WhatsApp Promoções Instagram YouTube
Culpa do Lag CULPA DO LAG
Capa do livro Mundo Sombrio
📖 Livro do autor do site
Mundo Sombrio

Uma fantasia sombria sobre o véu fino entre os vivos e os mortos. Leia agora no Kindle.

Ler na Amazon →
Games

Making of Tomb Raider: livro expõe nota alterada no Game Boy Color

· · 4 min de leitura
Cena do jogo Tomb Raider
Compartilhar WhatsApp

O livro making of tomb raider 1997-2000, recém-lançado pelo jornalista Daryl Baxter via Time Extension, traz à tona um episódio que a imprensa especializada preferia esquecer: a nota do port de Tomb Raider para game boy color foi deliberadamente rebaixada pela equipe editorial da revista porque superava as médias de Pokémon e The Legend of Zelda.

O port técnico que desafiou o hardware

Lançar Tomb Raider no Game Boy Color em 2000 era, no papel, uma ideia absurda. O hardware de 8 bits da Nintendo mal sustentava plataformas 2D, quanto mais um action-adventure 3D com exploração vertical, quebra-cabeças ambientais e combate em arena. A desenvolvedora Core Design — a mesma dos originais no playstation — teve que reescrever a engine do zero, trocando polígonos por sprites pré-renderizados em isometria, comprimindo animações em poucos kilobytes de ROM e reinventando o sistema de salvamento para cartuchos sem battery save nativo.

O resultado final roda a 30 fps estáveis, mantém a identidade visual da franquia (incluindo a icônica trança de Lara) e entrega fases completas de Peru, Grécia e Egito. Não é um "demake" preguiçoso: é uma reimaginação fiel dentro de limitações brutais. Quem jogou na época sabe — o controle responde, a câmera não trai e a sensação de descoberta permanece intacta.

A nota que incomodou a hierarquia

Segundo o trecho divulgado, a equipe de review da revista (cujo nome o livro omite, mas o contexto aponta para uma das grandes publicações britânicas da época) atribuiu ao jogo uma nota numérica superior às concedidas a Pokémon Gold/Silver e The Legend of Zelda: oracle of seasons/Ages — os pesos-pesados first-party da Nintendo naquele Natal. A direção editorial interveio: a nota foi "retconada" para baixo antes da impressão, sob o argumento de que um jogo third-party não podia superar os carros-chefe da plataforma nas páginas da revista.

Não foi um erro de cálculo. Foi censura comercial disfarçada de "calibragem editorial".

Imprensa de 2000 vs. imprensa de hoje: o que mudou (e o que não mudou)

A comparação é inevitável e desconfortável.

Critério Revistas impressas (2000) Portais e creators (2024)
Pressão de fabricantes Direta, explícita, via anúncios de página inteira e eventos fechados Indireta, via embargo, access journalism e ameaça de blacklist
Métrica de sucesso Nota numérica única, comparada em tabela mensal Metacritic/OpenCritic, agregados que mascaram outliers
Correção pós-publicação Impossível — a revista já estava nas bancas Comum — patches de review, updates de nota, addendums
Independência real Rara, dependente de circulação e anunciantes Teórica, mas minada por patrocínios, afiliados e algoritmos

A estrutura mudou; o incentivo perverso permanece. Em 2000, a nota era alterada na sala de edição. Hoje, o review sai no embargo com viés favorável para garantir o próximo convite de preview. O resultado prático é o mesmo: o leitor recebe uma avaliação calibrada para não incomodar quem paga a conta.

Por que o livro importa mais que a fofoca

Making of Tomb Raider 1997-2000 não é apenas um catálogo de curiosidades técnicas. Ele documenta como a indústria tratava (e trata) portáteis como cidadãos de segunda classe, como a imprensa especializada internalizou a hierarquia de plataformas imposta pelos fabricantes e como a história dos games é escrita pelos que controlam o microfone — não pelos que fazem o código.

O port de Game Boy Color merecia a nota original. Merece ser jogado hoje via emulação ou flashcart. E merece constar no currículo da Core Design como prova de que engenharia brilhante pode florescer onde o marketing diz que não há mercado.

  • O livro cobre Tomb Raider I–III, The Last Revelation, Chronicles e o cancelado The Angel of Darkness.
  • Inclui entrevistas com programadores, artistas e designers de som da Core Design.
  • Disponível em capa dura e digital diretamente no site da Time Extension.

O lado que ninguém tá vendo

A revelação da nota alterada não é apenas um "gotcha" histórico. Ela expõe a fragilidade da memória coletiva dos games: se a imprensa da época reescreveu o veredito para agradar a Nintendo, quantos outros jogos tiveram sua recepção distorcida antes de chegar ao público? Quantas sequências foram canceladas, quantos estúdios fecharam, quantas IPs morreram porque a nota "oficial" não refletia a qualidade real do produto?

O port de Tomb Raider no Game Boy Color sobreviveu à censura editorial. A Core Design não — fechou as portas em 2006, absorvida pela Eidos e depois dissolvida. O livro de Baxter faz justiça tardia a uma equipe que fez milagre com 8 bits. A nota corrigida continua errada. A história, agora, tem uma versão menos mentirosa.

Perguntas frequentes

O que é o livro Making of Tomb Raider 1997-2000? ▾
É uma obra não-oficial escrita por Daryl Baxter que detalha o desenvolvimento dos jogos clássicos da franquia, incluindo o port de Game Boy Color, com entrevistas da equipe original da Core Design.
Por que a nota do Tomb Raider Game Boy Color foi alterada? ▾
Segundo o livro, editores da revista reduziram a nota original porque ela superava as notas de Pokémon e Zelda, jogos first-party da Nintendo, por pressão comercial para não desagradar o fabricante do console.
O port de Tomb Raider no Game Boy Color é bom? ▾
Sim. Apesar das limitações do hardware de 8 bits, o jogo roda a 30 fps estáveis, mantém a identidade visual da série e adapta fases completas dos originais com fidelidade surpreendente.
Culpa do Lag
Curtiu? Recebe as próximas no WhatsApp.

Games, animes, filmes e tech — as notas quentes direto no nosso canal, sem depender de algoritmo.

Seguir no canal Meu Desconto Geek Curte promoção geek? Segue também o Meu Desconto Geek, nosso canal de ofertas da Shopee.

Veja tambem

Compartilhar WhatsApp