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Dong-geun Joo fala sobre All of Us Are Dead e fãs globais

· · 5 min de leitura
Imagem de All of Us Are Dead — Dong-geun Joo fala sobre All of Us Are Dead e fãs globais
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Dong-geun Joo, criador do webtoon All of Us Are Dead, esteve em Los Angeles para um evento no Korean Culture Center e respondeu a perguntas sobre sua escolha por zumbis, a adaptação da Netflix e o crescimento da base de fãs ao redor do globo.

FATO: Joo visita LA e fala sobre zumbis, adaptação e fãs internacionais

Em 11 de setembro, o autor sul‑coreano chegou à capital californiana para participar de uma celebração dos webtoons coreanos. Durante a entrevista concedida à Anime News Network, ele revelou que o motivo da escolha dos zumbis foi simples – era o que mais lhe interessava na época – e comentou que assistiu a Dawn of the Dead e 28 Days Later na faculdade. Além disso, Joo explicou que, embora o diretor da série da Netflix, Jae‑kyoo Lee, tenha lhe enviado o roteiro, ele nunca o abriu, preferindo ver o produto final. O criador ainda destacou que a série lhe rendeu viagens a oito países e que, recentemente, mais leitores chegam ao webtoon antes de assistir à adaptação.

Contexto: por que importa a postura de Joo perante a adaptação

Adaptar um webtoon para live‑action tem sido um caminho recorrente para plataformas de streaming que buscam conteúdo já testado. No caso de All of Us Are Dead, a Netflix apostou em um cenário de escola sul‑coreana, algo ainda pouco explorado no mercado ocidental. A decisão de Joo de se manter à margem do processo criativo pode parecer contraditória, mas traz duas implicações importantes:

  • Autonomia criativa: ao não interferir, o autor permite que o diretor explore novas leituras da história, potencializando a surpresa para quem conhece o material original.
  • Risco de diluição: ao ficar distante, o criador perde a oportunidade de garantir que elementos essenciais – como o tom de horror ou a crítica social implícita – sejam preservados.

Essa dualidade reflete um dilema recorrente entre autores de quadrinhos e suas versões televisivas: até que ponto a fidelidade deve ser mantida? A resposta de Joo – “é mais interessante quando a adaptação difere” – revela uma visão de que a obra pode viver duas vidas simultâneas, alimentando tanto o público que prefere a estética visual da animação quanto o que busca a imersão do live‑action.

Reação dos fãs/mercado: entusiasmo global versus críticas de puristas

O impacto da série na comunidade internacional foi imediato. Desde o lançamento, fãs relataram ter descoberto o webtoon depois de assistir à série, mas, segundo Joo, essa tendência está se invertendo. O autor afirma que, atualmente, mais leitores chegam ao material original antes de assistir à Netflix. Essa mudança indica que a adaptação funcionou como porta de entrada, mas que o próprio webtoon está ganhando protagonismo.

Entretanto, nem todos celebram a postura distante de Joo. Alguns puristas argumentam que a falta de envolvimento pode resultar em decisões de roteiro que distorcem a mensagem original, como a simplificação de personagens ou a remoção de críticas sociais sutis. Por outro lado, há quem defenda que a liberdade criativa do diretor gera versões mais ousadas, capazes de atrair um público que talvez não se interessasse por um webtoon puro.

Do ponto de vista comercial, a estratégia da Netflix de adaptar conteúdo asiático tem se mostrado lucrativa, e o sucesso de All of Us Are Dead reforça a tendência de buscar histórias já testadas em mercados locais. O fato de Joo já ter visitado oito países demonstra que a obra transcendeu barreiras culturais, tornando‑se um ponto de convergência para fãs de horror, cultura coreana e narrativas escolares.

O que esperar: próximos passos para Joo e para o universo All of Us Are Dead

Com a visita a Los Angeles concluída, Joo segue para o México, onde planeja encontros com leitores locais. Ele também mencionou seu novo projeto, Adonai, que mistura cultos e alienígenas, e que tem gerado debates acalorados sobre seu final. Embora ainda não haja tradução oficial para o inglês, a expectativa é que a demanda internacional acelere esse processo.

Do ponto de vista da Netflix, ainda não há anúncios oficiais de uma segunda temporada ou spin‑off, mas o desempenho sólido da primeira temporada sugere que a plataforma pode explorar novas narrativas dentro do mesmo universo – talvez focando em outras escolas ou em personagens secundários. Enquanto isso, a comunidade de webtoons coreanos continua a crescer, impulsionada por eventos como o que ocorreu em Los Angeles.

Para os fãs, a mensagem clara de Joo é que a obra está viva e em constante expansão: “Todos os meus trabalhos são como filhos”. Essa metáfora indica que ele continuará a criar, experimentar e, possivelmente, permitir que outras equipes adaptem suas histórias sem sua intervenção direta.

O lado que ninguém está vendo

A postura de Dong‑geun Joo pode ser interpretada como um ato de confiança no talento dos diretores ocidentais, mas também como uma estratégia de preservação da própria identidade criativa. Ao se afastar da adaptação, ele evita o risco de ser rotulado como “autor controlador”, o que poderia limitar futuras colaborações internacionais. Essa escolha, porém, tem um preço: quando a adaptação falha, o criador não tem argumentos de “eu avisei”.

Além disso, ao permitir que o público descubra o webtoon após a série, Joo cria um ciclo de retroalimentação que fortalece tanto o original quanto a versão televisiva. Essa sinergia pode servir de modelo para outros criadores de webtoons que desejam alcançar o mercado global sem perder a essência de suas narrativas.

Em última análise, a experiência de Joo ilustra como a globalização dos conteúdos de nicho – como zumbis em escolas coreanas – pode transformar um hobby local em um fenômeno cultural mundial. Se a Netflix continuará a investir em adaptações de webtoons ou se Joo decidirá assumir um papel mais ativo nas próximas versões, ainda é incerto. Mas uma coisa é clara: o apetite do público por histórias que misturam horror, drama adolescente e crítica social está longe de acabar.

Perguntas frequentes

Por que Dong-geun Joo escolheu zumbis para seu primeiro webtoon? ▾
Ele sempre foi fã de filmes de zumbis como Dawn of the Dead e 28 Days Later, e achou que seria natural criar uma história sobre o tema que mais gostava.
Qual foi o envolvimento de Joo na série da Netflix? ▾
Joo recebeu o roteiro da adaptação, mas nunca o abriu, preferindo assistir ao produto final e deixar o diretor reinterpretar sua obra.
O que os fãs internacionais dizem sobre All of Us Are Dead? ▾
Inicialmente muitos descobriram o webtoon após a série, mas hoje mais leitores chegam ao material original antes de assistir à adaptação, indicando crescimento da base de fãs.
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