Event Horizon tem apenas 36% no Rotten Tomatoes, mas se tornou um cult clássico que ainda atrai maratonas de fãs de sci‑fi no Brasil.
O que aconteceu
O filme de 1997, dirigido por Paul W.S. Anderson, acompanha a tripulação de uma nave espacial enviada para investigar o desaparecimento da Event Horizon, que reapareceu misteriosamente após anos sem contato. Ao invés de um típico thriller de monstros espaciais, a obra mergulha no horror psicológico, usando medos pessoais dos personagens como arma principal. Apesar de ter sido duramente criticado na época – a maioria das avaliações apontou roteiro confuso e excesso de clichês – a atmosfera sombria e o visual inovador ganharam seguidores ao longo dos anos.
O sucesso posterior não foi imediato; o filme só começou a ser redescoberto nas plataformas de streaming, quando algoritmos de recomendação começaram a sugerir títulos obscuros para quem gostava de Alien ou O Exterminador do Futuro. No Brasil, o retorno foi impulsionado por discussões em grupos de Discord e fóruns como o Reddit r/Filmes, onde usuários compartilhavam trechos das cenas de terror e debatiam a simbologia da nave como uma metáfora da própria existência.
Como chegamos aqui
Vários fatores contribuíram para a reavaliação de Event Horizon:
- Redescoberta nas plataformas de streaming: serviços como Netflix e Amazon Prime começaram a incluir o filme em catálogos de “clássicos de horror”.
- Influência de criadores de conteúdo: YouTubers brasileiros de cinema, como Loop Infinito e Filmes & Pipoca, fizeram análises detalhadas que destacaram a originalidade da narrativa.
- Contexto cultural: a década de 1990 passou a ser vista como um período de experimentação no gênero, e o visual “retro‑futurista” de Anderson combina bem com a estética nostálgica que a comunidade geek atual aprecia.
Além de Event Horizon, a lista original do ComicBook.com trazia mais três obras que sofrem o mesmo destino: Equilibrium, The Thirteenth Floor e TRON: Legacy. Cada uma delas tem um ponto forte que compensa a pontuação baixa no Rotten Tomatoes.
Equilibrium, estrelado por Christian Bale, apresenta um mundo onde emoções são suprimidas por um medicamento. A coreografia de lutas – o famoso “gun kata” – ainda impressiona, e a trilha sonora sombria cria um clima de tensão constante. The Thirteenth Floor explora realidades simuladas antes de Matrix popularizar o conceito, oferecendo um visual noir que ainda ressoa com fãs de cyberpunk. Já TRON: Legacy (2010) traz a estética neon‑cibernética que influenciou a moda gamer dos últimos anos, além de uma trilha sonora icônica de Daft Punk que ainda ecoa em playlists de TikTok.
O que vem depois
Para o público brasileiro, a tendência é que esses filmes continuem a ganhar espaço nas discussões de cultura geek, especialmente em eventos como a CCXP. Programas de curadoria de streaming podem criar coleções temáticas – por exemplo, “Sci‑fi Cult dos Anos 90” – facilitando a descoberta por novos espectadores. Além disso, a popularização de podcasts de cinema, como Podcast da Sétima Arte, tende a aprofundar a análise desses títulos, trazendo entrevistas com críticos que reavaliam suas próprias notas.
Com a crescente valorização de obras “underrated”, é provável que mais títulos com notas baixas no Rotten Tomatoes recebam atenção renovada. Isso cria um ciclo virtuoso: quanto mais o público discute, mais as plataformas recomendam, e maior a chance de esses filmes se tornarem parte do cânone nerd brasileiro.
O que falta saber
Embora a crítica tradicional ainda mantenha suas notas baixas, a experiência coletiva dos fãs demonstra que a qualidade de um filme de sci‑fi não pode ser medida apenas por porcentagens. Para quem ainda não assistiu, vale a pena conferir Event Horizon e os outros três títulos citados, principalmente nas versões em alta definição disponíveis nas plataformas de streaming. A combinação de atmosferas únicas, trilhas sonoras marcantes e conceitos que antecederam tendências atuais faz desses filmes peças essenciais para quem quer entender a evolução do gênero.
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