A Square Enix confirmou duas expansões de história para Final Fantasy VII: Revelation — uma centrada em Sephiroth e outra em Vincent com os Turks — mas a decisão soa como reciclagem de personagens que já tiveram jogos próprios, filmes e aparições em Kingdom Hearts, enquanto o elenco de apoio que construiu Midgar segue sem espaço.
Fato: Square Enix anuncia DLCs de Sephiroth e Vincent para Revelation
O capítulo final da trilogia Remake receberá duas expansões narrativas no modelo do Episode Intermission de Final Fantasy VII Remake. A primeira colocará o jogador no controle de Sephiroth, o vilão mais icônico da franquia; a segunda focará em Vincent Valentine e nos Turks, organização de elite da Shinra. Ambos os personagens já protagonizaram títulos derivados — Crisis Core: Final Fantasy VII para o primeiro (embora com Zack Fair como protagonista, Sephiroth é central na trama) e Dirge of Cerberus: Final Fantasy VII para o segundo — além de aparecerem em Advent Children e na série Kingdom Hearts.
Contexto: por que a escolha parece conservadora
A trilogia Remake já expandiu drasticamente a presença de Sephiroth. Ele aparece desde o primeiro capítulo de Remake, muito antes de sua estreia no original de 1997, e Rebirth aprofunda suas motivações e o projeto Jenova. Dar a ele uma DLC própria no jogo que deve encerrar sua saga no remake soa como excesso — o personagem já ocupa o centro das atenções na campanha principal.
Vincent, por sua vez, ganhou protagonismo em Dirge of Cerberus (2006), que explorou seu passado com Lucrecia, Hojo e os experimentos da Shinra. A DLC sugerida — seja um prelúdio com os Turks ou um epílogo pós-Revelation — adiciona camadas a um arquivo já volumoso. O problema não é a qualidade esperada; a Square Enix costuma entregar bem nessas expansões. A questão é oportunidade: cada hora de desenvolvimento gasta aqui é uma hora não gasta em personagens que o jogador controlou por dezenas de horas mas mal conhece.
Reação da comunidade: pedidos por Barret, Tifa e a Avalanche
Fóruns como Reddit, ResetEra e o fórum oficial da Square Enix mostram um padrão claro: jogadores querem ver o lado humano da resistência. Barret Wallace tem um arco entre a destruição de Corel, a perda de Dyne e a fundação da Avalanche em Midgar que Rebirth tocou, mas não esgotou. Tifa Lockhart chegou a Midgar criança, sobreviveu ao massacre de Nibelheim, reconstruiu a vida no Setor 7 e se juntou à Avalanche — tudo isso acontece antes de Cloud entrar no Seventh Heaven.
Uma DLC dupla ou campanha única com Barret e Tifa permitiria:
- Mostrar o recrutamento de Jessie, Biggs e Wedge — personagens que Remake tornou queridos, mas cujo passado segue vago.
- Explorar a dinâmica da Avalanche inicial: operações de sabotagem, infiltração na Shinra, primeiras baixas.
- Dar peso emocional à queda da placa do Setor 7 no jogo principal: o jogador teria vivido a construção daquela comunidade.
- Introduzir Turks novatos, rivais da Shinra ou até células da Avalanche em outros setores — expandindo o mundo sem depender dos mesmos rostos de sempre.
O que falta saber: o custo de oportunidade das expansões
A Square Enix não detalhou janelas de lançamento, preço ou se as DLCs serão vendidas separadas ou em passe de temporada. O escopo prometido — "semelhante a Episode Intermission" — sugere 4 a 6 horas cada. Isso é tempo significativo de desenvolvimento que poderia servir a um prelúdio da Avalanche, algo que nenhum jogo, anime ou filme da franquia cobriu com profundidade.
Há também a questão do final de Revelation. Se a trilogia encerrar o arco de Sephiroth de forma definitiva (como o original fez), uma DLC pós-jogo com ele vira fan service puro. Vincent, por ser opcional no original, sempre teve aura de "segredo"; transformá-lo em conteúdo pago extra reforça a sensação de que a Square Enix trata o elenco principal como coadjuvante de seus próprios ícones.
A aposta da redação: Midgar merece mais que seus fantasmas
Sephiroth e Vincent são marcas registradas, vendem camisetas e estampam capas. Mas Final Fantasy VII só existe porque gente comum — um pai adotivo com braço mecânico, uma artista marcial que gerencia um bar, um trio de técnicos idealistas — decidiu enfrentar uma corporação que suga a vida do planeta. A trilogia Remake teve a coragem de humanizar Cloud, Aerith e até Rufus Shinra. Deixar Barret, Tifa e a Avalanche de fora do último suspiro de conteúdo adicional é, no mínimo, uma ironia trágica: os heróis que salvaram o mundo não ganham o epílogo; os vilões e anti-heróis ganham.
A Square Enix ainda pode surpreender. Uma terceira DLC não anunciada, um update gratuito ou até o próximo projeto da Creative Business Unit I podem corrigir o rumo. Por ora, a mensagem que fica é clara: o passado de Midgar é mais interessante que o futuro de seus fantasmas mais famosos.


