TL;DR: A MBC Group, conglomerado de mídia saudita, lançou o mbc game studio, um estúdio de desenvolvimento totalmente remoto que já conta com veteranos de bioware, ubisoft montreal, hi‑rez studios e bungie para criar o action‑adventure "1001 Threads of Mizan".
O anúncio foi feito no gamescom 2026, onde a empresa mostrou o primeiro visual do jogo inspirado nas histórias de "Mil e Uma Noites". O apoio financeiro da própria MBC e o recente investimento de 54% da saudi public investment fund (PIF) na controladora dão ao novo estúdio um colchão de capital considerável, mas a grande questão para o público brasileiro é como esse modelo de produção impactará a indústria nacional.
MBC Game Studio: modelo de estúdio remoto global
O MBC Game Studio opera sem escritórios físicos permanentes. CEO Daniel Engelhardt e COO Trevor Williams recrutaram talentos espalhados pelo mundo – de desenvolvedores da BioWare a artistas da Bungie – e permitem que cada um trabalhe de onde estiver. Essa abordagem traz duas vantagens claras:
- Flexibilidade de contratação: acesso a profissionais de alto nível sem as barreiras de visto ou relocação.
- Redução de custos operacionais: menos despesas com infraestrutura e manutenção de escritórios.
Entretanto, o modelo remoto também levanta dúvidas sobre a coesão criativa, especialmente em um projeto que depende fortemente de narrativa e arte culturalmente sensível.
Estúdios tradicionais no Oriente Médio: exemplo de Ubisoft Abu Dhabi
Para entender o que o MBC Game Studio está tentando mudar, vale comparar com o modelo tradicional adotado por estúdios como a Ubisoft Abu Dhabi. Esse estúdio mantém um campus físico, investe em parcerias com universidades locais e segue uma política aberta ao uso de ferramentas de ia generativa para acelerar a produção de assets.
| Critério | MBC Game Studio (remoto) | Estúdio tradicional (ex.: Ubisoft Abu Dhabi) |
|---|---|---|
| Financiamento | Backed by MBC Group + PIF stake; capital robusto mas ainda em fase de validação. | Financiamento direto da Ubisoft, com apoio de incentivos governamentais locais. |
| Estrutura de equipe | Equipe 100% remota, distribuída globalmente; foco em veteranos de grandes estúdios. | Equipe híbrida: núcleo local + freelancers regionais. |
| Política de IA | Proibição de uso de IA generativa até que a equipe decida o contrário. | Uso livre de IA para geração de texturas, animações e scripts. |
| Foco de mercado | Objetivo de criar franquia internacional; narrativa baseada em folclore árabe. | Produtos voltados para o mercado global, mas com forte presença no GCC. |
| Relação com desenvolvedores brasileiros | Abre portas para parcerias remotas, porém ainda não há anúncios de colaboração. | Já possui acordos de co‑desenvolvimento com estúdios indie da América Latina. |
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Desenvolvedores independentes que buscam experiência internacional – O modelo remoto do MBC Game Studio pode ser um trampolim. A empresa já demonstra disposição em contratar talentos de alto calibre, o que pode gerar oportunidades de contrato ou freelancing para profissionais brasileiros que falem inglês e tenham portfólio sólido.
Estúdios que valorizam rapidez e prototipagem – O bloqueio ao uso de IA pode ser um ponto negativo. Se sua equipe depende de ferramentas de geração automática para acelerar pipelines, o ambiente da Ubisoft Abu Dhabi (ou outros estúdios tradicionais) oferece mais liberdade.
Investidores e analistas do mercado gamer – O capital da MBC e o apoio do PIF sinalizam um interesse de longo prazo no entretenimento digital da região. Ainda assim, a falta de data de lançamento para "1001 Threads of Mizan" indica que o projeto está em fase de risco alto, o que pode afastar investidores conservadores.
Onde isso pode dar
Se o MBC Game Studio conseguir transformar sua equipe remota em uma fábrica de franquias de sucesso, a região do Golfo pode ganhar um novo polo de produção cultural que exporta narrativas locais para o mundo. Por outro lado, a resistência ao uso de IA pode tornar o estúdio menos competitivo frente a concorrentes que adotam tecnologias emergentes para cortar custos e acelerar lançamentos.
Para o público brasileiro, o ponto de atenção está nas oportunidades de colaboração: parcerias remotas, programas de mentoria ou até mesmo licenciamento de IPs regionais podem abrir portas para talentos latinos que ainda não têm acesso ao mercado do Oriente Médio.
Em suma, a MBC está apostando alto – e o sucesso dependerá de como equilibrar sua ambição global com a necessidade de criar algo que ressoe culturalmente tanto no Oriente Médio quanto nos mercados ocidentais, inclusive o brasileiro.


