TL;DR: A série lanterns deixa carol ferris fora da trama, o que pode comprometer a construção do espectro emocional do DCU e abrir brechas narrativas importantes.
O que aconteceu
Na estreia de Lanterns, hal jordan aparece morto sobre um conjunto de arquibancadas em Rushville, Nebraska. O episódio piloto, que já chegou com 92% no Rotten Tomatoes, introduz duas linhas temporais (2016 e 2026) e refaz a origem de john stewart, como o showrunner Damon Lindelof explicou: "colocamos o cânon na mesa, descartamos o que não é essencial e recomeçamos". Até aqui, tudo pareceu funcionar, mas há um vazio notório: Carol Ferris, a figura central na vida de Hal Jordan, simplesmente não existe.
Carol, que fez sua primeira aparição em Showcase #22 (outubro de 1959) — a mesma edição que introduziu Hal —, sempre foi mais que um interesse romântico. Ela é filha de Carl Ferris, dirige a empresa aeroespacial da família e, eventualmente, se torna a líder da corporação e a amada de Hal. Nos quadrinhos, ela também se transforma na star sapphire, empunhando o poder do amor dentro do espectro emocional.
Em Lanterns, a produção já havia anunciado duas atrizes de peso: Kelly Macdonald, que acabou interpretando a xerife original kerry kane, e Laura Linney, cuja identidade foi mantida em segredo até o terceiro episódio, quando revelou ser Lianna, uma Guardiã do Universo. Nenhuma delas foi rotulada como Carol Ferris, e até o momento não há nenhum anúncio oficial de casting para a personagem.
Como chegamos aqui
Para entender por que Carol foi deixada de lado, precisamos analisar duas camadas: a decisão criativa da série e o panorama mais amplo do DCU.
- Reescrita do cânon: Lindelof optou por redefinir a origem de John Stewart, afastando-se da narrativa tradicional de Hal Jordan. Essa escolha exigiu cortar personagens que, embora importantes, não eram centrais para a nova história.
- Foco em novos personagens: A série introduziu figuras originais, como a xerife Kerry Kane, para preencher o papel de interesse romântico de Hal. Isso pode ser visto como uma tentativa de evitar comparações diretas com adaptações anteriores (por exemplo, o filme de 2011).
- Planejamento do espectro emocional: James Gunn declarou que Lanterns é essencialmente a história de John Stewart. O espectro emocional já está sendo montado — Sinestro representa o medo amarelo, a luz verde já está presente, e o medo de que o espectro violeta (amor) apareça só mais tarde deixa a narrativa incompleta.
Além disso, a própria estrutura de duas linhas temporais cria uma pressão de ritmo. O assassinato de Hal no futuro de 2026 serve como motor emocional para a temporada, mas também limita o espaço para introduzir personagens secundárias sem desviar o foco da trama principal.
Vale lembrar que, nos quadrinhos, Carol Ferris tem um papel crucial ao desafiar o conceito de que o poder dos Lanternas deve ser puramente baseado na força de vontade. Sua transformação em Star Sapphire traz à tona o amor como força motriz, equilibrando medo, raiva, avidez e compaixão. Ignorar essa faceta pode empobrecer a construção do espectro que o DCU parece estar preparando.
O que vem depois
O futuro de Carol Ferris no DCU ainda está em aberto. James Gunn não descartou a possibilidade de sua aparição em projetos futuros, como Man of Tomorrow* (previsto para 2027) ou até mesmo em um eventual crossover da justice league. No entanto, a forma como a série escolheu excluir Carol até o momento levanta questões sobre a direção narrativa que a dc studios pretende seguir.
Alguns cenários possíveis:
- Introdução tardia: Carol pode aparecer em um episódio posterior ou em outra série, mas isso exigirá um ajuste cuidadoso para não parecer uma inserção forçada.
- Reinvenção em outra mídia: A personagem pode ser explorada em animações, games ou comics vinculados ao DCU, permitindo que o espectro violeta seja desenvolvido sem sobrecarregar a trama de Lanterns.
- Desaparecimento permanente: Caso a DC decida focar apenas em John Stewart e nos demais membros do espectro, Carol poderia ser relegada a um papel histórico, citada apenas em diálogos de fundo.
Independentemente da escolha, a ausência de Carol Ferris já está gerando frustração entre os fãs de longa data, que veem na personagem um elo essencial entre o legado dos Lanternas e a expansão do espectro emocional. Se a DC pretende construir um universo coeso, será preciso encontrar uma maneira de integrar o amor como força tão relevante quanto a vontade ou o medo.
Onde isso pode dar
Minha tese é clara: excluir Carol Ferris agora pode ser um tiro no pé da própria ambição da DC Studios de criar um universo interconectado e tematicamente rico. Sem a Star Sapphire, o espectro emocional fica incompleto, e a narrativa perde um contraponto vital que poderia aprofundar conflitos internos dos personagens.
Por outro lado, há argumentos a favor da decisão. A série já está lutando para equilibrar múltiplas linhas temporais e personagens novos; introduzir Carol poderia diluir o foco em John Stewart e enfraquecer o arco central. Além disso, a produção pode estar guardando a personagem para um grande momento futuro, garantindo que sua estreia seja um evento de maior impacto.
Em resumo, a questão não é se Carol Ferris deve aparecer, mas quando e como. Se a DC quiser honrar a tradição dos Lanternas e, ao mesmo tempo, inovar, precisará encontrar um caminho que dê a ela espaço para brilhar — literalmente, como Star Sapphire — sem comprometer a narrativa já estabelecida em Lanterns.
O que falta saber
Até o momento, não há confirmação oficial sobre o futuro de Carol Ferris no DCU. A produção tem mantido silêncio, e nenhuma nova informação sobre casting ou roteiro foi divulgada. O que sabemos é que a série continua a receber boa aceitação crítica, e que o espectro emocional ainda tem muita terra a ser explorada.
Para os fãs, a esperança permanece: a DC Studios tem histórico de retomar personagens esquecidos em momentos estratégicos. Se tudo correr bem, a próxima temporada ou um spin‑off pode finalmente dar a Carol o merecido lugar de destaque — e, quem sabe, revelar um novo lado do amor que ainda não vimos nos filmes.
Para ficar no radar
Fique de olho nos anúncios oficiais da DC Studios nos próximos meses, especialmente em eventos como a CCXP ou a San Diego Comic‑Con, onde revelações de elenco e planos de futuro costumam acontecer. Enquanto isso, acompanhe Lanterns nas maratonas de domingo à noite e observe como a ausência de Carol Ferris influencia as decisões dos personagens principais.
Lanterns* continua a ser transmitido aos domingos, às 21h (horário de Brasília), e está disponível no HBO Max.


