hbo max publicou no X um vídeo que corta a entrevista onde Ryan Reynolds diz "faria totalmente um cameo" em Lanterns com cenas dele voando como lanterna verde no filme de 2011. A postagem, feita em 4 de setembro de 2026, marca o ator e usa a hashtag da série. Fãs nos comentários acusam Reynolds de ter passado uma década criticando o longa antes de pedir para voltar.
O que aconteceu
A conta oficial da HBO Max no X soltou um vídeo de 15 segundos ontem. A edição começa com o trecho da entrevista recente onde Reynolds afirma: "I would totally do a cameo in that. I love it". Em seguida, corta para John Stewart e Hal Jordan — os protagonistas de Lanterns — olhando para o céu. Hal solta um "What the f--k is that" e a imagem muda para Reynolds no uniforme verde do filme de 2011, voando no espaço com o anel brilhando.
A legenda era só "Spotted" com a arroba do ator e a hashtag #Lanterns. Sem comunicado de imprensa, sem anúncio de elenco, sem "em negociações". Apenas a piada pronta, servida no formato nativo da plataforma. O vídeo já passa de 2 milhões de visualizações em poucas horas.
Nos comentários, a recepção não foi unânime. Um usuário escreveu: "Vocês passaram a melhor parte de uma década sujando o nome do Lanterna Verde". Outro: "Lá vai a DC, se defendendo sozinha kkk". Um terceiro, mais direto: "Ryan falou mal do filme por dez anos e agora de repente quer 'voltar'. Não."
Como chegamos aqui
O contexto pesa. Lanterns estreou como a grande aposta da HBO Max para o DCU na televisão — lançamento semanal, não binge, orçamento de cinema, showrunner com passagem por True Detective. A série veio depois de superman (2025), que funcionou como reset tonal do universo, e de supergirl, que decepcionou nas bilheterias e na crítica no meio do ano. O cancelamento de Spider-Noir na Prime Video, após uma temporada com 92% no Rotten Tomatoes, serviu de lembrete: série de herói na TV não tem garantia de sobrevida.
Reynolds, por sua vez, construiu a carreira pós-Lanterna Verde em cima da autodepreciação. Fez piada do filme em deadpool, em entrevistas, no marketing da Aviation Gin. A frase "gift that keeps on giving" — "presente que não para de dar" — dita na mesma entrevista onde pede o cameo, resume a estratégia: transformar o fracasso em running gag lucrativo.
A HBO Max conhece esse jogo. A resposta em vídeo não é improviso: é social media team alinhado com a estratégia da série. Lanterns precisa de conversa, de memes, de engagement. O vídeo entrega os três. Se Reynolds realmente aparece no episódio 5 ou no final da temporada, o buzz já está pago.
O que vem depois
Três cenários plausíveis, nenhum confirmado:
- Cameo real no final da temporada: Reynolds aparece como Hal Jordan de outra Terra ou como versão alternativa do próprio filme de 2011 — o multiverso permite.
- Participação de voz ou holograma: Menos custo, menos logística, mesmo efeito de marketing.
- Nada além da piada: O vídeo foi só community management esperto. Reynolds volta para Deadpool & wolverine e a série segue com seu elenco principal.
O que não muda: Lanterns precisa provar que sustenta audiência sem stunt casting. O episódio 3, segundo análises recentes, escondeu pistas sobre os Guardiões que podem reescrever a origem de John Stewart. Isso importa mais que qualquer cameo.
Reynolds tem histórico de transformar piadas em contratos — vide Deadpool na Fox, a compra do Wrexham, o próprio marketing da Maximum Effort. Se ele quer o anel de volta, a HBO Max acabou de dar o primeiro passo público. O segundo depende de advogados, agendas e de quanto a Warner Discovery quer gastar num ator que já zombou do próprio IP.
A aposta da redação
O vídeo é troll de nível profissional. Funciona porque assume a contradição: Reynolds odeia o filme, mas ama a atenção que ele gera. A HBO Max não precisa confirmar nada — o hype já aconteceu. Se o cameo vier, vira lenda. Se não vier, a piada continua valendo.
O risco real é a fadiga. O público de herói já viu esse filme: ator zoa papel antigo, pede para voltar, estúdio faz tease, nada acontece. Lanterns tem material próprio forte — o mistério dos Guardiões, a dinâmica John/Hal, a construção do Corpo. Não precisa de Deadpool verde para segurar a audiência.
Mas num mercado onde Spider-Noir morre com 92% no Tomatômetro, qualquer arma no arsenal de marketing vale. Até um vídeo de 15 segundos no X.


