TL;DR: Roger Ebert avaliou quatro filmes que usam o recurso de loop temporal, dando três estrelas a três deles e, surpreendentemente, elevando Groundhog Day de três para quatro estrelas depois de doze anos.
O que aconteceu
Em 1993, o crítico de cinema Roger Ebert lançou sua primeira avaliação oficial de Groundhog Day, o clássico de Bill Murray dirigido por Harold Ramis. Na primeira leitura, ele concedeu três estrelas (de quatro), elogiando a premissa e a atuação, mas ainda não tinha captado a profundidade filosófica que o filme viria a representar.
Quinze anos depois, em 2005, Ebert revisitou o filme para sua série "Great Movies" e, desta vez, lhe concedeu a nota máxima: quatro estrelas. Ele descreveu o protagonista Phil Connors como "Hamlet em um sitcom" e destacou a mensagem de autoaperfeiçoamento.
Enquanto isso, o alemão Run Lola Run (1998) chegou ao radar de Ebert em 1999. Ele deu três estrelas, chamando-o de "um filme fechado sobre si mesmo" – um termo que antecedeu a popularização do jargão "closed loop".
Em 2009, o thriller espanhol Timecrimes (original Los Cronocrímenes) recebeu novamente três estrelas, apesar de Ebert admitir que a temática de viagem no tempo o irritava. Ele elogiou a execução impecável da trama paradoxal.
Por fim, em 2011, Source Code, dirigido por Duncan Jones e estrelado por Jake Gyllenhaal, foi agraciado com a maior nota da lista: três estrelas e meia. Ebert considerou o filme "engenhoso" mesmo que a ciência fosse "preposterous".
Como chegamos aqui
O que Ebert não tinha em 1993 era um vocabulário pronto para descrever o que hoje chamamos de "filmes de loop temporal". Cada um desses títulos chegou ao crítico como uma curiosidade isolada, sem a bagagem de um gênero já consolidado. Isso fez com que ele tivesse que construir, do zero, a linguagem para explicar como o tempo se repetia e quais eram as implicações narrativas.
Ao longo das duas décadas seguintes, o conceito de loop temporal evoluiu de um truque de roteiro para um verdadeiro subgênero, com regras próprias, piadas recorrentes e uma comunidade de fãs dedicada. Esse amadurecimento do gênero ajudou Ebert a reinterpretar Groundhog Day com mais maturidade, reconhecendo sua influência cultural que, entre outras coisas, virou material de sermões e aulas de filosofia.
Além disso, a própria trajetória dos filmes ajudou a mudar a percepção do crítico:
- Groundhog Day – De comédia romântica a estudo sobre redenção pessoal.
- Run Lola Run – De thriller de ação a experimento estilístico sobre causa e efeito.
- Timecrimes – De simples suspense a labirinto de paradoxos que exige diagramas.
- Source Code – De ficção científica de ação a reflexão sobre identidade e sacrifício.
Essas reavaliações mostram como o contexto cultural pode mudar a forma como críticos e público percebem uma obra.
O que vem depois
Depois da morte de Ebert em 2013, o loop temporal explodiu como premissa de sucesso em filmes, séries e até games. Produções como Edge of Tomorrow (2014), Happy Death Day (2017) e Palm Springs (2020) levaram a fórmula a novos patamares, misturando humor, ação e romance.
Para quem quer mergulhar nesse universo, a lista de Ebert ainda é um ponto de partida sólido. Três dos quatro filmes estão disponíveis gratuitamente com anúncios em plataformas como Tubi e Plex, enquanto Run Lola Run pode ser encontrado em serviços de streaming como Hulu e Starz.
Se a sua curiosidade ainda não está saciada, vale ficar de olho nas próximas produções que prometem brincar com o conceito de tempo. A tendência é que roteiristas continuem a explorar loops não apenas como mecânica, mas como ferramenta para aprofundar personagens e temas existenciais.
Para ficar no radar
Resumo rápido para quem tem pressa: Groundhog Day acabou virando um clássico cult e ganhou a avaliação máxima de Ebert depois de 12 anos; Run Lola Run foi pioneira ao chamar o loop de "closed loop"; Timecrimes mostrou que até um orçamento minúsculo pode entregar um quebra-cabeça temporal impecável; e Source Code recebeu a nota mais alta da lista, provando que um thriller inteligente ainda pode surpreender.
Se você ainda não assistiu a nenhum desses, a recomendação é começar por Groundhog Day (para sentir a evolução da crítica) e depois seguir para Source Code, que combina ação e filosofia de forma mais moderna. Depois, mergulhe em Run Lola Run e Timecrimes para fechar o ciclo.


