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Extraordinary X-Men: por que a fase de Jeff Lemire merece releitura

· · 4 min de leitura
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extraordinary x-men durou apenas 20 edições entre 2016 e 2017, mas carrega o estigma de pior fase mutante da década — injustiça que uma releitura sem o peso do momento histórico ajuda a corrigir.

Fato: a série foi vítima do momento, não da qualidade intrínseca

Quando Jeff Lemire assumiu os mutantes no pós-Guerras Secretas, a Marvel estava no auge do empurrão dos inumanos como substitutos dos X-Men no universo cinematográfico. As Névoas Terrígenas — liberadas no final de Infinito — envenenavam mutantes, forçando a equipe a refugiar a Escola jean grey no Limbo, dimensão demoníaca governada por Magia. O status quo era tóxico por decreto editorial, não por escolha criativa.

Contexto: por que importa revisitar essa fase agora

Com a chegada dos mutantes ao MCU, leitores novos e antigos vão vasculhar a história recente da franquia. Extraordinary X-Men costuma aparecer no fundo do poço em rankings de fóruns, geralmente só acima de x-men gold. O problema: a rejeição mistura frustração com a era Inumanos — crossovers intermináveis, morte do Ciclope fora de painel, tom depressivo — com a execução real de Lemire. Separar as coisas muda o veredito.

Lemire vinha de Old Man Logan Vol. 2 e Cavaleiro da Lua, duas séries aclamadas justamente pelo foco em voz interna e relações. Ele tentou trazer isso para um elenco grande: tempestade líder insegura, Magia lidando com uma jovem mutante de poderes demoníacos, Noturno mais sombrio, colossus recluso, Homem de Gelo, Velho Logan e a Jean Grey adolescente fugindo do destino de Fênix. Havia matéria-prima para uma novela de super-heróis clássica.

Reação dos fãs e mercado: o peso dos crossovers

A recepção na época foi de decepção progressiva. Não porque a escrita fosse ruim, mas porque a Marvel não deixou a série respirar. Em menos de dois anos, Extraordinary X-Men foi arrastada para:

  • guerras apocalipse (Apocalypse Wars) — o melhor dos crossovers, rendeu a versão extrema do Glob Herman
  • Inumanos vs. X-Men
  • Múltiplos tie-ins de eventos menores

Cada arco próprio de Lemire era interrompido por mandato editorial. O resultado: uma sensação de sprint, não de construção. Fóruns como r/xmen e CBR ainda hoje repetem o consenso de "pior fase", mas quem relê isolando os números de Lemire — especialmente os cinco primeiros e o final — encontra diálogos afiados e dinâmicas que funcionam.

O que funciona e o que não funciona

Acertos: a relação Velho Logan/Jean Grey é o coração da série — protetora, paternal, sem romantização barata. Magia ganha subtrama própria ajudando uma mutante condenada pelos próprios poderes demoníacos. Tempestade carrega o peso de líder sem rede de apoio, e Lemire escreve sua dúvida sem torná-la incompetente. A arte de Humberto Ramos (maioria dos números) dá energia cinética que disfarça o roteiro apertado.

Falhas reais: Noturno grimdark soa fora de personagem mesmo com explicação posterior. Colossus passa tempo demais em segundo plano. O final apressado — a série termina para dar lugar a x-men blue/Gold na iniciativa RessurrXion — deixa pontas soltas. Mas são falhas de tempo e espaço, não de visão.

A aposta da redação: leia pulando os tie-ins

Se você vai revisitar Extraordinary X-Men, a estratégia é simples: leia os números 1 a 5, pule Guerras Apocalipse (ou leia só o tie-in da série principal), retome do 13 ao 20. O miolo é onde Lemire consegue fazer o trabalho de personagem que a Marvel não deixou ele terminar. Não é uma obra-prima escondida — é uma série competente sufocada por circunstância. Dez anos depois, o mínimo que a gente faz é separar o joio do trigo editorial.

Vale a pena? Sim, se você gosta de X-Men como novela de personagens. Não, se procura arcos épicos autossuficientes. O veredito final: a história não reescreve a mitologia, mas prova que Jeff Lemire entendia those mutantes melhor do que a editora que o contratou.

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