Mortal Kombat: Armageddon, lançado em outubro de 2006, encerrou a era 3D da série com 63 personagens jogáveis — o maior elenco da franquia até então — antes da falência da Midway e do reboot pela NetherRealm Studios em 2011.
O que aconteceu
Em outubro de 2006, Mortal Kombat: Armageddon chegou ao xbox original, playstation 2 e, posteriormente, ao nintendo wii. O título funcionou como ponto final da fase tridimensional da franquia, iniciada com Mortal Kombat 4 (1997) e consolidada por Mortal Kombat: Deadly Alliance (2002) e Mortal Kombat: Deception (2004). A principal marca do jogo foi o elenco: 63 lutadores na versão base, subindo para 64 no Wii com a inclusão de Khameleon, personagem até então exclusiva de versões portáteis.
A lista reunia praticamente todos os combatentes já vistos na série, incluindo figuras de spin-offs como Mortal Kombat: Shaolin Monks e Mortal Kombat: Special Forces, tornando-os "canônicos" pela primeira vez. Os únicos estreantes foram Taven e Daegon — irmãos centrais na trama da pirâmide de Argus — além do personagem de brincadeira Meat, resgatado dos segredos de títulos anteriores. A premissa narrativa era direta: uma pirâmide surge no cenário e concede poder divino a quem alcançar o topo, ressuscitando todos os lutadores para a batalha final.
O modo "Kreate a Fighter" permitia montar um combatente personalizado misturando golpes e atributos do elenco existente — por exemplo, combinar a bola de gelo de Sub-Zero com o voo elétrico de Raiden. Havia ainda o "Motor Kombat", minijogo de kart inspirado em Mario Kart, e o retorno do modo Konquest, embora simplificado frente à versão de Deception. A Krypta, área de desbloqueio de arte e extras, também foi reduzida.
Como chegamos aqui
A transição para o 3D começou em 1997 com Mortal Kombat 4, que manteve a jogabilidade em plano 2D, mas introduziu modelos poligonais e movimento lateral limitado. Deadly Alliance e Deception abraçaram arenas totalmente tridimensionais, sistema de três estilos de luta por personagem (dois desarmados, um com arma) e mecânicas de interação com o cenário. A recepção foi mista: fãs da jogabilidade clássica de arcade sentiram falta da precisão dos sprites, enquanto novos jogadores apreciaram a liberdade de movimento semelhante a Tekken ou Virtua Fighter.
No fim de 2006, a Midway Games — publicadora da série desde o arcade original de 1992 — já enfrentava dificuldades financeiras severas. Armageddon foi o último título da franquia lançado sob sua gestão. O jogo vendeu bem o suficiente para manter a marca viva, mas a reutilização massiva de assets e a sensação de "despedida" eram evidentes. Dois anos depois, Mortal Kombat vs DC Universe (2008) tentou renovar o interesse com crossover licenciado, mas a violência atenuada para classificação "Teen" gerou críticas da base tradicional.
O que vem depois
O colapso da Midway em 2009 levou à formação da NetherRealm Studios, comandada por Ed Boon, co-criador da série. O primeiro projeto do novo estúdio foi Mortal Kombat (2011), conhecido retroativamente como Mortal Kombat 9, que reiniciou a cronologia e retornou à jogabilidade 2.5D — modelos 3D em plano de luta bidimensional. O reboot vendeu mais de 3 milhões de cópias no primeiro mês e restaurou a relevância competitiva da franquia.
Atualmente, a NetherRealm segue com Mortal Kombat 1 (2023), que reinicia novamente a linha do tempo após os eventos de Mortal Kombat 11. A era 3D permanece sem relançamentos oficiais em plataformas modernas; Armageddon, Deception e Deadly Alliance não estão disponíveis nas lojas digitais atuais, o que torna as versões físicas de PS2 e Xbox itens de colecionador. A comunidade mantém mods e emulação para preservar o período, mas não há anúncio de remaster ou compilação.
Para ficar no radar
- A NetherRealm não confirmou planos de trazer a trilogia 3D para consoles atuais.
- O elenco recorde de Armageddon só foi superado em número por Super Smash Bros. Ultimate (2018), que reuniu 74 lutadores no lançamento.
- Taven e Daegon não retornaram como jogáveis nos jogos da NetherRealm, aparecendo apenas em menções de lore.
- Khameleon segue exclusiva de versões Nintendo; não apareceu no Wii U, Switch ou nas gerações atuais.


