Mais de um milhão de perfis do LinkedIn apertaram o botão "Seems like AI slop" desde seu lançamento em 30 de julho, segundo o chief product officer Hari Srinivasan.
FATO
Em um post na quinta‑feira, Hari Srinivasan revelou que o novo botão, localizado no menu de três pontos de cada publicação, já recebeu mais de um milhão de cliques. O recurso, batizado de "Seems like AI slop", foi anunciado oficialmente no mesmo dia 30 de julho. Não há detalhes sobre o que exatamente acontece ao clicar, mas a própria nomenclatura sugere que a ideia é sinalizar conteúdo que parece ter sido gerado ou exagerado por inteligência artificial.
Contexto: por que importa
O LinkedIn tem investido pesado em recursos de IA nos últimos anos – desde sugestões de escrita até recomendações de vagas. Essa corrida tecnológica coloca a rede em um dilema: como equilibrar a utilidade dos algoritmos com a transparência para os usuários? O botão "AI slop" pode ser visto como um experimento de moderação colaborativa, onde a comunidade ajuda a identificar posts que soam artificiais demais.
Além disso, a métrica de mais de um milhão de cliques em poucos dias indica que a base de usuários está curiosa (ou irritada) o suficiente para testar o recurso. Em termos de engajamento, isso supera a maioria dos lançamentos de recursos menores que costumam ficar na zona de "alguns milhares". Se a tendência continuar, o LinkedIn pode usar esses dados para calibrar seus filtros de IA ou até criar penalidades automáticas para conteúdos considerados "slop".
Reação dos fas/mercado
Nas redes, o "AI slop" virou meme instantâneo. Usuários postaram screenshots com legendas como "Quando o algoritmo tenta ser poeta, mas só gera spam" ou "Cliquei no botão e ganhei 0,001 ponto de reputação". Alguns criadores de conteúdo de carreira já começaram a brincar, adicionando o emoji 🧪 nas postagens para indicar que o texto pode estar "envenenado" por IA.
Do lado do mercado, analistas de tecnologia apontam que o alto número de cliques pode sinalizar duas coisas:
- Um nível de desconfiança crescente dos profissionais em relação a textos gerados por IA.
- Um potencial de monetização – se a plataforma puder provar que filtra melhor o ruído, pode atrair mais anunciantes premium.
Entretanto, críticos também levantam preocupações sobre censura algorítmica. Se o botão for usado para demarcar conteúdo de forma indiscriminada, pode criar um efeito "caza de bruxas" onde posts legítimos são penalizados por parecerem "mecânicos".
O que esperar
O próximo passo do LinkedIn provavelmente envolverá a coleta de métricas detalhadas: taxa de cliques por setor, tempo médio entre o clique e a remoção de post, e até feedback qualitativo dos usuários. Se a empresa perceber que o recurso está ajudando a reduzir a propagação de textos genéricos, pode expandir a funcionalidade para outras áreas, como recomendações de vagas ou mensagens de recrutamento.
Por outro lado, se a comunidade começar a usar o botão como ferramenta de trollagem – por exemplo, clicando em tudo só por diversão – o LinkedIn terá que repensar a usabilidade. Uma solução possível seria introduzir um “peso” ao voto, onde usuários com histórico de feedbacks úteis têm mais influência.
De qualquer forma, a presença de um milhão de cliques tão cedo indica que a rede social está pronta para experimentar mecanismos de moderação mais finos, e que os profissionais de tecnologia já estão de olho nos resultados.
Para ficar no radar
Fique atento às próximas atualizações da equipe de produto do LinkedIn. Hari Srinivasan costuma divulgar métricas e ajustes em posts semanais, então vale acompanhar o perfil dele para não perder nenhuma mudança.
Enquanto isso, se você ainda não viu o botão, dê uma olhada nos três pontinhos das publicações que aparecem no seu feed. Quem sabe o próximo post que você marcar como "AI slop" não acabe gerando um insight valioso para a própria plataforma?
"A internet tem um jeito de transformar até a mais séria ferramenta de networking em um campo de batalha de memes." – Comentário de usuário no Twitter


