Microsoft anunciou a demissão de 3.200 funcionários nesta semana, e ainda planeja cortar mais 1.600, afetando diretamente o id Software, responsável pela icônica série doom.
O que aconteceu
A gigante de jogos revelou um plano de reestruturação que não inclui o fechamento de estúdios, mas reduz drasticamente o número de colaboradores. Entre os atingidos, o id Software foi rebaixado de desenvolvedor principal a support studio, ou seja, um time focado apenas em manutenção e correções.
Essa mudança foi anunciada em comunicado interno que vazou para a imprensa, gerando preocupação entre fãs e analistas. A decisão vem após a fusão entre Xbox Game Studios e bethesda, que já havia deixado o portfólio da Microsoft ainda mais volumoso.
Como chegamos aqui
Nos últimos dois anos, a Microsoft adotou uma estratégia agressiva de aquisição: activision blizzard, Bethesda Softworks e Mojang Studios (criadora do minecraft) foram incorporados ao Xbox Game Studios. Cada compra trouxe novos talentos, mas também aumentou a sobrecarga administrativa.
Com a pressão de melhorar margens e responder ao stock market, a empresa optou por cortar custos via demissões em massa, ao invés de fechar estúdios que ainda geram receita. O id Software, apesar de ter entregado DOOM Eternal em 2020 e DOOM Eternal: The Ancient Gods, foi considerado “excedente” para a nova estrutura de suporte.
Argumentos a favor da medida apontam que um support studio pode ainda garantir patches, atualizações de servidores e suporte a modders, preservando a base de jogadores sem custos de desenvolvimento de novos títulos.
- Redução de despesas operacionais em até 30%.
- Foco em receitas recorrentes de dlcs e microtransações.
- Manutenção de contratos de publicação com parceiros externos.
Entretanto, críticos alertam que a falta de um time criativo dedicado pode estagnar a franquia, que depende de inovações radicais para manter sua identidade “rip and tear”.
O que vem depois
O futuro da série DOOM está em aberto. Sem um estúdio de desenvolvimento interno, a Microsoft pode terceirizar novos jogos para estúdios externos, como a MachineGames (responsável por wolfenstein). Alternativamente, a empresa pode apostar em versões remasterizadas ou spin‑offs menores.
Os fãs já organizam petições pedindo a reversão da decisão, enquanto analistas de mercado especulam que a medida pode ser temporária, servindo apenas para “reajustar” a estrutura antes de um próximo grande investimento.
"Transformar um estúdio criativo em suporte é como trocar um motor V8 por um motor de partida", comentou um insider da indústria.
Enquanto isso, a Microsoft promete manter o xbox game pass atualizado com os títulos existentes, mas a ausência de novos lançamentos do id Software pode enfraquecer a proposta de valor da assinatura.
Onde isso pode dar
Se a estratégia de suporte se provar eficaz, poderemos ver um modelo de negócio onde grandes franquias são mantidas vivas apenas por atualizações e conteúdo adicional, reduzindo riscos de desenvolvimento. Por outro lado, a criatividade pode migrar para estúdios independentes, que receberão mais atenção dos consumidores famintos por novidades.
O que está claro é que a decisão da Microsoft sinaliza uma mudança de paradigma na indústria: foco em rentabilidade imediata pode custar a alma criativa de marcas lendárias. Resta aguardar se o id Software vai renascer sob nova liderança ou se ficará eternamente relegado ao papel de guardião de patches.


