiências mais leves ou romances convencionais deve passar longe: este é um jogo sobre dissolver, não sobre construir.
A aposta da Pop Elephant Studio é clara: tratar memória e identidade como material descartável, e entregar essa premissa com humor negro e desconforto calculado. Se isso soa como algo que você quer experimentar, a janela de lançamento com desconto e a demo grátis facilitam bastante a entrada.


