Escape the Backrooms já bateu a marca de 4 milhões de jogadores depois que Blackbird Interactive e Secret Mode entraram na jogada como parceiros de co‑development.
O que aconteceu
O fenômeno The Backrooms começou como um meme de 4chan em 2019, mas rapidamente virou um universo inteiro de wikis, vídeos virais e até um filme que quebrou recordes de bilheteria. No mundo dos games, o conceito de “espaços liminais” virou referência para títulos como The Exit 8. Entre mais de 270 jogos que usam o termo “Backrooms” no título, nenhum conseguiu superar o sucesso de Escape the Backrooms.
O indie Fancy – um criador de conteúdo no YouTube que também estuda e trabalha em tempo parcial – lançou o game em Early Access na steam em agosto de 2022. O título chegou a quase 1.000 jogadores simultâneos (CCU) e, após três grandes atualizações, atingiu 16,5 K CCU em janeiro de 2024. O ritmo parou quando Fancy decidiu portar o jogo para consoles e percebeu que precisava de ajuda.
Em agosto de 2025, Fancy anunciou a parceria com Secret Mode, publicadora britânica conhecida por Chained Together e Still Wakes the Deep. Secret Mode trouxe expertise em publicação e marketing, mas ainda precisava de um time de desenvolvimento para enfrentar os desafios técnicos das versões de console.
É aí que a Blackbird Interactive entrou. A empresa, que já trabalhou em Subnautica e Hardspace: Shipbreaker, viu na oportunidade de co‑dev uma forma de aplicar sua experiência em porting e atualizações de grande escala. Os dois estúdios já eram “irmãos” por meio da Emona Capital, o que facilitou a colaboração.
Como chegamos aqui
O projeto interno da Blackbird recebeu o codinome Project Minotaur** e começou oficialmente em setembro de 2025. O escopo inicial foi dividido em três frentes:
- Entregar a versão 1.0 para PC, xbox e PS5 até outubro de 2023 (na prática, outubro de 2025).
- Desenvolver do zero a versão para Switch 2, com lançamento previsto para início de 2026.
- Adicionar novos recursos e atualizações regulares para manter a comunidade engajada.
Nos primeiros dias, a equipe contava apenas com um produtor e um engenheiro líder. Até outubro, o time cresceu para incluir um designer técnico, um artista 3D e dois engenheiros sênior focados em builds de console. O grande obstáculo? Fancy entregou um código sem pipelines de build automatizados nem documentação – nada que um estúdio de porte médio costuma ter.
Blackbird teve que “desenterrar” a combinação exata de plugins, SDKs e branches do Unreal Engine 4 que o indie usava. Foi como abrir um baú de loot sem mapa: muita tentativa e erro, mas a experiência da equipe em engenharia de sistemas ajudou a montar um pipeline de CI/CD decente.
Um problema inesperado surgiu nas primeiras semanas de teste das versões de console: a camada de rede não suportava matchmaking peer‑to‑peer em certos firewalls. No PC o Steam cuidava disso, mas consoles exigem APIs próprias. A boa notícia foi que a Blackbird já tinha resolvido questão similar em Minecraft Legends, então reutilizaram a solução e refatoraram a camada de rede.
Com o networking resolvido, a equipe decidiu adotar o Epic Online Services para unificar matchmaking, lobbies e, eventualmente, cross‑play entre PC, Xbox, PS5 e Switch 2. Essa escolha também abriu a porta para o jogo entrar no Xbox Game Pass.
Enquanto isso, Secret Mode manteve o foco em marketing, comunicação com a comunidade e preparação para o lançamento simultâneo nos consoles. O timing acabou coincidindo com o anúncio do filme da A24, The Backrooms, que estreou em 29 de maio de 2026. A sincronia ajudou a gerar ainda mais hype.
O que vem depois
Quando a atualização 1.0 finalmente chegou ao Steam, o pico de jogadores subiu para mais de 48 K – quase três vezes o recorde anterior – e 93 % das quase 10 K avaliações foram positivas. A comunidade recebeu bem o novo sistema de cosméticos da Winter Wanderer, que introduziu 11 trajes diferentes para diferenciar visualmente os jogadores.
Em junho de 2026, a versão para PS5 e Xbox foi lançada um dia antes da estreia do filme, enquanto a versão para Switch 2 saiu em 7 de julho. No mesmo mês, Escape the Backrooms tornou‑se o jogo mais baixado no PlayStation Store na América do Norte e Europa.
O contrato de co‑development foi renovado para garantir suporte contínuo. Blackbird continuará a trabalhar em novos níveis, eventos sazonais e melhorias de performance, enquanto Secret Mode vai expandir seu time interno para assumir parte da produção a médio prazo.
Os próximos passos incluem:
- Implementar eventos temáticos ligados ao universo dos Backrooms (ex.: “Festival das Luzes Fluorescentes”).
- Expandir o cross‑play para incluir suporte a partidas de realidade virtual em plataformas compatíveis.
- Desenvolver DLCs que explorem novas “camadas” da realidade liminal, inspiradas nas fan‑fictions mais populares.
Além disso, a parceria mostrou que co‑development pode ser a resposta para indies que desejam escalar sem perder a identidade original. Como disse o presidente da Blackbird, Rory McGuire, “o que realmente importa é como os parceiros reagem quando as coisas dão errado”. E, convenhamos, no desenvolvimento de games sempre dá errado.
Para ficar no radar
Se você ainda não entrou na fila de jogadores, agora é a hora: o jogo está disponível no PC (Steam), Xbox Series X|S, PlayStation 5 e Switch 2. Fique de olho nas próximas atualizações, que prometem trazer mais conteúdos inspirados nos memes que fizeram os Backrooms virais (sim, aquele meme do “don’t look back” ainda vai aparecer).
Em resumo, a união de um indie ambicioso, uma publicadora experiente e um estúdio de co‑dev veterano conseguiu transformar um projeto de nicho em um fenômeno de massa. Resta saber se o próximo salto será tão grande quanto o hype do filme, mas, por enquanto, a gente só tem a agradecer ao Fancy por não ter desistido quando a vida virou um labirinto amarelo.


