LOVE alt delete já tem página na Steam e deve ser lançado em 2027.
O que aconteceu?
Na última semana, o estúdio independente Circle Maiden Name ativou a página oficial do título LOVE alt delete na loja da Valve. O anúncio consiste em um trailer curta‑metade‑sci‑fi que revela a premissa: um chat‑sim de horror psicológico ambientado em 200X, onde o jogador testa os MUSEs – chatbots que simulam namoradas – de uma corporação fictícia chamada Bicameral. O jogo promete múltiplos finais, temáticas pesadas como ideação suicida e relações tóxicas, e um visual cyber‑core inspirado na era Y2K.
Além da página, a desenvolvedora divulgou que não utiliza modelos de linguagem grande (LLM) na produção, apesar da narrativa girar em torno de IA. O trailer, que pode ser visto no embed abaixo, já gera debates acalorados sobre a ética de simular relacionamentos românticos com máquinas.
Como chegamos aqui?
O conceito de LOVE alt delete não surgiu do nada. Nos últimos anos, vimos um aumento de jogos que exploram a intimidade digital – de AI Dungeon a Dream Daddy. Essa tendência acompanha o boom das LLMs e dos chat‑bots de apoio emocional, que ganharam popularidade em plataformas como Replika. Entretanto, a maioria desses projetos ainda era “soft‑core”, focada em romance leve ou humor.
Circle Maiden Name decidiu empurrar o limite ao colocar o jogador dentro de um contrato de confidencialidade exagerado, forçando-o a assinar um NDA fictício antes mesmo de iniciar a experiência. Essa escolha parece uma crítica direta à cultura de sigilo das big techs que desenvolvem IA, mas também abre a porta para questionamentos sobre manipulação psicológica do jogador.
Do ponto de vista técnico, o estúdio afirma que todo o código e a arte foram criados sem auxílio de IA. Essa postura pode ser vista como uma tentativa de preservar a autenticidade artística, mas também pode ser interpretada como um marketing de “feito à mão” em um mercado saturado por conteúdos gerados por IA.
- Pró: A proposta de um horror psicológico em formato de chat oferece uma experiência inovadora, aproveitando a familiaridade dos usuários com mensagens instantâneas.
- Contra: O foco em temas sensíveis (suicídio, abuso) pode ser problemático se não houver suporte adequado ou avisos claros.
- Pró: O visual Y2K evoca nostalgia e diferencia o jogo de títulos mais polidos.
- Contra: A dependência de texto pode limitar a acessibilidade para jogadores que preferem narrativas mais visuais.
Além disso, a escolha de ambientar a história em 200X – uma década marcada pela transição de computadores de mesa para a era dos smartphones – reforça o clima de “ciber‑nostalgia” e serve como pano de fundo para críticas ao excesso de digitalização das relações humanas.
O que vem depois?
Com a página já ao vivo, o próximo passo da Circle Maiden Name será abrir um período de pré‑venda ou “wishlist” no Steam. Embora a data exata ainda não tenha sido confirmada, o estúdio indicou um “janela de lançamento 2027”. Isso dá tempo suficiente para que a comunidade reaja, que críticas sejam feitas e que possíveis ajustes de conteúdo sejam implementados.
Do ponto de vista da indústria, o sucesso (ou fracasso) de LOVE alt delete pode influenciar outros desenvolvedores indie a explorar narrativas de horror psicológico baseadas em interfaces de chat. Caso a recepção seja positiva, poderemos ver mais títulos que abordam a solidão digital e a ética da IA de forma interativa.
Entretanto, há riscos. Se o jogo for acusado de romantizar relações abusivas ou de falhar em oferecer recursos de apoio (como links para linhas de ajuda), a repercussão negativa pode ser forte, especialmente em comunidades sensíveis a temas de saúde mental.
Em resumo, LOVE alt delete está posicionado como um experimento audacioso que mistura horror, romance yuri e crítica social. O que acontecerá dependerá tanto da execução técnica quanto da resposta do público a essas temáticas delicadas.
Onde isso pode dar
Minha aposta é que LOVE alt delete vá dividir opiniões como poucos jogos indie conseguem. Para quem busca inovação narrativa e está disposto a enfrentar temas desconfortáveis, o título pode se tornar um marco do horror digital. Para quem prefere experiências mais leves ou tem medo de gatilhos psicológicos, o jogo provavelmente será evitado.
Se a Circle Maiden Name conseguir equilibrar a carga emocional com mecanismos de suporte (por exemplo, avisos de conteúdo, opções de pausa, links para ajuda), o projeto tem chance de abrir caminho para uma nova sub‑gênero: horror de chat‑sim com consciência social. Caso contrário, pode se tornar um exemplo de mau uso de temas sensíveis, reforçando críticas à indústria de jogos indie que tenta ser “profunda” sem o respaldo necessário.


