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Harvey Smith cria estúdio de immersive sims: a dúvida que pode matá‑los

· · 5 min de leitura
Jogador usando headset VR faz agachamento com halteres ao lado de um console e garrafa de água
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Harvey Smith, veterano da arkane Studios, anunciou a criação de um estúdio inteiro dedicado aos immersive sims e, ao mesmo tempo, levantou a temida pergunta: se o gênero está morto, isso pode torná‑lo realidade.

O que são immersive sims e por que eles importam?

Immersive sims (simuladores imersivos) são jogos que combinam liberdade de ação, mecânicas de furtividade, combate e narrativa ramificada, permitindo ao jogador escolher como resolver cada situação. Títulos como dishonored, bioshock e deus ex são exemplos clássicos que ainda são citados décadas depois de seu lançamento. A fórmula atrai jogadores que buscam agência total e mundos repletos de detalhes, tornando‑a um nicho culturalmente valioso dentro da indústria.

Por que Harvey Smith acha que a pergunta pode ser uma profecia autorrealizável?

Em entrevista ao The Game Business, Smith questionou: “Em algum ponto você se preocupa… perguntas como essa criam uma profecia autorrealizável?”. Ele argumenta que, ao repetir o discurso de que “immersive sims não vendem”, desenvolvedores podem acabar abandonando o investimento naquilo que ainda tem público fiel. A própria história mostra que jogos que sobreviveram ao tempo – BioShock, Deus Ex, Dishonored – continuam gerando receita, provando que o medo pode ser mais prejudicial que a realidade.

Quais são os argumentos a favor de que immersive sims ainda têm futuro?

Smith e seus colegas, Ben Horne e Ricardo Bare, apontam três pilares que sustentam a esperança no gênero:

  • Legado cultural: títulos icônicos ainda são discutidos em fóruns, streams e análises, mantendo o interesse vivo.
  • Comunidades apaixonadas: jogos indie como gloomwood demonstram que há demanda por experiências de simulação imersiva, mesmo em escala menor.
  • Inovação tecnológica: a integração de captura de movimento e atores de Hollywood, como previram alguns executivos, pode abrir novas formas de narrativa dentro do gênero.

Quais são os riscos de um estúdio dedicado exclusivamente a immersive sims?

Apesar do otimismo, há perigos claros:

  1. Escala de produção: grandes títulos AAA exigem orçamentos enormes; falhas podem ser catastróficas financeiramente.
  2. Expectativas do mercado: grandes investidores ainda veem FPS e RPGs como seguros, o que pode limitar financiamento.
  3. Saturação de nicho: focar demais em um único estilo pode afastar jogadores que buscam variedade.

Horne reconhece que “não somos bons em seguir tendências”, mas acredita que a melhor estratégia é “agruparmo‑nos em torno de uma visão criativa que excite nós, desenvolvedores, e o público que já ama esse tipo de jogo”.

Como a nova equipe de Arkane pretende equilibrar visão criativa e viabilidade comercial?

A resposta de Smith é simples: voltar ao que eles amam e colocar uma “forte visão” no centro do desenvolvimento. Ele cita conselhos de executivos que costumam dizer que “jogos em primeira pessoa não vendem” ou que “RPGs são nicho”. Smith rebate que essas afirmações ignoram o sucesso de títulos em primeira pessoa que vendem milhões, e que a paixão dos desenvolvedores pode transformar um nicho em um sucesso de vendas se a execução for correta.

Para concretizar essa filosofia, o estúdio planeja:

  • Manter equipes pequenas para garantir controle de qualidade e foco narrativo.
  • Investir em ferramentas que permitam maior liberdade de design sem inflar custos.
  • Construir parcerias com atores e diretores de cinema para explorar a tendência de “cenas de vídeo ao vivo” que alguns executivos previram.

Onde isso pode dar

Se o estúdio de Smith conseguir entregar um título que combine a profundidade de Dishonored com a inovação de tecnologia de captura de performance, ele pode redefinir o que significa um “immersive sim” no mercado contemporâneo. Um sucesso poderia inspirar outros grandes estúdios a investir novamente em jogos de design aberto, reabastecendo um ciclo de criatividade que tem sido estagnado por anos de foco em fórmulas de receita garantida.

Por outro lado, se o projeto falhar comercialmente, a narrativa de que “immersive sims não vendem” ganhará ainda mais força, desencorajando futuros investimentos. Isso criaria um efeito dominó, onde desenvolvedores independentes seriam forçados a migrar para gêneros mais “seguros”, reduzindo a diversidade de experiências nos consoles e PC.

O que está em jogo, portanto, não é apenas a sobrevivência de um gênero, mas a própria saúde da criatividade dentro da indústria de games. A aposta de Smith pode ser o ponto de inflexão que revitaliza os sims imersivos ou, se mal executada, o último suspiro de um estilo que já deveria ter sido relegado ao nicho.

FAQ

  • {"q": "O que caracteriza um immersive sim?", "a": "Um immersive sim oferece liberdade de abordagem, combinando furtividade, combate e narrativa ramificada, permitindo ao jogador escolher como resolver cada situação."}
  • {"q": "Por que Harvey Smith acha perigoso perguntar se o gênero está morto?", "a": "Ele acredita que esse tipo de pergunta pode se tornar uma profecia autorrealizável, desestimulando investimentos e afastando desenvolvedores do gênero."}
  • {"q": "Qual a estratégia do novo estúdio de Arkane?", "a": "Focar em uma visão criativa forte, manter equipes pequenas, investir em tecnologia de captura de performance e buscar parcerias com atores de Hollywood para criar experiências inovadoras."}
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