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Cinema e Series

Gotham completa 100 episódios e encerra em 2019

· · 4 min de leitura
Imagem de Gotham — Gotham completa 100 episódios e encerra em 2019
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Gotham estreou em 22 de setembro de 2014 e, ao longo de cinco temporadas, chegou a 100 episódios antes de encerrar em 25 de abril de 2019. A série conseguiu virar cult ao reinventar vilões clássicos e ao nunca mencionar o nome do Batman, apesar de tudo girar em torno da cidade que o geraria.

O que aconteceu

A Fox lançou Gotham como um drama policial ambientado antes da existência do Cavaleiro das Trevas. O criador Bruno Heller explicou que, assim que Batman aparecesse, a série perderia seu foco humano. O piloto atraiu 8,21 milhões de telespectadores, número acima da média das adaptações de quadrinhos na TV aberta, e garantiu à produção um contrato de renovação por cinco temporadas.

Os primeiros episódios mostraram um jovem Bruce Wayne (David Mazouz) investigando a morte dos pais, enquanto o detetive James Gordon (Ben McKenzie) lutava contra uma criminalidade ainda incipiente. Personagens icônicos como Selina Kyle, Oswald Cobblepot (Robin Lord Taylor) e Edward Nygma (Cory Michael Smith) foram introduzidos como adolescentes ou jovens adultos, ainda longe das versões super‑poderosas dos quadrinhos.

A série também trouxe figuras como Barbara Kean, Ra's al Ghul e Bane, mas todos operavam como ameaças para Gordon, não para um Batman inexistente. Mesmo com essas mudanças drásticas, Gotham manteve boa parte da audiência, embora tenha perdido mais da metade dos espectadores até a quinta temporada, quando a média caiu para cerca de 3,7 milhões.

Como chegamos aqui

Para justificar a ausência dos heróis mascarados, os roteiristas comprimiram décadas de história em poucos anos, fazendo com que a galeria de vilões crescesse ao lado de Gordon. Essa “aritmética” permitiu que Cobblepot evoluísse de mensageiro de um mafioso para o temido Pinguim, enquanto Nygma passava de técnico forense desajeitado ao Riddler.

Algumas decisões foram impostas pelos direitos autorais. A Warner Bros. proibiu o uso do nome e da cor verde do Joker, reservando-os para os filmes. Em resposta, a produção criou Jerome Valeska (Cameron Monaghan), um “proto‑Joker” que apareceu pela primeira vez em "The Blind Fortune Teller" (16/02/2015). O ator acabou interpretando dois irmãos – Jerome e Jeremiah – que encarnaram diferentes facetas da insanidade jokersca, gerando um dos vilões mais lembrados da série.

Outras alterações surgiram por necessidade de produção. Poison Ivy começou como criança e foi envelhecida através de um dispositivo narrativo, já que a atriz adulta transmitia melhor o aspecto sedutor da personagem. Essa escolha foi admitida pelo produtor executivo Ken Woodruff em 2017.

Mesmo com a queda de audiência, a Fox renovou a série quatro vezes, culminando em uma sexta temporada de 12 episódios que completou a marca dos 100 episódios – número estratégico para bibliotecas de streaming e para contratos de licenciamento.

Ao longo da trajetória, a crítica foi se tornando mais favorável. Enquanto a primeira temporada tinha 76% no Rotten Tomatoes, a quinta chegou a 85%, refletindo a aceitação de um tom mais operático e menos apologético.

  • Premissa original: Batman sem Batman.
  • Compressão de linhas do tempo para reunir vilões jovens.
  • Restrição de uso do nome "Joker" gerou o personagem Jerome Valeska.
  • Renovações apesar da queda de audiência.
  • 100 episódios como marco de longevidade.

O que vem depois

Com o fim da série, o legado de Gotham permanece vivo nas plataformas de streaming, onde ainda atrai novos fãs que buscam uma visão alternativa da origem dos vilões de Gotham City. A ausência do nome "Batman" na conclusão – um homem em capa bat‑like que surge apenas nos últimos minutos – virou ponto de discussão entre os espectadores brasileiros, que costumam comparar a série com as adaptações cinematográficas.

Para quem ainda não assistiu, a maratona completa oferece mais de 2.200 minutos de conteúdo que mistura crime noir, drama adolescente e toques de horror. A série também influenciou outras produções televisivas que ousam reinterpretar personagens clássicos, mostrando que restrições de direitos podem gerar criatividade inesperada.

Embora não haja planos confirmados de reboot ou spin‑off oficial, o sucesso cult de Gotham mantém viva a esperança de que novos projetos explorem a mesma abordagem de focar na cidade antes do herói, algo que ainda falta nas séries atuais da DC.

Para ficar no radar

Se você acompanha o universo DC, vale revisitar Gotham para entender como uma série pode transformar limitações em identidade própria. A produção demonstra que, ao colocar a cidade como protagonista, dá‑se espaço para que vilões ganhem profundidade e que o próprio mito do Batman seja sugerido sem nunca ser nomeado. Essa fórmula, ainda pouco explorada, pode servir de inspiração para futuras adaptações que queiram fugir do óbvio e entregar algo realmente original ao público geek brasileiro.

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