Durante o Busan indie Connect Festival 2026, Shuhei Yoshida, ex‑executivo da PlayStation, alertou desenvolvedores indie a não rotular seu título como "turn‑based RPG". A recomendação foi aplicada ao projeto Clair Obscur: Expedition 33, que acabou se tornando um sucesso inesperado.
Por que a etiqueta "turn‑based RPG" ainda carrega estigma?
Yoshida destacou que, embora o gênero tenha fãs dedicados, ele costuma ser percebido como antiquado por parte do público ocidental. Essa percepção pode ser fruto de duas tendências:
- Associação a fórmulas repetitivas: muitos títulos recentes repetem mecânicas clássicas sem inovação.
- Comparação com títulos AAA: jogos de grande orçamento tendem a focar em ação em tempo real, deixando o turno‑based como nicho.
Para o público brasileiro, onde a comunidade de RPGs de mesa ainda é forte, o preconceito pode ser ainda mais pronunciado, pois gamers costumam buscar experiências mais “dinâmicas”.
Como a estratégia de branding mudou a percepção do jogo
Ao invés de anunciar "turn‑based RPG", a equipe de Sandfall Interactive passou a usar termos como "batalhas reativas" e "combinação de turn‑based com ação em tempo real". Essa mudança trouxe benefícios claros:
| Aspecto | Antes (turn‑based RPG) | Depois (batalhas reativas) |
|---|---|---|
| Expectativa do jogador | Jogos lentos, pouco interativos | Combinação de estratégia e rapidez |
| Visibilidade nas lojas | Filtros de gênero limitados | Novas tags de busca |
| Recepção da imprensa | Comparações com títulos antigos | Enfoque em inovação mecânica |
Essas alterações permitiram que Expedition 33 fosse descoberto por jogadores que normalmente evitariam um "turn‑based RPG" tradicional.
O que realmente importa para o fã brasileiro?
Para o público nacional, alguns pontos são decisivos ao escolher um título indie:
- Apelo visual: capas que lembram ação tendem a atrair mais cliques nas lojas digitais.
- Comunicação clara: termos como "reactive" ou "action‑infused" sinalizam que o jogo não será monótono.
- Suporte local: legendas em português e comunidades ativas aumentam a retenção.
Ao alinhar a mensagem do jogo com essas expectativas, a equipe de Expedition 33 conseguiu captar atenção mesmo em um mercado saturado.
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Jogadores que buscam nostalgia pura: ainda podem procurar por “turn‑based RPG” e encontrar títulos clássicos, mas devem estar cientes de que o ritmo pode ser mais lento.
Quem prefere ação rápida: o rótulo “batalhas reativas” é o mais indicado, pois indica que haverá momentos de decisão em tempo real.
Desenvolvedores indie: a lição de Yoshida é clara – entender o viés do público e adaptar o branding pode ser tão crucial quanto a qualidade do gameplay.
Onde isso pode dar
Se a estratégia de Yoshida for adotada por mais publishers, poderemos ver um aumento de títulos que misturam turn‑based e ação, criando um subgênero híbrido. Para o Brasil, isso significa mais opções que conciliam a tradição dos RPGs de mesa com a velocidade exigida pelos gamers de console.
Além disso, a mudança de nomenclatura pode abrir portas para novos canais de divulgação, como influenciadores que evitam jogos rotulados como “JRPG”.
O que falta saber
Embora a estratégia tenha funcionado para Expedition 33, ainda não há dados concretos sobre como isso impactou as vendas no mercado brasileiro. Acompanhar relatórios de plataformas como steam e a resposta da comunidade em fóruns locais será essencial para validar a eficácia da abordagem.
Por fim, desenvolvedores devem permanecer atentos ao equilíbrio entre honestidade de gênero e marketing estratégico – exagerar na mudança pode gerar frustração se a experiência não corresponder às expectativas criadas.


