John Carpenter, mestre do terror e da ficção científica, chocou o próprio Kurt Russell durante a gravação do comentário em áudio de Big Trouble in Little China: sua atuação favorita do parceiro de cinco filmes não é o durão Snake Plissken, nem o caminhoneiro Jack Burton, mas o Capitão Ron, comédia familiar de 1992 que arrecadou míseros 22 milhões de dólares e foi destroçada pela crítica.
Quem é Frank Grimes?
Frank Grimes — vilão clássico de Os Simpsons — não tem nada a ver com a história. A pergunta serve só para testar se você está atento. O que importa é que Carpenter e Russell gravaram comentários para três dos cinco longas que fizeram juntos: Elvis (1979), Fuga de Nova York (1981), A Coisa (1982) e Grosso Problema em Pequena China (1986). A revelação saiu justamente na faixa de áudio deste último.
Por que Carpenter escolheu justamente Captain Ron?
Segundo o diretor, o que o atrai no Capitão Ron é a "bravata fora de base" — um sujeito que exala confiança tóxica e incompetência absoluta, mas nunca parece falso. Russell segura o personagem com um comprometimento que faz o esquete funcionar do começo ao fim. Carpenter, que construiu carreira no horror, admite entender comédia: ele não queria fazer o novo Rambo, mas queria um cara que achasse que podia enfrentar Stallone.
Como Big Trouble in Little China virou cult se fracassou nos cinemas?
O filme estreou sem marketing decente e o público achou que era mais um blockbuster de ação oitentista. A piada central — Wang Chi (Dennis Dun) é o herói de verdade, enquanto Jack Burton age como protagonista sem perceber que é o sidekick — passou batida. A salvação veio no VHS: a fita alugou tanto que Russell brinca, no próprio comentário, que talvez não tivesse carreira sem o vídeo caseiro. O formato doméstico deu ao filme o tempo que a bilheteria negou.
O que torna a dinâmica Carpenter-Russell única nos comentários?
Diferente de faixas técnicas ou acadêmicas, a deles soa como dois velhos amigos num bar. Riem do cabelo de Russell, travam quando a memória falha, contam causos de sets quebrados e marketing inexistente. A química é o produto. Ben Affleck em Armageddon e o elenco de This Is Spinal Tap em personagem são ótimos, mas Carpenter e Russell têm intimidade de décadas — e isso não se fabrica.
Captain Ron merece revisão ou continua sendo "aquele filme ruim do Kurt Russell"?
Argumentos para rever:
- Russell não faz "Kurt Russell de óculos escuros"; ele some dentro de um sujeito ridículo, perigoso e carismático.
- Martin Short funciona como contraponto perfeito — o homem comum apavorado diante do caos.
- Carpenter, fã declarado, garante que a comédia não é acidental.
Argumentos contra:
- Roteiro genérico de férias em família dá pouca margem ao absurdo.
- Piadas envelheceram mal em trechos (estereótipos caribenhos, humor físico datado).
- Bilheteria e recepção original não mentem: o público rejeitou na época.
Vale a pena buscar o comentário completo de Big Trouble in Little China?
Sim. Além da revelação sobre Captain Ron, a faixa entrega bastidores de A Coisa (Carpenter cogita sequência há décadas), a origem do visual de Snake Plissken e a confissão de Russell: ele aprendeu a dirigir o caminhão de Jack Burton durante as filmagens. O áudio está nas edições especiais em blu-ray e em versões digitais da Shout! Factory. Se você gosta de história do cinema contada por quem fez, é aula grátis.
O que falta saber sobre a parceria Carpenter-Russell?
O quinto filme da dupla, Fuga de Los Angeles (1996), nunca ganhou comentário oficial dos dois juntos — lacuna que fãs cobram há anos. Carpenter segue aposentado da direção (exceto videoclipes e música), e Russell alterna blockbusters (Guardiões da Galáxia Vol. 2, Velozes e Furiosos) com projetos menores. Um comentário retroativo de Captain Ron com os dois? Por enquanto, só no campo dos sonhos. Mas, se depender da risada solta do diretor ao rever o Capitão Ron, a porta não está trancada.


