TL;DR: GROTESQQQUE chega como um filme‑anime antologia dividido em três curtas; dois brilham visualmente e emocionam, enquanto o terceiro sacrifica profundidade por excesso de ação.
O que faz de GROTESQQQUE um experimento digno de atenção?
O diretor Atsushi Nishigori descreveu a obra como uma "refeição de três pratos" feita com tudo que ele curte: garotas fofas, monstros, mechas e, claro, uma pitada de fetiche autoral. Cada segmento tem identidade própria, mas o objetivo comum é deixar o espectador "cheio" ao final. Vamos destrinchar os pontos altos (e os baixos) em formato de ranking, porque todo mundo adora uma boa lista.
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A(E)liens – O prato principal colorido
Esse primeiro curta apresenta Eli, uma alienígena parecida com uma menina‑polvo que tenta se enturmar num planeta que desconfia de visitantes. A animação explode em cores vibrantes e as transformações corporais da protagonista dão um toque de body‑horror que, paradoxalmente, a torna ainda mais simpática. O tema de discriminação é tratado de forma leve, mas suficiente para dar coesão ao caos visual.
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Nocturne: Nuit Grotesque – A sobremesa melancólica
Depois da adrenalina, o filme desacelera com um drama pós‑apocalíptico sobre quatro vampiras que vagueiam por um mundo inóspito. A trilha sonora troca o J‑pop frenético por composições clássicas, reforçando o clima introspectivo. A ideia de almas vampíricas imortais sendo fonte de dor, ao invés de consolo, traz uma camada filosófica inesperada, lembrando situações de "Girls' Last Tour" misturadas com a melancolia de Marceline de "Adventure Time".
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Yoroshiku Girl – O prato que tenta, mas falha
Este segmento, dirigido por Takahiro Miura, mergulha num universo de realidade virtual repleto de garotas‑guerreira e violência estilizada. A animação é de tirar o fôlego e o design de personagens é muito estiloso, mas a história se perde em ação constante, deixando pouco espaço para desenvolvimento emocional. Se fosse parte de um filme maior, talvez encontrasse tempo para crescer, mas aqui parece um trailer que nunca chega ao fim.
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Qualidade de animação – O ponto alto constante
Independentemente do segmento, a direção de arte de Tomoyuki Arima, Akane Iwakuma e Satoko Nakamura garante um visual premium. Cada curta tem um estilo próprio – do hyper‑pop de "A(E)liens" ao sombreamento elegante de "Nocturne" – mas todos compartilham um nível de detalhe que eleva o filme ao patamar de "Redline" em termos de fluidez. Mesmo o segmento mais caótico não sacrifica a clareza visual.
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Trilha sonora e direção de som – Um mix que funciona
Da direção de som de Daiki Hachimaki surge uma paisagem sonora que acompanha a mudança de tom entre os curtas. Enquanto o primeiro e o segundo entregam batidas eletrônicas e orquestrações épicas, o terceiro mergulha em atmosferas mais sombrias, reforçando a narrativa de vampiros. Essa variação impede que o filme se torne monótono, algo raro em antologias.
A escolha da redação
Se você curte anime que abraça o exagero sem medo – pense em obras de Hiroyuki Imaishi – GROTESQQQUE tem muito a oferecer. O ponto forte está na diversidade visual e na coragem de misturar gêneros tão distintos. Por outro lado, quem busca uma trama coesa pode se sentir perdido, principalmente ao assistir "Yoroshiku Girl", que parece mais um desfile de efeitos do que uma história completa.
Em termos de classificação geral, o filme recebe um B+ – sólido o suficiente para recomendar aos fãs de anthologias ousadas, mas com a ressalva de que a experiência pode ser um pouco “over‑stimulating”. Se você gosta de tudo que Nishigori curte, prepare a pipoca e aproveite a refeição de três pratos.


