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Cultura Geek

Michita Murasaki: o álbum mais melancólico do indigo la End vale as 4 edições físicas?

· · 5 min de leitura
Jovem em roupa de treino, fones nos ouvidos, segurando um copo de chá verde ao lado de um vinil de Michita Murasaki
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O indigo la End lançou Michita Murasaki em 24 de junho após atraso por problemas de produção, entregando o disco mais contido e nostálgico de seus 16 anos de carreira. Diferente do antecessor MOLTING AND DANCING, o novo trabalho prioriza atmosferas melancólicas e arranjos que se revelam apenas em audições repetidas, encerrando com um solo de guitarra de Curtis Osada que figura entre os melhores fechamentos de álbum de 2026.

Como Michita Murasaki se compara a MOLTING AND DANCING?

A mudança de tom é imediata. Onde o álbum anterior apostava em grooves dançantes e refrões explosivos, Michita Murasaki abre com Natsume — guitarras limpas, andamento lento, uma sensação de banda de colégio tocando em ensaio, mas com produção impecável. A energia sobe no final da faixa, mas o disco inteiro mantém esse pulso mais baixo, quase sussurrado.

Não é um retrocesso. Enon Kawatani (vocal/guitarra) e Curtis Osada (guitarra) usam o espaço extra para entrelaçar linhas de forma virtuosa, enquanto Ryosuke Gocho (baixo) e Eitaro Sato (bateria) sustentam grooves que, embora menos pirotécnicos, são tecnicamente mais sofisticados. A nostalgia não é pose: soa como uma banda revisitando sua própria história com a maturidade de quem não precisa provar mais nada.

Faixas que definem o álbum

Whirlpool — o single que resume a identidade da banda

Lançada antes do álbum, Whirlpool equilibra o refrão melódico característico de Enon com uma bateria surpreendentemente simples de Eitaro Sato nos refrões. A complexidade migrou para os versos lentos, criando um contraste que só faz sentido no contexto do disco inteiro. É a porta de entrada ideal para quem nunca ouviu o quarteto.

Kagerou — rap, solo retrô e sintetizadores

A faixa começa com synths suaves e ritmo calmo, explode com a entrada das guitarras e surpreende com uma seção de rap inesperada. O solo de guitarra usa o mesmo timbre "retrô" ouvido em Noroi wa Itsu Made, criando uma assinatura sônica que costura o álbum. Momento de destaque para a dualidade entre as duas guitarras — marca registrada do indigo la End elevada a outro patamar.

Shiranai Umi — o momento headbang

Se o disco é majoritariamente contido, Shiranai Umi é a exceção deliberada. Riffs pesados, leads saltitantes e Enon gritando "Get back at you" com força bruta. Não é a faixa mais complexa, mas a energia bruta justifica sua existência no tracklist como válvula de escape.

Koi no Oko — o fechamento que fica

Precedida pelo instrumental curto Flâner la nuit ("Derivando a noite"), a faixa final amplia a estética calma até se tornar o pico emocional do disco. Cada integrante toca em perfeita harmonia; o solo final de Curtis Osada é daqueles que param a respiração. Quando pads ambientais assumem e o silêncio chega, a sensação é de ter vivido algo completo.

Edições físicas: o que cada uma traz

Edição Conteúdo extra Para quem vale
Regular CD com 11 faixas Quem só quer a música
Limited Edition CD + scarf + pouch + photobook Colecionadores de goods exclusivos
First Press Limited A CD + blu-ray do show "Yoru no Ai" no Budokan + photobook Fãs que querem o show de 15 anos completo
First Press Limited B CD + Blu-ray do show "Yoru no Ai" no Budokan + photobook Mesmo conteúdo da A, capa alternativa

O grande atrativo das edições First Press é o Blu-ray do show comemorativo de 15 anos no Nippon Budokan, batizado Yoru no Ai. As edições A e B diferem apenas na arte da capa; o conteúdo do disco e do Blu-ray é idêntico. A Limited Edition (sem "First Press") troca o show por scarf, pouch e photobook — opção para quem prioriza goods vestíveis/usáveis sobre vídeo.

Vereditos: o melhor para cada perfil

Ouvinte casual / streaming only

Ouça na ordem. Michita Murasaki foi feito para ser consumido do início ao fim; playlists aleatórias quebram a curva emocional. Dê três audições completas antes de julgar — a primeira passa despercebida, a segunda revela os arranjos, a terceira fixa as melodias.

Fã de longa data que compra físico

First Press Limited A ou B. O Blu-ray do Budokan documenta a turnê de 15 anos com a formação atual e é item que não chegará ao streaming. Escolha a capa que mais agrada visualmente; o conteúdo é o mesmo.

Colecionador de goods exclusivos

Limited Edition. Scarf e pouch são itens funcionais com design da banda; o photobook traz fotos de bastidores não replicadas nas edições First Press. Se o show no Budokan não é prioridade, esta edição entrega mais objetos únicos por real investido.

Novo fã querendo entender a banda

Comece por Whirlpool e Kagerou no streaming. Se gostar, vá para MOLTING AND DANCING (mais acessível, enérgico) e só então encare Michita Murasaki como imersão profunda. O disco recompensa paciência, não imediatismo.

O que fica depois do silêncio final

Michita Murasaki não é o álbum mais fácil do indigo la End, mas pode ser o mais duradouro. A troca de impacto imediato por camadas que se revelam com o tempo reflete uma banda no controle total de sua linguagem — algo raro após 16 anos. Para o fã brasileiro que acompanha J-rock além do mainstream de animes, é disco obrigatório. Para quem conhece a banda só de nome, a barreira de entrada é real: exige tempo, fones de qualidade e disposição para melancolia. Quem aceita o convite encontra um dos fechamentos de álbum mais bonitos dos últimos anos.

"A dualidade entre as guitarras de Enon e Curtis atinge aqui seu ponto mais refinado — não há exibicionismo, apenas conversa."

Disponível nas principais plataformas de streaming e nas quatro edições físicas via Sony Music Shop, HMV e CDJapan com envio internacional.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre as edições First Press Limited A e B de Michita Murasaki?
Apenas a arte da capa. Ambas incluem CD com as 11 faixas, Blu-ray do show "Yoru no Ai" no Budokan (15º aniversário) e photobook. O conteúdo de áudio e vídeo é idêntico.
Michita Murasaki é mais lento que MOLTING AND DANCING?
Sim. O álbum prioriza atmosferas melancólicas, andamentos mais lentos e arranjos que se revelam em audições repetidas, contrastando com a energia dançante e os refrões explosivos do trabalho anterior.
O show Yoru no Ai no Budokan estará disponível no streaming?
Não há confirmação de lançamento do Blu-ray em plataformas de streaming. A única forma garantida de assistir ao show completo de 15 anos é adquirindo as edições First Press Limited A ou B.
Quais faixas se destacam na primeira audição?
Whirlpool (single pré-lançamento), Kagerou (pela seção de rap e solo retrô) e Shiranai Umi (única faixa pesada/headbang do disco) são as mais imediatas. Koi no Oko exige o contexto do álbum inteiro para impacto total.
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