TL;DR: De 7 a 8 de setembro, o Game Poem Jam desafia desenvolvedores a criar jogos‑poemas jogáveis no navegador. Shuhei Yoshida, ex‑chefe indie da PlayStation, e Jordan Magnuson, criador do TIGSource, são os jurados principais.
Por que o Game Poem Jam está mexendo com a cena indie?
- Juízes de renome. Shuhei Yoshida, que ajudou a lançar títulos como Journey e Bloodborne, e Jordan Magnuson, mentor de projetos como Fez, trazem credibilidade de peso. A presença deles garante que o critério não será apenas “bonito”, mas também inovador.
- Formato híbrido: código + verso. O jam pede que a obra seja jogável em um browser, mas também que funcione como poema. Isso força os participantes a pensar em ritmo, concisão e emoção, como se estivessem escrevendo um haikai digital.
- Ferramentas e recursos gratuitos. Magnuson disponibiliza um capítulo de seu livro aberto sobre Game Poems, com exercícios práticos e uma lista de softwares leves (twine, pico‑8, construct). Até quem nunca programou pode começar a brincar.
- Premiação que vale a pena. Além do reconhecimento, os vencedores recebem giftcards da steam – o que, convenhamos, é o combustível dos devs indie. Não é só moral, é dinheiro para comprar assets.
- Panel de jurados diversificado. O júri inclui Cash DeCuir (narrativa de Disco Elysium), John Lau (designer de South of the Circle), Claudio Pollina (professor de artes visuais) e Jenna Jovi (roteirista de games e cinema). Cada um traz um olhar diferente sobre como poesia pode se manifestar nos games.
- Sem barreiras de idioma. O jam aceita submissões em qualquer língua, contanto que o jogo seja jogável no navegador. Isso abre espaço para poetas digitais de todo o planeta, do Brasil ao Japão.
O conceito de "game poem" não é novidade para quem acompanha a comunidade indie, mas a formalização em um jam dedicado ainda é rara. Magnuson define o gênero como "uma expressão pessoal de curta duração que rompe as fronteiras tradicionais entre formas de arte". Ele se inspira em poetas clássicos como Goethe e Emily Dickinson, mas traduz essa inspiração para loops de gameplay que duram menos de dois minutos.
Para quem ainda está na dúvida, vale lembrar que o TIGSource – fórum fundado por Magnuson – foi berço de projetos como Minecraft e Papers, Please. A mesma comunidade que ajudou a incubar esses sucessos agora está sendo convocada a criar micro‑experiências poéticas. É quase como se o próprio fórum estivesse se transformando em um grande poema interativo.
Como participar sem perder a cabeça (ou o Wi‑Fi)
- Inscreva‑se na página do jam no Itch.io antes do dia 7 de setembro.
- Assista ao seminário de introdução de Magnuson às 11h (horário do Reino Unido) via zoom – o link está na mesma página.
- Escolha um tema – que será revelado ao final do seminário – e comece a rascunhar ideias em papel ou em um editor de texto.
- Desenvolva seu protótipo usando ferramentas que exportem para HTML5; nada de Unity pesado que precise de download.
- Envie o link jogável e um pequeno manifesto poético (máximo de 200 palavras) até a meia‑noite do dia 8.
O prazo apertado pode assustar, mas lembre‑se de que a ideia é experimentar, não entregar um AAA. Muitos dos jogos‑poemas mais comentados surgiram de protótipos feitos em uma única tarde. Se o seu objetivo é apenas sentir o gosto de misturar código e verso, já está valendo a pena.
Um detalhe que costuma passar despercebido: a submissão tem que ser acessível via navegador, mas não há restrição de plataforma de desenvolvimento. Isso significa que quem prefere python + flask, ou até mesmo JavaScript puro, tem a mesma chance que quem usa o PICO‑8. A diversidade de ferramentas pode gerar resultados inesperados, e isso é exatamente o que o jam quer.
O que falta saber?
Além das regras básicas, fique de olho nas redes sociais do National Film & Television School (NFTS) – eles costumam divulgar dicas de última hora e até entrevistas rápidas com os jurados. Também vale acompanhar o feed do jam no Itch.io, onde participantes compartilham screenshots e pequenos trechos de código.
Se o seu objetivo é usar o jam como vitrine para um portfólio, lembre‑se de documentar todo o processo: rascunhos, iterações, falhas e tudo mais. Os jurados apreciam transparência e a capacidade de contar uma história por trás do jogo‑poema. E, claro, não esqueça de colocar um link para seu perfil no Itch ou no GitHub – networking ainda é a moeda mais valiosa no indie.
Por fim, prepare‑se para ser surpreendido. A combinação de poesia literária e mecânicas de jogo pode gerar desde experiências meditativas até críticas sociais ácidas, tudo em menos de dois minutos. Quando a gente pensa que já viu de tudo, um Game Poem Jam chega para provar que ainda há muito espaço para a criatividade romper fronteiras.


