Forza Horizon 6 é realmente leve para o PC?
A resposta curta é sim, mas com ressalvas importantes. Forza Horizon 6 — o novo capítulo da franquia de corrida da Playground Games — chega ao mercado com uma otimização base que merece aplausos, permitindo que o título rode com fluidez em hardwares que já deveriam estar aposentados. No entanto, a promessa de "next-gen" através do Ray Tracing (RT) parece mais um peso morto do que uma evolução técnica real. Enquanto o jogo base voa baixo em placas gráficas de entrada, ativar os efeitos de luz e reflexos via RT é o equivalente a puxar o freio de mão em uma curva a 200 km/h.
É inegável que o estúdio fez um trabalho louvável ao garantir que o jogo não seja um devorador de memória ram ou um pesadelo para processadores modestos. O que incomoda, contudo, é a implementação das tecnologias de upscaling. Tanto o DLSS (Nvidia) quanto o FSR (AMD) parecem estar com problemas de entrega, oferecendo ganhos de performance marginais e, em alguns casos, artefatos visuais irritantes, como o famoso ghosting em detalhes dos veículos.
Como o Ray Tracing afeta o desempenho?
O impacto é, para dizer o mínimo, desproporcional. Em testes realizados com placas como a RTX 4060, o jogo entrega uma performance sólida em configurações extremas, mas basta habilitar os reflexos e a iluminação global por Ray Tracing para que a taxa de quadros caia pela metade. Não se trata apenas de uma perda de performance, mas de uma falta de justificativa visual: em muitos cenários, a iluminação padrão rasterizada do jogo já é tão competente que o custo de processamento do RT não se traduz em uma melhoria estética que justifique a perda de fluidez.
- Placas de entrada: Sofrem quedas críticas abaixo dos 30fps com RT ligado.
- Placas topo de linha: Embora mantenham a jogabilidade, perdem a vantagem da alta taxa de atualização.
- Estética: O ganho visual é restrito a superfícies específicas, como poças d'água e vidros de arranha-céus, sendo quase imperceptível em movimento.
Por que os upscalers estão falhando?
A promessa de DLSS 4 e FSR 4 é entregar mais quadros sem sacrificar a fidelidade, mas em Forza Horizon 6, a realidade é outra. A implementação atual sofre com problemas de nitidez e a presença constante de rastros fantasmagóricos em antenas e spoilers. É frustrante ver que, em vez de atuar como uma solução mágica para rodar o jogo em resoluções maiores, o upscaling acaba gerando um ruído visual que distrai o jogador durante as corridas. Para quem busca uma experiência competitiva, a recomendação atual é manter o DLAA ou o TAA nativo, sacrificando alguns quadros em nome da estabilidade da imagem.
Onde isso pode dar?
O futuro de Forza Horizon 6 no PC depende quase inteiramente de patches de correção. A base técnica é sólida, e o fato de o jogo rodar de forma aceitável até em um steam deck é uma vitória para a acessibilidade. O problema é que a Playground Games parece ter tentado forçar uma "vitrine tecnológica" com o Ray Tracing que o motor do jogo ainda não consegue sustentar com eficiência.
Se você é um entusiasta que não abre mão de ver reflexos perfeitos em cada centímetro da lataria, prepare-se para investir em hardware de última geração ou aceitar uma experiência abaixo dos 60fps. Por outro lado, se você prioriza a jogabilidade e a fluidez, a melhor aposta é desativar os recursos de iluminação avançada e focar em uma configuração personalizada que privilegie a taxa de quadros. Forza Horizon 6 é um jogo de corrida fantástico, mas sua obsessão por "novas tecnologias" está, ironicamente, atrapalhando a experiência que ele mesmo se propõe a oferecer.


