TL;DR: A Epic Games surpreendeu no Summer Game Fest ao revelar End of Abyss, um survival horror metroidvania, e Out of Words, um co‑op platformer artístico, ambos prometendo inovar em seus gêneros.
O que aconteceu?
No último Summer Game Fest, a Epic Games – mais conhecida por Fortnite – apresentou dois projetos que imediatamente se destacaram nas demonstrações. O primeiro, End of Abyss, foi desenvolvido pela Section 9 e combina a estética de Limbo e Little Nightmares com a dificuldade de Dark Souls. O segundo, Out of Words, saiu da WiredFly e Kong Orange, trazendo um mundo artesanal onde dois adolescentes, Kurt e Karla, perdem a voz e precisam cooperar sem diálogos convencionais.
Como chegamos aqui?
A Epic tem investido em publicações independentes nos últimos anos, buscando diversificar seu portfólio além do battle‑royale. Essa estratégia ficou evidente quando, em 2024, a empresa anunciou parcerias com estúdios menores. A decisão de colocar End of Abyss e Out of Words sob sua bandeira reflete um movimento da indústria: grandes publishers apoiando experiências de nicho que, de outra forma, teriam dificuldade de alcançar um público amplo.
End of Abyss: por que o horror está evoluindo?
O jogo se passa em um complexo subterrâneo infestado por criaturas fúngicas. A câmera fixa e a iluminação escassa criam uma atmosfera claustrofóbica, lembrando os primeiros títulos de Metroidvania. Porém, o diferencial está no combate twin‑stick: o jogador só pode atirar ao alinhar a mira com o stick direito, exigindo precisão quase cirúrgica. Além disso, o sistema de stamina ilimitada permite rolamentos constantes, mas a penalidade por falhar é severa – a morte reinicia o combate contra todos os inimigos, embora upgrades sejam mantidos.
- Design de nível: labirintos interconectados que recompensam a exploração.
- Gestão de recursos: munição escassa, crafting limitado e pontos de salvamento estratégicos.
- Dificuldade: chefão centopédeo que nem os desenvolvedores conseguiram derrotar na primeira tentativa.
Esses elementos colocam o jogo em um patamar acima de muitos títulos indie que tentam replicar o estilo Metroidvania sem oferecer risco real ao jogador.
Out of Words: arte que fala mais alto que o som
Ao contrário do horror, Out of Words aposta em uma estética feita à mão, combinando animação 2D tradicional com técnicas de stop‑motion. Cada movimento dos personagens parece ter sido desenhado frame‑a‑frame, o que confere peso a cada salto e queda. O som, inspirado nas vibrações alienígenas de Arrival, complementa a experiência, criando uma imersão sensorial única.
O jogo também introduz mecânicas cooperativas inovadoras: para atravessar certas áreas, um jogador deve segurar uma criatura enquanto o outro voa, exigindo timing perfeito. Essa dinâmica vai além de puzzles simples; é um teste de comunicação não‑verbal entre os parceiros.
- Estilo visual: tudo desenhado à mão, com cores pastel e sombras dramáticas.
- Design sonoro: efeitos que lembram ruídos cósmicos, reforçando o clima onírico.
- Co‑op profunda: necessidade de sincronização constante, quase como um balé.
O que vem depois?
Ambos os títulos ainda não têm data oficial de lançamento – ainda não confirmado – mas a Epic Games já sinalizou que pretende disponibilizá‑los nas principais plataformas, incluindo PC, xbox series x|s e playstation 5. A expectativa é que End of Abyss chegue primeiro, aproveitando a base de fãs de horror que tem crescido com lançamentos como Resident Evil 4 Remake. Já Out of Words pode se tornar um ponto de referência para futuros jogos cooperativos que buscam fugir do diálogo tradicional.
Para a comunidade gamer, o que isso significa? Primeiro, mais opções de qualidade fora do mainstream. Segundo, uma prova de que grandes publishers ainda podem ser curadores de experiências artísticas, não apenas de títulos comerciais de massa. Se a Epic mantiver o ritmo, podemos ver um renascimento de jogos indie com apoio robusto, algo que a indústria tem clamado há anos.
A aposta da redação
Nosso ponto de vista é claro: End of Abyss tem tudo para se tornar um cult classic do horror, enquanto Out of Words pode redefinir como vemos a cooperação nos games. Ambos carregam riscos – a dificuldade extrema de End of Abyss pode afastar jogadores casuais, e a dependência de comunicação não‑verbal em Out of Words pode limitar seu apelo. Ainda assim, a coragem de lançar projetos tão diferentes demonstra que a Epic Games está disposta a arriscar, e isso é um sopro de ar fresco num mercado saturado.
Se você ainda não adicionou esses títulos à sua lista de desejos, faça isso agora. Eles prometem não apenas entreter, mas também expandir os limites do que consideramos “jogo”.


