Roger Ebert concedeu quatro estrelas — a nota máxima — a cinco filmes de ficção científica que, apesar de alguns serem sucessos estrondosos, outros foram verdadeiros fiascos de bilheteria.
Por que a avaliação de Ebert ainda ecoa nos debates de fãs?
O crítico de Chicago tinha um jeito único de separar o hype da essência. Enquanto a maioria dos críticos seguia o consenso, Ebert mergulhava nos detalhes técnicos, na atmosfera e na mensagem subjacente. Essa postura fez com que filmes como inception e alien fossem venerados por ele, mesmo quando o público os dividia. Hoje, revisitar essas escolhas revela como a crítica pode antecipar tendências ou, ao contrário, ficar à margem da percepção popular.
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Inception (2010)
Christopher Nolan entregou um quebra‑cabeça mental que mistura sonhos e realidade, e Ebert celebrou a ousadia narrativa, chamando‑a de "um ato de malabarismo cinematográfico". O crítico elogiou a capacidade do filme de permanecer original em um mercado saturado de sequências. Por outro lado, alguns espectadores acharam o final confuso demais, o que gerou discussões acaloradas sobre a intenção do diretor.
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Alien (1979)
Ridley Scott criou um horror espacial que redefiniu o gênero, e Ebert destacou a evolução visual do monstro, que nunca revela totalmente sua forma. Ele valorizou o ritmo lento que permite ao medo se instalar gradualmente. Contudo, críticos da época o compararam desfavoravelmente a Star Wars, acusando‑o de ser demasiado sombrio para o público de massa.
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avatar (2009)
James Cameron trouxe um salto tecnológico com efeitos 3D que, segundo Ebert, serviam à narrativa e não eram mera ostentação. O crítico também elogiou a mensagem anti‑guerra que permeia a história de Pandora. Apesar do sucesso de bilheteria, alguns argumentam que o roteiro é previsível, o que gera um contraste entre a apreciação de Ebert e a crítica contemporânea.
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cloud atlas (2012)
O ambicioso projeto dos irmãos Wachowski e Tom Tykwer recebeu apenas 65% no Rotten Tomatoes, mas Ebert viu nele uma demonstração de "qualidades oníricas" que o deixava querendo revê‑lo. Ele admirou a interconexão de histórias ao longo de séculos, algo que poucos críticos perceberam. A falha de bilheteria e a complexidade da trama, porém, afastaram grande parte do público.
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Sky Captain and the World of Tomorrow (2004)
Com um elenco estrelado — Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow e Jude Law — o filme tentou reviver a estética dos serials dos anos 30 usando CGI. Ebert comparou a experiência ao primeiro encontro com Raiders of the Lost Ark, celebrando sua capacidade de “escapar da imaginação direto para a tela”. A crítica geral considerou o filme pretensioso e ele acabou sendo um flop financeiro, mas a visão de Ebert permanece como defesa de sua proposta lúdica.
“É como um filme que escapou da imaginação diretamente para a tela, sem precisar passar pela realidade.” – Roger Ebert
Onde isso pode dar
Ao analisar o legado desses cinco títulos, percebemos que a avaliação de Ebert ainda serve como referência para quem busca mais do que números de bilheteria. Seu critério enfatiza a inovação, a imersão atmosférica e a mensagem subjacente, aspectos que muitos espectadores hoje ainda valorizam em debates online.
Se o público continuar a dividir opiniões, esses filmes podem ganhar novas gerações de admiradores que descobrirão, através de listas como esta, o que realmente fez Ebert levantar a caneta para conceder quatro estrelas. Em última análise, a discussão mostra que a crítica de qualidade pode sobreviver ao tempo, mesmo quando o mercado não acompanha.
Portanto, ao escolher seu próximo maratona de sci‑fi, considere o ponto de vista de Ebert como um convite a olhar além do brilho das bilheterias e explorar o que realmente faz um filme permanecer relevante.


