Duck, You Sucker! (1971) é o western menos assistido de Sergio Leone, mas ainda assim reúne ação, humor e crítica social em uma combinação rara.
Fato: Duck, You Sucker! ainda é o western menos visto de Leone
Segundo o site de comunidade cinematográfica Letterboxd, o filme de 1971 tem o menor número de visualizações entre os westerns do diretor italiano, ficando atrás apenas da produção de 1961 "The Colossus of Rhodes". Apesar da baixa audiência, a obra conta com a trilha sonora icônica de Ennio Morricone, duas das maiores estrelas da época – James Coburn e Rod Steiger – e um roteiro que mistura a revolução Mexicana com uma relação de "frenemies" entre os protagonistas.
Contexto: por que importa
Leone é conhecido mundialmente por sua trilogia "Man With No Name", que inclui "A Fistful of Dollars", "For a Few Dollars More" e "The Good, the Bad and the Ugly". Esses títulos definiram o gênero spaghetti western e alavancaram a carreira de Clint Eastwood. Contudo, o diretor continuou a explorar o oeste em outras épocas e geografias, culminando em "Duck, You Sucker!" – também conhecido como "A Fistful of Dynamite". O filme se passa na fronteira mexicana em 1910, quando a revolução contra o regime de Porfirio Díaz começava a ganhar força.
Além de ser um marco histórico, a produção traz duas questões relevantes para o debate atual: a prática de "brownface" – quando atores brancos interpretam personagens latinos – e a forma como a violência é romantizada em narrativas de revolução. Embora a crítica contemporânea aponte esses problemas, o filme também oferece uma reflexão sobre lealdade, traição e a ambiguidade moral dos anti-heróis.
Reação dos fãs/mercado
O público que conhece "Duck, You Sucker!" costuma dividir-se entre admiradores fervorosos e espectadores que o consideram confuso. Entre os pontos positivos mais citados estão:
- Performance de James Coburn: o ator interpreta John, um especialista em explosivos com um sotaque irlandês exagerado, que traz humor involuntário ao filme.
- Rod Steiger como Juan: embora a escolha de um ator branco para o papel de bandido mexicano seja controversa, a energia de Steiger cria uma química única com Coburn.
- Trilha sonora de Morricone: temas como "The Good, the Bad and the Ugly" são substituídos por arranjos mais melancólicos que acompanham a revolução.
- Direção de Leone: a montagem de cenas de batalha, o uso de close-ups extremos e a narrativa não linear demonstram a evolução do diretor.
Por outro lado, críticos apontam a falta de coesão narrativa e a dificuldade de conectar o espectador com personagens moralmente ambíguos. O filme também sofre com a percepção de ser "excessivamente longo" – sua versão original tem 147 minutos – e com a edição internacional que cortou partes importantes da trama.
O que esperar
Se você ainda não assistiu, vale a pena dar uma chance ao western de 1971. A experiência pode ser enriquecida ao considerar alguns aspectos:
- Entenda o contexto histórico: conhecer a Revolução Mexicana ajuda a compreender as motivações dos personagens e a relevância das cenas de combate.
- Foque nas relações: a dinâmica entre Coburn e Steiger – rivalidade, parceria e eventual camaradagem – é o coração da história.
- Aprecie a trilha sonora: deixe que Morricone conduza as emoções; ele costuma antecipar momentos críticos antes mesmo de eles acontecerem na tela.
- Ignore as imperfeições técnicas: a edição irregular e alguns diálogos forçados são compensados pela visão única de Leone sobre o western.
Além disso, o filme pode ser visto como um precursor de obras que misturam ação e crítica social, como "The Last of the Mohicans" (1992) e "Django Unchained" (2012). A mistura de humor negro e violência estilizada influenciou diretores contemporâneos que buscam subverter o gênero.
Para ficar no radar
Embora ainda não tenha alcançado o status de clássico como "The Good, the Bad and the Ugly", "Duck, You Sucker!" tem potencial para ganhar mais atenção nas plataformas de streaming, especialmente com curadorias temáticas de westerns. A tendência de revisitar obras subestimadas pode levar o filme a um novo público, que valoriza tanto a estética de Leone quanto a discussão sobre representatividade.
Em resumo, o western de 1971 oferece uma combinação rara de ação, humor e crítica histórica que merece ser redescoberta. Se você é fã de cinema clássico, de histórias de revolução ou simplesmente busca um western diferente, dê uma chance a "Duck, You Sucker!" – pode ser a surpresa que faltava na sua lista de filmes indispensáveis.


