TL;DR: O jogo Future? No Thanks! utilizou IA em uma pequena fração do código e em vozes sintéticas, embora seu criador denuncie a tecnologia como "tecnofascista".
O que é o jogo Future? No Thanks! e qual o seu objetivo?
Future? No Thanks! é um título satírico de código aberto que mistura humor político de esquerda com mecânicas de simulação de economia planejada. Lançado na Steam em 2026, o jogo coloca o jogador em um futuro onde a inteligência artificial domina aspectos cotidianos, permitindo ao desenvolvedor criticar tanto o uso irresponsável da IA quanto suas possíveis aplicações benéficas.
Como a IA foi utilizada no desenvolvimento de Future? No Thanks!?
Paulo "Molleindustria" Pedercini, criador do jogo, admitiu que recorreu a ferramentas generativas de IA – especificamente chatgpt e claude – para resolver bugs nas fases finais do projeto. Ele descreve o uso como "uma fração diminuta do código", empregada para:
- Diagnosticar glitches de carregamento de uma frame.
- Corrigir shaders que deixaram de funcionar após atualizações do motor.
- Realizar buscas semânticas avançadas em trechos de código.
Por que o criador considerou a IA um “projeto tecnofascista”?
Pedercini argumenta que a IA, ao ser monopolizada por grandes corporações, se torna um instrumento de controle econômico e cultural, afastando criadores independentes e consumindo recursos energéticos. Em seu blog, ele descreve a IA como "anti‑humano e anti‑arte", ressaltando que seu uso indiscriminado pode levar à perda de empregos criativos e à violação de direitos autorais.
Quais partes do jogo contêm conteúdo gerado por IA?
De acordo com o desenvolvedor, apenas duas áreas foram afetadas por geração automática:
- Código: pequenas correções de bugs e otimizações de shaders.
- Vozes: cerca de dois minutos de fala sintética para personagens satíricos.
Todo o restante – arte, narrativa, design de níveis – foi criado manualmente por Pedercini e sua equipe.
Qual a postura do desenvolvedor sobre o uso futuro de IA em jogos?
Embora reconheça a utilidade prática da IA para tarefas pontuais, Pedercini defende que a comunidade de desenvolvedores indie deve buscar "espaços de resistência" contra a dependência excessiva da tecnologia. Ele enfatiza que a exigência de divulgação de uso de IA já se tornou padrão em festivais de 2026, mas alerta que a busca por padrões éticos individuais pode ser insuficiente diante de problemas estruturais.
Onde encontrar mais informações sobre a controvérsia?
Para quem quiser aprofundar o debate, os seguintes recursos são recomendados:
- Blog oficial de Pedercini (post sobre a divulgação de IA).
- Discussões no Bluesky, onde trechos removidos do artigo original ainda circulam.
- Reações de outros desenvolvedores, como Damon Reece (Eternal Strands) e Dante Douglas (Airborne Empire).
Essas fontes ajudam a mapear como a indústria está reagindo às exigências de transparência e às críticas éticas.
O que falta saber?
Até o momento, não há detalhes públicos sobre quais modelos de IA específicos foram usados além dos nomes citados, nem sobre possíveis licenças de áudio para as vozes sintéticas. Também não foi divulgado se o jogo passará por atualizações que removam ou substituam o conteúdo gerado por IA.
O debate continua aberto, e a comunidade acompanha de perto como outros projetos indie vão lidar com a mesma questão.


