Google reportou que, no terceiro trimestre de 2026, o crescimento da receita proveniente da busca desacelerou, com os cliques pagos subindo apenas 8% em relação ao mesmo período do ano passado.
O que aconteceu
De acordo com o relatório de resultados trimestrais da Alphabet, controladora do Google, o número de consultas realizadas na ferramenta de busca está crescendo no ritmo mais rápido dos últimos cinco anos. Mesmo com esse aumento de demanda, a receita gerada por anúncios de busca — o principal motor de lucro da empresa — registrou um crescimento anual de apenas 12%, bem abaixo dos 17% observados no trimestre anterior.
Além disso, o volume de cliques pagos, ou seja, os cliques em anúncios que efetivamente geram receita, teve sua taxa de crescimento reduzida de 13% para 8% no mesmo período. Esse duplo abrandamento indica que, embora mais usuários estejam digitando termos de pesquisa, menos deles estão convertendo em cliques que pagam pelos anúncios.
Vale ressaltar que a Alphabet não detalhou o impacto direto da inteligência artificial (IA) nos números, mas a menção de que a empresa ainda "não descobriu como fazer a IA pagar como seu motor de busca" sugere que os investimentos em recursos de IA ainda não se traduziram em retorno financeiro significativo.
Como chegamos aqui
Para entender a queda no ritmo de crescimento, é preciso analisar alguns fatores que se acumulam desde a introdução de recursos de IA nas buscas:
- Integração de IA nos resultados: O Google tem inserido respostas geradas por IA diretamente nas páginas de resultados, reduzindo a necessidade de cliques em links patrocinados.
- Concorrência de plataformas emergentes: Serviços como o Bing, que também adotam IA generativa, estão capturando parte do tráfego de buscas, especialmente em nichos de tecnologia.
- Mudança no comportamento do usuário: Usuários cada vez mais confiam nas respostas instantâneas fornecidas pelos assistentes virtuais, diminuindo a navegação tradicional.
- Pressão regulatória: Investigações antitruste em várias jurisdições podem limitar a forma como o Google monetiza seus resultados de busca.
Esses elementos combinam-se para criar um cenário onde a simples contagem de consultas não garante aumento de receita. A IA, ao oferecer respostas completas dentro da própria página de resultados, elimina etapas intermediárias — como a visita a um site patrocinado — que antes eram essenciais para a monetização.
Além disso, a própria estratégia de preços dos anúncios tem sido revisada. O Google tem buscado equilibrar a experiência do usuário com a necessidade de manter anunciantes satisfeitos, o que pode levar a ajustes nos lances e nas políticas de segmentação, impactando o volume de cliques pagos.
O que vem depois
Com a desaceleração observada, a Alphabet provavelmente vai intensificar esforços para transformar a IA em um ativo comercial mais direto. Entre as possibilidades que a empresa tem considerado estão:
- Introduzir formatos de anúncios baseados em IA, como respostas patrocinadas que se misturam ao conteúdo gerado pela IA.
- Expandir a oferta de ferramentas de marketing que utilizem aprendizado de máquina para otimizar campanhas em tempo real.
- Explorar modelos de assinatura para usuários que desejam uma experiência de busca livre de anúncios, gerando uma nova fonte de receita.
Outra tendência provável é a maior colaboração com parceiros de e‑commerce, permitindo que a IA conduza o usuário diretamente à compra dentro da própria página de resultados, reduzindo a necessidade de cliques externos.
Entretanto, a empresa ainda enfrenta o desafio de equilibrar a transparência da IA com a confiança do usuário. Caso as respostas geradas não sejam percebidas como confiáveis, o tráfego pode migrar para concorrentes que ofereçam maior clareza ou controle ao usuário.
Para ficar no radar
Os próximos relatórios trimestrais da Alphabet serão cruciais para avaliar se as estratégias de monetização da IA terão efeito. Analistas do setor recomendam observar:
- A taxa de crescimento da receita de busca nos próximos trimestres.
- Qual a participação dos novos formatos de anúncios baseados em IA nos ganhos totais.
- Reações regulatórias que possam limitar práticas de segmentação de anúncios.
Enquanto isso, anunciantes deverão repensar suas estratégias, investindo mais em criativos que se integrem ao novo modelo de respostas geradas por IA, ao invés de depender exclusivamente de cliques tradicionais.


