marvel comics evitou um reboot completo do seu multiverso há uma década, mas a nova fase do MCU indica que a gigante dos quadrinhos pode finalmente mudar essa estratégia. O fato abre espaço para novos pontos de entrada e para a integração de histórias que ainda não foram exploradas nas telonas.
FATO
Em 2015, a série secret wars concluiu a saga das Incursões – eventos que colocavam universos paralelos em colisão – sem, no entanto, reiniciar o universo Marvel. O encerramento trouxe mudanças de continuidade, mas manteve a estrutura básica dos mundos existentes. Desde então, a editora tem optado por ajustes pontuais ao invés de um “reset” total, apesar de críticas recorrentes de leitores que pediam um ponto de partida mais claro.
Contexto: por que importa
Para o público brasileiro, a ausência de um reboot tem duas faces. Por um lado, leitores veteranos não precisam se preocupar com a perda de décadas de história; por outro, novos fãs encontram barreiras de entrada, já que a cronologia atual exige conhecimento prévio de eventos como infinity gauntlet ou Krasna. Comparativamente, a DC Comics recorreu ao clássico Crisis on Infinite Earths (1985) para simplificar seu universo, gerando um ponto de partida mais amigável.
O MCU – que já ultrapassou a marca de 30 filmes – tem seguido a mesma lógica de “não rebootar”. Cada fase acrescenta camadas ao mesmo universo, mas a complexidade crescente tem gerado reclamações de fãs que se sentem “excluídos” ao não entender referências de filmes como Doctor Strange in the Multiverse of Madness ou Spider-Man: No Way Home. Um reboot no cinema poderia, assim como nos quadrinhos, criar um novo ponto de partida para o público que ainda não acompanha a saga há anos.
- Facilidade de acesso: um universo reiniciado oferece um “episódio 1” claro, reduzindo a necessidade de pesquisas extensas.
- Renovação comercial: lançamentos de novos números e coleções de quadrinhos costumam gerar picos de vendas.
- Sinergia com o MCU: um reboot nos quadrinhos pode servir de base para futuras adaptações cinematográficas, alinhando narrativas.
Reação dos fãs/mercado
Desde o final de Secret Wars, fóruns como Reddit, Twitter e grupos de Facebook no Brasil têm expressado frustração. Comentários recorrentes apontam que a falta de um ponto de partida “limpo” dificulta a recomendação de títulos para amigos que ainda não leem quadrinhos. Por outro lado, colecionadores veteranos celebram a continuidade, argumentando que o “ciclo de retcons” mantém a história viva.
No mercado editorial, as vendas de linhas como ultimate (reboot total da Marvel nos anos 2000) ainda são citadas como referência de sucesso: a série vendeu bem e abriu portas para novos leitores. Contudo, a Marvel não lançou um projeto similar nos últimos dez anos, o que, segundo analistas da indústria, pode ter contribuído para a queda de algumas séries de capa azul nas bancas brasileiras.
O MCU, por sua vez, tem registrado picos de bilheteria, mas também enfrenta críticas de “fatiga do multiverso”. O último filme da fase 4, Doctor Strange in the Multiverse of Madness, recebeu avaliações mistas, com parte do público alegando que a trama se tornou excessivamente complexa para quem não acompanha a série Loki no Disney+.
O que esperar
Com a fase 5 em andamento e o próximo grande evento cinematográfico previsto para 2027, os insiders apontam para um possível “soft reboot” – uma reestruturação que preserva personagens-chave, mas redefine linhas temporais. Essa estratégia poderia incluir:
- Um filme de “recomeço” que introduza um novo universo, possivelmente focado em personagens menos explorados nos últimos anos, como os x-men ou os guardiões da galáxia 2.0.
- Reinicialização de séries do Disney+ que serviriam como ponto de partida, como ms. marvel ou she-hulk, criando um “universo de entrada” para novos espectadores.
- Publicação de um novo arco de Secret Wars nos quadrinhos, desta vez concluindo com um reboot real, alinhado ao plano cinematográfico.
Para o público brasileiro, isso significaria uma oportunidade de adquirir edições de estreia, participar de eventos de lançamento nas CCXP e Anime Friends, e ainda consumir conteúdo em plataformas de streaming sem a necessidade de maratonar uma década de filmes.
Para ficar no radar
Embora a Marvel ainda não tenha anunciado oficialmente um reboot, a tendência de alinhamento entre quadrinhos e cinema indica que a mudança está próxima. Fique atento a anúncios nas próximas edições da San Diego Comic-Con (que costuma influenciar decisões da Marvel) e nas conferências de imprensa da Disney+.
Enquanto isso, colecionadores podem aproveitar a oportunidade para adquirir edições de Secret Wars e outras histórias de Jonathan Hickman, que já são consideradas peças de transição entre o velho e o novo multiverso. No fim, a esperança é que a Marvel encontre um equilíbrio entre tradição e inovação, oferecendo tanto aos veteranos quanto aos iniciantes um caminho claro para explorar o vasto universo dos heróis.


